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quinta-feira, 17 de julho de 2025

AMORES DE LONGE, QUEM OS NÃO TEVE... ❓


É em memória de um grande amor, talvez por o ter sentido na idade das ilusões, e na ilusão ter ficado, que volto com este bonito Fado. 

*

Raquel Tavares, canta-o com a mesma alegria e encanto que eu sentia,  fazendo-me retroceder no tempo e no espaço.



Meu Amor de Longe

**

No Largo da Graça já nasceu o dia

Ouço um passarinho, vou roubar-lhe a melodia

Meu amor de longe ligou

Abençoada alegria


Junto ao miradouro, pombos e estrangeiros

Vão a cirandar como fazem o dia inteiro

Meu amor de longe já vem

Pôs carta no correio


Barcos e gaivotas do Tejo

Vejam o que eu vejo, é o sol que vai brilhar

Meu amor de longe está

Prestes a chegar


Talhado para mim

Mal o conheci, eu achei-o desse modo

Logo pude perceber o fado que ia ter

Por ver nele o fado todo

Chega de tragédias e desgraças

Tudo a tempo passa, não há nada a perder

Meu amor de longe voltou

Só para me ver


Fiz um rol de planos para recebê-lo

Fui pintar as unhas, pôr tranças no cabelo

Meu amor de longe há-de vir

Beijar-me no Castelo


Eu a procurá-lo, ele a vir afoito

Carro dos Prazeres, número 28

Meu amor de longe saltou

Iluminou a noite

Vamos celebrar ao Bairro Alto

Madrugada, baile no Cais do Sodré

Meu amor de longe sabe bem

Como é que é


Talhado para mim

Mal o conheci, eu achei-o desse modo

Logo pude perceber o fado que ia ter

Por ver nele o fado todo

Chega de tragédias e desgraças

Tudo a tempo passa, não há nada a perder

Meu amor de longe voltou

Só para me ver.

***

A fotografia foi captada no Bairro dos Olivais, no tempo em que vivi em Moscavide. Devo acrescentar, em nome da verdade, que aparento ter mais idade do que tinha. Verdade!  Entre os onze e os catorze dei um pulo, a partir dos catorze não cresci mais.

😊



domingo, 8 de setembro de 2024

QUANDO O ESPAÇO VAZIO DAS PEDRAS REMOVIDAS SE TORNA NUM BELO JARDIM.

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Retalhos de Vidas Vividas.


Minha Mãe levantou pedras
Daquele chão empedrado
Que num tempo longínquo
Havia sido uma cavalariça
Na casa emprestada a meu Tio
Pelo dono de uma Herdade
Onde havia sido trabalhador,
Durante quase toda a sua vida adulta.
 

Solteirão, que na juventude 

Tinha sido marinheiro,
Ali  acabaria os seus dias de velhice.
Minha Mãe, quis ir viver com o irmão. (2 anos mais novo, sentindo-se sua protectora - como sempre - desde que aos 11 e 13 anos, respectivamente, ficaram órfãos de mãe)
Fazer-lhe companhia - disse-nos - a mim e à minha irmã.

Sempre que os visitava ficava
boquiaberta com os bonitos canteiros
de lindas flores que iam embelezando 
aquele espaço, junto e à volta do alpendre
com telheiro onde, suponho, tenha sido o
lugar das manjedouras - sei lá- digo eu!
Agora, remodelado a seu gosto

Um dia, perguntei-lhe:

-"Mãe, aonde vai comprar toda esta variedade de flores tão bonitas"?
Fez sinal para que me aproximasse 
Dizendo-me baixinho ao ouvido
Para que o meu Tio a não  ouvisse:

"-Levanto-me cedo, mal amanhece e vou ao Jardim Público
O mesmo onde tu brincavas quando saías da escola.
Então, sob o olhar vigilante e cúmplice do Primo António,
que é agora o jardineiro, tiro uma 'pernadinha' aqui, outra ali, com raiz.- Ninguém nota nada, e vou embelezando este deserto..."

Já ambos partiram e, segundo sei, lá no Eden onde ambos residem agora, são abençoados pelo Criador.
O meu Tio pela honradez e lealdade de carácter.
Mestre João Moreno - como respeitosamente era tratado lá na terra, e já antes havia sido tratado seu Pai; meu Avô.


A minha saudosa Mãe, por ter apenas mudado de lugar uns raminhos de plantas.
Tornando mais agradável, perfumado e florido
o espaço inóspito, onde antes só havia pedras.
Não merecia o castigo de ficar a penar no Purgatório...
Isso, qualquer ateu deduz!



ADENDA:  Tudo o que escrevi acima poderia ter sido invenção minha, mas não foi. Jamais usaria o nome e imagens de familiares que me são queridos para contar estórias. Quem  conheceu estes meus familiares sabe que é verdade. Desde o apego de minha  Mãe pelo irmão, como os factos que contei. Os factos, as palavras poderiam não ter sido exactamente assim como as descrevi.
É evidente que não tenho fotografias que testemunhem o levantamento dos paralelos do quintal da pequena casa onde tudo aconteceu, mas tenho esta foto para testemunhar que, esteja minha Mãe onde estiver, para além de saber que tudo isto é verdade, descansará com infinita Paz, pois nem a morte a separou do seu mano mais novo. Os seus restos mortais repousam juntos na mesma campa.
Descansem em Paz queridos Mãe e Tio  João , e perdoem-me perturbar a vossa memória.  Esta será pois a última vez que de vós falarei publicamente. Infelizmente, existem pessoas que não merecem ouvir a verdade, de tão habituados estarem a contar mentiras. 

Cemitério de Serpa



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sábado, 2 de março de 2024

REEDIÇÃO E DESCOBERTA DO MISTÉRIO...DA JOVEM DESCONHECIDA! - COM DUPLA ADENDA -

 👙   👒 👗 

Entretanto, desvendado!


Sem nada mais a acrescentar nem a desvendar, é chegada a hora de colocar tudo em pratos limpos, como eu gosto.
Uma vez mais, o Prémio da persistência e dedicação, vai para a Rosa dos Ventos, logo seguida da Teresa Hoffbauer. 

Todos os demais comentadores e participantes, ficarão com o Prémio da Boa Vontade à Causa Enigmática e Desafiante. Penso estar a ser justa, uma vez que a maioria só a certou numa pergunta e outros nem isso. 

Fotografar fotografias, sem muita qualidade e antigas, nunca permitiria deixar bem nítidas as fisionomias. Mais a mais de quem nunca vimos mais gordos, pelo que posso considerar que o êxito deste Desafio foi amplamente conseguido.

Este foi um dia memorável de um belo passeio à praia da Nazaré! 
A menina Janita, como bem adivinhou a maioria, é efectivamente a jovem de saia rosa-claro e blusa escura,
 - acho que era azul escuro -
Aqui, no centro, entre a Luísa e a Aurora.

Os fatos de banho da época parecem-se com os vestidos que as jovens usam hoje na rua! 
😛

As duas Natércias, iam ambas de corsários. 😊
Os óculos escuros pertenciam a mim e a elas, à vez...
mas, iria jurar que a sua legítima dona é a Natércia desta foto, junto da rapaziada pois não cabia no barco!
😇😇


O meu sincero agradecimento a Todos os Participantes. 
***
ADENDA: 
EM VIRTUDE DE REPARO, ASSAZ JUSTO, DECIDI NÃO DEIXAR PARA AMANHÃ O QUE PODERIA FAZER AGORA, ASSIM:
Acertaram na pergunta mais importante:

Anónimo
28 fevereiro, 2024 16:08
A Janita é a moça de saia branca e blusa escura, mais á direita da foto...
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Manu
28 fevereiro, 2024 16:49
A minha visão não anda famosa, mas vou arriscar. Será a jovem do lado direito de saia branca e blusa escura?
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500 (José)
 28 fevereiro, 2024 17:25
Voto na da direita...
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Rogério V. Pereira 
28 fevereiro, 2024 18:22
Estás a tramar a nossa vida
A foto está muito tremida
Mas a tua imagem é... é...
A que está ao pé do José
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redonda (Gábi)
28 fevereiro, 2024 23:12

Ainda não vi comentários e este será um desafio em que podemos dizer logo que pensamos sem ser logo directamente, certo?
Espero que sim, porque antes de ler comentários, quero apostar naquela que está mais à direita!

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Pedro Coimbra
29 fevereiro, 2024 02:26
A jovem de saias do lado direito da foto.
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Sandra Martins.
A jovem Janita será (desta vez estou a seguir o palpite, que contrariei da primeira vez) a menina de saia e blusa preta.
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Participaram sem acertos:

Catarina / António / Maria João Brito de Sousa / Fatyly / Joaquim Rosário / Tintinaine / Toninho .

A Gábi, tanto falou, falou... que acertou!!   😁  🌼
( tirem-me deste post, please!)



_________ATÉ BREVE__________

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

HÁ BOAS RECORDAÇÕES QUE VÊM QUANDO MENOS ESPERAMOS.

 


Uma piada publicada num blog que sigo, levou-me a revisitar o álbum de fotografias de um tempo em que não existiam telemóveis. ( digo isto para nos situarmos no tempo 😉)
De volta, trouxe-me estes momentos longínquos e belos que jamais se repetirão.




Actualmente, este Portugalito - o de Coimbra - está mais airoso, mais fresco.  As minhas memórias ficaram com um sabor agri-doce, mas o mesmo sentimento de carinho e ternura por estes pequeninos de então.
Há momentos que vale a pena recordar...




domingo, 9 de abril de 2023

MENINA.

 




Menina vestida de branco
E de semblante preocupado
Será que tu já previas
Que o teu futuro seria
De solidão e agonia
Pelo teu destino traçado?


De Senhora das Dores vestida
Cumpriste uma promessa antiga
Feita em momento de grande dor
Pela Tia, mulher dura e corajosa

Quando soubeste o motivo
Disseste logo que irias
Naquela  Procissão penosa.

Penosa pelo lento caminhar
Feito sob um sol ardente
Desde a Vila até ao Cerro
Onde morava e ainda mora;

A Senhora de Guadalupe
Na modesta Capelinha
Onde vai rezar quem é crente.

De recordação trouxeste
Um retrato a preto e branco
E os pés cansados, doridos 
Rebentando em bolhas de água.

Sem um lamento da sua boca sair
Contente pela missão cumprida
A menina, voluntária quase à força
Voltou para casa...
... quase feliz e a sorrir.😊



 


segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

TAMBÉM EU TE QUERO..LISBOA !!

 

Imagem recolhida no site: dicasdeviagem.com

 

A minha velha casa,
por mais que eu sofra e ande,
é sempre um golpe de asa
varrendo um Campo Grande.

Aqui no meu País,
por mais que a minha ausência doa,
é que eu sei que a raiz
de mim também está em Lisboa.

A minha velha casa
resiste no meu corpo
e arde como brasa
num corpo nunca morto.

Amiga amante,
amor distante.
Lisboa é perto,
e não bastante.
Amor calado,
amor avante,
que faz do tempo
apenas um instante.
Amor dorido,
amor magoado
e que me dói no Fado.

Um braço é a tristeza,
o outro é a saudade,
e as minhas mãos abertas
são chão da liberdade.

A casa a que eu pertenço,
viagem para a minha infância,
é o espaço em que eu venço
e o tempo da distância.

E volto à velha casa,
porque a esperança resiste
a tudo quanto arrasa
um homem que for triste.

Lisboa não se cala,
e quando fala é minha chama,
meu Castelo e minha Alfama,
minha Pátria, minha cama.

Amiga amante,
amor distante.
Lisboa é perto,
e não bastante.
Amor calado,
amor avante,
que faz do tempo
apenas um instante.
Amor dorido,
amor magoado
e que me dói no fado.
Amor magoado,
amor sentido,
mas jamais cansado.
Amor vivido,
meu amor amado.

Ai, Lisboa, como eu te quero!
É por ti que eu desespero!



"A Minha Velha Casa"
[ Fado do Campo Grande ]
Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: António Victorino d’Almeida


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sábado, 6 de agosto de 2022

SONHOS DE VERÃO.

 


Secam-se lágrimas,
abrem-se largos sorrisos.
É Verão!
Desabrocham amores
há sonhos dourados.
É Verão!
Entre um Olá e um Adeus
vive-se e sonha-se para a eternidade.
É Verão!

Quem nunca teve um Verão
quente e sonhador na sua vida?

Ah, quem me dera  viver de novo os sonhos da juventude perdida!



 

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domingo, 31 de julho de 2022

MEMÓRIAS MUSICAIS. # lll

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Este vídeo é um doce em dose dupla.

O meu querido Georges Moustaki, e o fabuloso e inesquecível Charlot, numa parceria laboral com o rapazinho que partia os vidros, para que ele tivesse o seu ganha-pão garantido. Desfrutem e reflitam!

"Le Métèque"


Pena que as legendas tenham vindo atrapalhar mais do que ajudar, mas ao optar por esta versão tive de me sujeitar. Porém, decidi compensar com esta versão cantada por Moustaki, em português. Não me canso de o ouvir...no seu sotaque delicioso.



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sábado, 16 de julho de 2022

MEMÓRIAS MUSICAIS # II

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Gracias a la Vida 



Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y días
Grillos y canarios, martillos, turbinas
Ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con el las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.

                                                                        (...) 





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sexta-feira, 8 de julho de 2022

MEMÓRIAS MUSICAIS # I

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Quem NÃO identifica esta canção?


Fotografia minha.



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sábado, 7 de agosto de 2021

Um Soneto Por Semana #19

 

Serpa - numa das minhas visitas ao Lar de idosos onde se encontrava um meu Tio.
Ao fundo, a Igreja de S.Francisco.




Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza, e sem brandura,
Urdidos pela mão da desventura,
Pela baça tristeza envenenados.

Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura; 
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados.

Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz a tirania.

Desculpa tendes, se valeis tão pouco,
Que não pode cantar com melodia
Um peito, de gemer cansado e rouco . 



 Manuel Maria Barbosa du Bocage

1765-1805





sábado, 8 de maio de 2021

Já Fui Feliz Aqui. # LXII

 

Casa do Alentejo - Lisboa - Outubro de 2017
(Não tenho bem a certeza, mas devo ter sido eu a fotógrafa,
uma vez que não me vejo entre os convivas)

Há momentos que vivemos e não voltam.

Não voltam os bons nem os maus.

Ainda bem que assim é

por que momentos há que,

 se voltassem,

talvez já não trouxessem

o encanto, a alegria e o espanto

que senti e  se foi esvaindo com o tempo.

Para tudo há um tempo certo, penso.


Assim, guardo em mim, intocável,

 a alegria e a emoção

 daquele dia memorável...




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Nota: Ao fundo, vemos o saudoso Amigo Rui Espírito Santo, em amena cavaqueira, com a fugitiva  Graça Sampaio.

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