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quarta-feira, 9 de julho de 2025

VER - E OUVIR - PARA CRER.


 

Instrumentos musicais feitos a partir do que foi para o lixo, fez nascer uma Orquestra.

É assim no Paraguay!




A música, sim a música...

Piano banal do outro andar.

A música em todo o caso, a música..

Aquilo que vem buscar o choro imanente

De toda a criatura humana

Aquilo que vem torturar a calma

Com o desejo duma calma melhor...

A música... Um piano lá em cima

Com alguém que o toca mal.

Mas é música...

Ah quantas infâncias tive!

Quantas boas mágoas?,

A música...

Quantas mais boas mágoas!

Sempre a música...

O pobre piano tocado por quem não sabe tocar.

Mas apesar de tudo é música.


Ah, lá conseguiu uma música seguida —

Uma melodia racional —

Racional, meu Deus!

Como se alguma coisa fosse racional!

Que novas paisagens de um piano mal tocado?

A música!... A música...!



19-07-1934

Álvaro de Campos - Livro de Versos. 

[Fernando Pessoa]


♫♬♪  🎤  🎵  🎸 🎶  ♫♬♪ 


terça-feira, 8 de outubro de 2024

TERÇAS-FEIRAS MUSICAIS.

 


Haydée Milanês  e Omara Portuondo

( Yolanda )


[Haydée é a filha mais nova de Pablo e Yolanda, e Omara,
bem, Omara é uma Lenda viva da Música Cubana]



Esto no puede ser no mas que una cancion
Quisiera fuera una declaracion de amor
Romantica sin reparar en formas tales
Que ponga freno a lo que siento ahora a raudales

Te amo
Te amo
Eternamente te amo

Si me faltaras no voy a morirme
Si he de morir quiero que sea contigo
Mi soledad se siente acompañada
Por eso a veces se que necesito

Tu mano
Tu mano
Eternamente tu mano

Cuando te vi sabia que era cierto
Este temor de hallarme descubierto
Tu me desnudas con siete razones
Me abres el pecho siempre que me colmas

De amores
De amores
Eternamente de amores

Si alguna vez me siento derrotado
Renuncio a ver el sol cada mañana
Rezando el credo que me has enseñado
Miro tu cara y digo en la ventana

Yolanda
Yolanda
Eternamente Yolanda
Yolanda
Eternamente Yolanda
Eternamente Yolanda


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Nota da autora do espaço: 

A quem possa interessar a história de como nasceu esta linda canção:

Yolanda Benet, produtora de cinema e Televisão em Cuba, era a esposa de Pablo Milanês em 1970. Ela acabara de dar à luz Lynn, a primeira filha do casal. Mas o cantor e compositor não pode estar presente porque andava em tournée com espectaculos agendados, longe de Havana.

Foram apenas alguns dias longe da família. Mas a saudade da esposa e a vontade de estar ao lado dela naquele momento tão especial, inspiraram o poeta/compositor. E, quando finalmente voltou, tinha escrito uma das mais belas e românticas canções de todos os tempos. Obviamente, dedicada a sua mulher Yolanda.





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terça-feira, 26 de março de 2024

TERÇAS-FEIRAS MUSICAIS.

 Porque este poema é Música para os meus ouvidos...



Oswaldo Montenegro
"Metade"



Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço.

Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é plateia
a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade... também!





❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

SEIOS....

....Pequenos
    Médios
    Grandes...

São belos,
São atraentes,
Nas blusas decotadas
Em tecidos transparentes.


Flácidos ou empinados
Unidos ou separados,
Sejam sempre respeitados... 
Nunca ofendidos 
Nem menosprezados


Os seios de uma mulher
Ocultam por detrás um coração.

Quem quiser conquistar uma mulher
Não se deslumbre em seus seios
Pensando que ela não note...
Quando os olhos perdem a direcção
E se desviam para o decote...


(Excerto de um poema de Bruno Machado)




Apresentado o poema, à guisa de introdução e
advertência, mais por graça  do que por necessidade,
pois conheço os leitores que tenho, e confio que, se rirem,
será um riso saudável  sem o mínimo de malícia, :-) 
 apresento-vos um vídeo que recebi e gostaria de
partilhar convosco. 


Provavelmente, até já conhecem este talentoso cantor e
as suas musas inspiradoras.  Eu não conhecia.
Ei-lo.  Desfrutem.





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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

LUME D'ÁGUA.



“Cantar? E para quê? – me dizem todos:
Não é com cantos que se ganha a vida.
Por desgraça assim é; mas eu já agora,
Enquanto o barco da existência vogue
Ao lume d’água, irei cantando sempre.
Se com meus versos não alcanço glória,
Ao menos logro distrair o espírito
Das tristezas reais da vida amarga.”



Assim pensava e escreveu Guerra Junqueiro, como introdução
 ao seu poema "Baptismo de Amor", neste  " Vibrações Líricas." 

Concordo inteiramente: Quem não ganha a vida a cantar, 
canta  para as agruras da vida espantar. Ao menos isso...




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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Vamos Lá Soltá-lo...



Espreito por uma porta encostada
Sigo as pegadas de luz
Peço ao gato xiu para não me denunciar
Toca o relógio sem cuco
Dá horas à cusquice das vizinhas e eu
Confesso às paredes de quem gosto
Elas conhecem-te bem
Aconchego-me nesta cumplicidade
Deixo-me ir nos trilhos traçados
Pela saudade de te encontrar
Ainda onde te deixei
Trago-te o beijo prometido
Sei o teu cheiro mergulho no teu tocar
Abraças a guitarra e voas para além da lua
Amarro o beijo que se quer soltar
Espero que o sintas para me entregar
A cadeira, as costas, o cabelo e a cigarrilha
A dança do teu ombro

E nesse instante em que o silêncio
É o bater do coração
Fecha-se a porta
Pára o relógio as vizinhas recolhem
Tu olhas-me
Tu olhas-me….




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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

NÃO PODEM OS POBRES SER FELIZES...?

A imagem foi retirada do blog que se encontra na lateral direita.
 
Ela canta (...) Julgando-se feliz talvez", escreveu o poeta. E é isso, creio, que o perturba, é isso que o faz pensar. É o canto feliz e despreocupado da ceifeira, naturalmente pobre e cansada, que faz Fernando Pessoa interrogar-se. Ela canta como se tivesse mais razões para cantar do que a vida, diz ele. "Canta sem razão!".
Porque para o poeta a vida é feita, principalmente, de desilusão. Como pode por isso, alguém como a ceifeira, ignorante, pobre, trabalhadora do campo, viúva anónima, ser tão feliz?
Ideias preconcebidas, a que nem os poetas são imunes?
 
 
Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez,
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente está pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção!
 A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro!
Tornai minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me,

 passai!
 
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
 

Zeca Afonso, canta Fernando Pessoa.  ««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««« ««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««
 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Culpada Serei Eu...?

Aproveitando o dia em que se assinala os 170  anos  de ANTERO DE QUENTAL e sendo este meu simples e despretensioso cantinho / refúgio - arriscando uma percentagem diria que 90% - dedicado à divulgação de poesia como um bom amigo já fez referência, e se ele o disse eu reitero, aqui fica mais um soneto...


Imagens da Net.




Mea Culpa


Não duvido que o mundo no seu eixo
Gire suspenso e volva em harmonia;
Que o homem suba e vá da noite ao dia,
E o homem vá subindo insecto o seixo.

Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Nem chamo ao céu da vida noite fria;
Não chamo á existência hora sombria;
Acaso, à ordem; nem à lei desleixo.

A Natureza é minha Mãe ainda...
É minha Mãe... Ah, se eu à face linda
Não sei sorrir, se estou desesperado;

Se nada há que me aqueça esta frieza
Se estou cheio de fel e de tristeza...
É de crer que só eu seja o culpado!
                                                                                                                        
                                                                                  


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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Romance Existe na Graça de Dar de Graça?







As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo, porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.




Carlos Drummond de Andrade