Não são só os retratos que se fazem
de forma rústica, apressadamente.
É a vida que decorre sempre igual
se repete e se revolta, lentamente.
Não são só os retratos que se fazem
de forma rústica, apressadamente.
É a vida que decorre sempre igual
se repete e se revolta, lentamente.
Nas minhas deambulações pela blogosfera não raras vezes descubro histórias fabulosas e interessantíssimas. Desta vez, descobri este blog que conta a história verídica do nascimento de um poema. Poema esse que, apesar da sua autora referir ser o mais conhecido de Ary dos Santos, eu desconhecia. Decidi, assim, criar esta rubrica, para partilhar com os meus leitores o que de interessante vou descobrindo. Desejo que gostem.
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Soneto Presente
Não me digam mais nada senão morroAqui neste lugar dentro de mimA terra de onde venho é onde moroO lugar de que sou é estar aqui.Não me digam mais nada senão faloE eu não posso dizer, eu estou de pé.De pé como um poeta ou um cavaloDe pé como quem deve estar quem é.Aqui ninguém me diz quando me vendoA não ser os que eu amo os que eu entendoOs que podem ser tanto como eu.Aqui ninguém me põe a pata em cimaPorque é de baixo que me vem acimaA força do lugar que for o meu.
José Carlos Ary dos Santos
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Trago uma rosa vermelha
Aberta dentro do peito
E já não sei se é comigo
Se é contigo que me deito.
A minha rosa vermelha
Mais parece uma romã
Pois quando aberta de noite
Não se fecha de manhã.
Trago uma rosa vermelha
Na minha boca encarnada
Quem me dera ser abelha
De tua boca fechada.
Trago uma rosa vermelha
não preciso de mais nada.
As palavras são de Carlos Ary dos Santos
A roseira e a fotografia são minhas.
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MULHER
A mulher não é só casa
Mulher-loiça, mulher-cama
Ela é também mulher-asa,
Mulher-força, mulher-chama
E é preciso dizer
Dessa antiga condição
A mulher soube trazer
A cabeça e o coração
Trouxe a fábrica ao seu lar
E o ordenado à cozinha
E impôs a trabalhar
A razão que sempre tinha
Trabalho não só de parto
Mas também de construção
Para um filho crescer farto
Para um filho crescer são
A posse vai-se acabar
No tempo da liberdade
O que importa é saber estar
Juntos em pé de igualdade
Desde que as coisas se tornem
Naquilo que a gente quer
É igual dizer meu homem
Ou dizer minha mulher.