La Lluvia
( Soneto de Jorge Luis Borges )
Bruscamente la tarde se ha aclarado
Porque ya cae la lluvia minuciosa.
Cae o cayó. La lluvia es una cosa
Que sin duda sucede en el pasado.
Quien la oye caer ha recobrado
El tiempo en que la suerte venturosa
Le reveló una flor llamada rosa
Y el curioso color del colorado.
Esta lluvia que ciega los cristales
Alegrará en perdidos arrabales
Las negras uvas de una parra en cierto
Patio que
ya no existe. La mojada
Tarde me trae la voz, la voz deseada,
De mi padre que vuelve y no ha muerto.
A CHUVA
Bruscamente
a tarde clareou
Porque
já cai a chuva minuciosa.
Cai
ou caiu. A chuva é uma coisa
Que sem
dúvida sucede no que passou.
Quem a
ouve cair sente recuperada
A vida em que a sorte venturosa
Lhe revelou
uma flor chamada rosa
E a
deliciosa cor avermelhada.
Esta
chuva que cega os cristais
Alegrará
algures nos arrabaldes
As
negras uvas de uma videira; direi eu.
Pátio
que já não existe. A tarde
Molhada;
traz-me a voz, a voz desejada,
De
meu pai que está voltando e não morreu.
Nota: A tradução, para português, deste poema de Borges, foi uma ousadia da minha parte, pela qual assumo total responsabilidade relativamente aos desajustes que possam ser notados. Os meus escassos conhecimentos de castelhano, a mais, e melhor, não me permitiram...