Delírio
Nua, mas para o
amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frémitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesim.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – Disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…
Olavo Bilac
( contista e poeta brasileiro, nascido no Rio de Janeiro no século XIX )
( contista e poeta brasileiro, nascido no Rio de Janeiro no século XIX )