Sei que este tempo foi um tempo bom. Mas por mais que tente lembrar-me de que Desafio se tratou, não consigo que se faça luz no meu espírito. Isto é a mais pura verdade. Encontrei esta imagem, mas não sei em que blog decorreu o Passatempo nem sequer o ano. Peço que me recordem, por favor! Talvez a Chica ou o Pedro Coimbra se recordem.
...Aconteceu em 1975!! As temperaturas subiram várias vezes acima dos 35 graus. A água faltava com frequência e, nas cidades, a população procurava abrigo e conforto nas sombras dos jardins.
As temperaturas altas propiciaram o primeiro grande incêndio na Serra de Sintra.
Na televisão, Vasco Granja apresentava desenhos animados polacos, na RTP. Apesar da monotonia do P&B, a série do detective Columbo (Peter Falk) ou os Monty Python, eram lufadas de ar fresco!
No grande ecrã, os filmes de Bruce Lee ou Papillon, cujos cartazes apresentavam em letras garrafais o sugestivo título, "O Grito da Liberdade", levavam muita gente aos Cinemas, mas foi o filme "Emmanuelle" que bateu os recordes das vendas de bilheteira, em Lisboa e no Porto.
Ermelinda Duarte, foi a criadora do maior sucesso musical dos últimos meses "Somos Livres" mais conhecido pelo verso inicial «Uma gaivota voava, voava...», a canção foi um fenómeno de popularidade.
Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, popularizaram "Força, Força, Companheiro Vasco", canção de propaganda que foi tocada em doses maciças, levando os ouvintes à beira da exaustão!!
Zeca Afonso e Sérgio Godinho, ocupavam, permanentemente, os tops de vendas de discos.
Com o passar das semanas, a música nacional foi sendo varrida do hit parade. O público consagrava Demis Roussos, Juan Pardo e Camilo Sesto. José Niza, crítico musical e autor de várias canções vencedoras de festivais da RTP, atribuiu o facto à «rejeição provocada pelo autêntico massacre sonoro a que a Rádio e a TV submeteram os ouvidos dos portugueses no pós 25 de Abril».
Segue-se a pergunta sacramental, meus amigos:
Quantos de vós vos lembrais deste Verão Quente?
Se se lembrarem de algo que tenha ficado esquecido, a caixa de comentários é vossa!!
Quando hoje, logo pela manhã, recebi um telefonema da minha filha a perguntar-me. - Já ouviste, Mãe? - Ouvi o quê?- Perguntei surpreendida, tanto mais que não é hábito telefonar-me tão cedo. - A notícia sobre o Alentejo! - - Ora...quero lá saber! Retorqui - pensando em Évora. Mas não, felizmente!
A proposta da candidatura partiu da iniciativa do autarca da Câmara Municipal de Serpa, minha terra natal. Daí, a nossa alegria por vermos concretizada a expectativa, que dura há várias semanas! Emocionei-me! Veio-me à memória a voz da minha saudosa Mãe e o Cante a duas vozes, que tanto ouvi na minha meninice! E chorei, de emoção! Que ainda haja em Portugal motivos de orgulho pelas nossas tradições. Pelo trabalho honesto, em que o Cante servia de companhia aos trabalhadores, às ceifeiras e alegrava a vida de quem vivia no Alentejo!! ----------------------------------------------------------------------
Reedição de parte dum texto que publiquei em 2010.
Aqui, fui uma espécie de pagadora
de promessas!
A minha tia Gertrudes, sofreu um acidente grave e prometeu a
Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira de Serpa, que se recuperasse a saúde
e a genica, entre outras dádivas, alguém iria na procissão, por altura da Páscoa, vestida de Nossa Senhoradas
Dores.
Ora, como eu era o membro feminino mais novo de toda a família,
a escolha recaiu sobre mim. Creio que teria uns sete anos.
Lembro-me que, tal como hoje, não gostava de acatar ordens, preferia que me pedissem... Por
isso tudo me foi pedido com muito jeitinho.
A minha tia, mulher enérgica e toda
despachada, que adorava dar ordens, andou uns tempos comigo nas palmas das
mãos. Até prometeu. e cumpriu, comprar-me uns sapatos novos para calçar
nesse dia.
O pior é que os ditos eram tão rijos, que no final da procissão
eu tinha os pés cheios de bolhas. Mas valeu a pena!...
Fui, estoicamente, a pé, claro, da então Vila, até ao cerro onde se situa a Capela de S. Gens e onde estava/está, a imagem da Santa Padroeira. Nessa altura, ainda não existia lá, a Pousada com o mesmo nome.
A foto foi tirada antes da procissão, senão o meu ar não seria tão risonho,
no estúdio fotográfico do "vizinho" Francisco Favinha. O único
fotógrafo que havia na terra e com um talento especial para a arte...
Àquela hora, no quarto piso do Centro
Comercial, os corredores estavam desertos e quase todas as lojas tinham
colocado a tabuleta virada para o exterior, com a indicação: “Volto já”. Como é
sabido do lado oposto estava escrito “Aberto”. Nunca percebi porquê, já que
quando uma loja está aberta a porta também está, mas era e parece que continua a ser assim!...
A hora era aquela a que, habitualmente, os lojistas
iam almoçar. Naquele tempo ainda não havia um único piso destinado exclusivamente
à alimentação. Em quase todos os quatro pisos havia um pequeno restaurante e no
sétimo piso, a contar vindo do céu, já que era o último para quem estacionasse no
parque do Centro, havia um 'Pão Quente'.
O piso a seguir era o 4º em que me
encontrava, a pensar que não sentia apetite suficiente para ir almoçar um prato
do dia num qualquer restaurante, mas também não sentia vontade de comer a
habitual sande americana de que o Pão Quente do 7º era especialista.
De súbito, vi que na porta da pequena loja
de lãs e peças de malha que vendia e eram confeccionadas por mim, se perfilava uma
figura estranha. Um homem que apareceu vindo do nada, olhava-me em silêncio. Não
entrou, mas o seu corpo ocupava todo o espaço da porta aberta. O coração disparou-me
loucamente, parecendo querer saltar-me pela boca, pois o aspecto sujo e andrajoso do homem deixou-me meio morta de
medo. E se ele entrasse e tentasse fazer-me mal?
Não conseguia raciocinar nem
sequer articular a pergunta sacramental: ”Deseja alguma coisa”?... Nada! Da
garganta seca, não saía som algum. Por uma questão de segundos, que me pareceram
séculos, ficámos ambos a olhar-nos olhos nos olhos. Os meus deviam reflectir um
medo irracional, mas os dele… como me lembro bem… eram de uma tristeza infinita!
Sem pronunciar uma única palavra nem sair do mesmo sítio, ele estendeu o braço,
virou a mão para cima, e, na palma da mão, calejada e suja, estava uma pinha
pequenina. A pinha mais perfeita e redondinha que alguma vez tinha visto.
ESTA FOI A IMAGEM MAIS PARECIDA QUE ENCONTREI MAS, A MÃO NÃO ERA ASSIM E A PINHA ERA SÓ UMA, MUITO MAIS REDONDA E PERFEITA. COLOCADA NA PALMA DA MÃO
Saí
detrás do balcão agarrei a pinha e fiquei a olhar incrédula, ainda com as pernas
a tremer. Quando levantei os olhos, o homem tinha desaparecido. Com a rapidez
que me permitiam as pernas ainda trementes, vim ao meio do corredor, olhei para
todos os lados e não vi vivalma, nem sequer a empregada da loja de artigos de
desporto que ficava em frente e era a única pessoa que poderia também ter visto
o homem, se apercebeu de nada.
Não foi delírio nem alucinação, a pinha
pequenina foi vista pela minha amiga Fernanda que era, nessa altura, empregada
numa loja de antiguidades no mesmo piso,
mas ao fundo de outro corredor, pela minha filha quando no fim do dia veio ter
comigo vinda do Liceu Rodrigues de Freitas, para irmos juntas para casa, e por
mais pessoas. Guardei-a durante muitos anos entre os meus pequenos tesouros,
mas um dia não a encontrei e nunca mais a vi.
Perdi-a e não sei como.
O que ainda hoje me dói é não ter tido
tempo nem reacção, para lhe dizer um simples “Obrigada”, e ter sentido medo de
alguém, apenas porque tinha o aspecto sujo e desleixado de quem vivia,
provavelmente, sem abrigo.
Isto aconteceu comigo em meados dos anos
oitenta, no Centro Comercial Dallas, situado na Avenida da Boavista e na altura
do seu apogeu.
Quem me dera poder voltar atrás no tempo!
Quantas perguntas sem resposta, ficaram por fazer. Quando menos esperamos algo
nos traz o passado de volta, toma conta de nós, deixa-nos um sabor amargo de tanta
coisa que poderíamos ter feito e por cobardia não fizemos.
Porque hoje me deu para as amargas recordações, quero dar um ar alegre a este post. Há músicos de rua excepcionais! Este jovem é um deles, Apreciem!...