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sexta-feira, 26 de abril de 2024

____RETRATOS A LA MINUTA____

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Não são só os retratos que se fazem

de forma rústica, apressadamente.


É a vida que decorre sempre igual

se repete e se revolta, lentamente.





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terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

RELÓGIO PARADO NÃO MARCA AS HORAS.

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Foto minha.


O Relógio

Pára-me um tempo por dentro
Passa-me um tempo por fora.

O tempo que foi constante
No meu contratempo estar
Passa-me agora adiante
Como se fosse parar.
Por cada relógio certo
No tempo que sou agora
Há um tempo descoberto
No tempo que se demora.

Fica-me o tempo por dentro
Passa-me o tempo por fora.


Poema de José Carlos Ary dos Santos


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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

GOSTO DE PARTILHAR O QUE GOSTO. # 1

Nas minhas deambulações pela blogosfera não raras vezes descubro histórias fabulosas e interessantíssimas. Desta vez, descobri este blog que conta a história verídica do nascimento de um poema. Poema esse que, apesar da sua autora referir ser o mais conhecido de Ary dos Santos, eu desconhecia. Decidi, assim, criar esta rubrica, para partilhar com os meus leitores o que de interessante vou descobrindo. Desejo que gostem.

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Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.

 "A Bandeira Comunista" 
Poema de José Carlos Ary dos Santos

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Para que esta rubrica faça sentido e possa atingir o objectivo para que foi criada, por favor, não deixem de ir até AQUI  ler sobre o acontecimento que deu origem ao poema. Obrigada!


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sábado, 6 de novembro de 2021

Quem Diz "Presente" Nunca Está Ausente.

 


Soneto Presente

 

Não me digam mais nada senão morro
Aqui neste lugar dentro de mim
A terra de onde venho é onde moro
O lugar de que sou é estar aqui.

Não me digam mais nada senão falo
E eu não posso dizer, eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
De pé como quem deve estar quem é.

Aqui ninguém me diz quando me vendo
A não ser os que eu amo os que eu entendo
Os que podem ser tanto como eu.

Aqui ninguém me põe a pata em cima
Porque é de baixo que me vem acima
A força do lugar que for o meu.


José Carlos Ary dos Santos



 

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segunda-feira, 26 de abril de 2021

ROSA VERMELHA.

 



      Trago uma rosa vermelha

     Aberta dentro do peito

     E já não sei se é comigo

     Se é contigo que me deito.


     A minha rosa vermelha

     Mais parece uma romã

     Pois quando aberta de noite

     Não se fecha de manhã.


     Trago uma rosa vermelha

     Na minha boca encarnada

     Quem me dera ser abelha

     De tua boca fechada.


     Trago uma rosa vermelha

     não preciso de mais nada.


As palavras são de Carlos Ary dos Santos

A roseira e a fotografia são minhas.





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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Ary...Porque Sim.

 



MULHER


A mulher não é só casa

Mulher-loiça, mulher-cama

Ela é também mulher-asa,

Mulher-força, mulher-chama


E é preciso dizer

Dessa antiga condição

A mulher soube trazer

A cabeça e o coração


Trouxe a fábrica ao seu lar

E o ordenado à cozinha

 E impôs a trabalhar

A razão que sempre tinha


Trabalho não só de parto

Mas também de construção

Para um filho crescer farto

Para um filho crescer são


A posse vai-se acabar

No tempo da liberdade

O que importa é saber estar

Juntos em pé de igualdade


Desde que as coisas se tornem

Naquilo que a gente quer

É igual dizer meu homem

Ou dizer minha mulher.




"Por causa dos seus desentendimentos com o pai, José Carlos Ary dos Santos, mais por razões pessoais do que políticas, viu-se obrigado, ainda novo, a sair da casa de família. Mas sempre manifestou um terno afecto pela sua mãe, desaparecida quando o poeta tinha apenas treze anos. É significativo que, no último verso do seu último soneto, escrito na véspera da sua morte, tenha evocado, com filial saudade, a sua memória: “Tenho tantas saudades, minha mãe!”






terça-feira, 4 de agosto de 2020

Um Soneto Por Semana. # 1

Sem introdução, sem explicação, apenas porque sim, porque quero e gosto.
( está  feito.) 


José Carlos Ary dos Santos


"Auto-Retrato"

Poeta é certo mas de cetineta
fulgurante de mais para alguns olhos
bom artesão na arte da proveta
narciso de lombardas e repolhos.

Cozido à portuguesa mais as carnes
suculentas da auto-importância
com toicinho e talento ambas as partes
do meu caldo entornado na infância.

Nos olhos uma folha de hortelã
que é verde como a esperança que amanhã
amanheça de vez a desventura.

Poeta de combate disparate
palavrão de machão no escaparate
porém morrendo aos poucos de ternura. 



Não sei da autoria do desenho, 
mas foi AQUI que o "roubei".


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sábado, 17 de março de 2018

Porquê Esperar?



Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?





Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.




Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.



Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.




            “Soneto”
 de José Carlos Ary dos Santos







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