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terça-feira, 26 de maio de 2015

Moralistas, Perdoai...Gente Obediente!!




Delírio

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frémitos  carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!


Na inconsciência bruta do meu desejo

Fremente, a minha boca obedecia,

E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.



Em suspiros de gozos infinitos

Disse-me ela, ainda quase em grito:

– Mais abaixo, meu bem! – num frenesim.



No seu ventre pousei a minha boca,

– Mais abaixo, meu bem! – Disse ela, louca,

Moralistas, perdoai! Obedeci…


Olavo Bilac 

( contista e poeta brasileiro, nascido no Rio de Janeiro no século XIX )