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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

DAS OFERENDAS.




CONTO DE FADAS

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras de uma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é d'oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez 
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: “Era uma vez...”
*
Florbela Espanca, em "Charneca em Flor"

Pelo título do poema, pensamos que se nos vai deparar uma história de amor perfeita, mas o nome do poema engana. 
Florbela fala-nos sobre um amor fracassado, sobre abandono e saudade. Talvez um dos seus casamentos falhados (foram três!) tenha inspirado a autora nestes versos. Talvez...!

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Nota: A imagem das flores, exóticas, em cima,  também foi uma oferenda; de uma boa, longa e pura amizade!



sábado, 30 de janeiro de 2016

Ó Mulher! Como és Fraca e Como és Forte!



A Mulher

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!



Sonetos de Florbela Espanca



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F E L I Z   F I M - DE - S E M A N A 
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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Podem Tombar Casas e Castelos...

...RUÍREM OS MEUS SONHOS MAIS BELOS...
HEI-DE SONHAR SEMPRE MAIS ALTO...E REERGUÊ-LOS!!


Ruínas

Se é sempre Outono o rir das Primaveras, 
Castelos, um a um, deixa-os cair...
 
Que a vida é um constante derruir
 
De palácios do Reino das Quimeras!
 

E deixa sobre as ruínas crescer heras,
 
Deixa-as beijar as pedras e florir!
 
Que a vida é um contínuo destruir
 
De palácios do Reino das Quimeras!
 

Deixa tombar meus rútilos castelos!
 
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los
 
Mais alto do que as águias pelo ar!
 

Sonhos que tombam! Derrocada louca!
 
São como os beijos duma linda boca!
 
Sonhos!... Deixa-os tombar... Deixa-os tombar.
 


Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"
 





A primeira foto é minha, esta é da net. 

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sexta-feira, 6 de março de 2015

FALANDO DE TI.




Falo de ti às pedras das estradas, 
E ao sol que é louro como o teu olhar, 
Falo ao rio, que desdobra a faiscar, 
Vestidos de princesas e de fadas.
 
 
 




Falo às gaivotas de asas desdobradas, 
Lembrando lenços brancos a acenar, 
E aos mastros que apunhalam o luar 
Na solidão das noites consteladas.
 
 
 




Digo os anseios, os sonhos, os desejos 
Donde a tua alma, tonta de vitória, 
Levanta ao céu a torre dos meus beijos! 
 
 
 
E os meus gritos de amor, cruzando o espaço, 
Sobre os brocados fúlgidos da glória, 
São astros que me tombam do regaço! 


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas" 
 
 
Imagens da Net
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domingo, 20 de janeiro de 2013

A Poetisa dos Excessos.




“Para as traições, para as mentiras, para o que é vil e falso, temos nós remédio: o orgulho; mas para a dor que nos faz mal, para essa, nenhum remédio há."

 








 
 
Este vídeo é um documentário sobre o nascimento e vida de Florbela Espanca.
Peço-vos que não deixem de o ver. Eu, apesar de já ter lido bastante acerca da sua obra, fiquei a saber muitas coisas que desconhecia sobre esta mulher sofredora e incompreendida, que foi considerada como a poetisa dos excessos. 
 

 Vaidade

 
 Sonho que sou a Poetisa eleita,
 Aquela que diz tudo e tudo sabe,
 Que tem a inspiração pura e perfeita,
 Que reúne num verso a imensidade!
 

 Sonho que um verso meu tem claridade
 Para encher todo o mundo! E que deleita
 Mesmo aqueles que morrem de saudade!
  Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

 

 Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
 Aquela de saber vasto e profundo,
 Aos pés de quem a Terra anda curvada!

 

 E quando mais no céu eu vou sonhando,
 E quando mais no alto ando voando,
 Acordo do meu sonho... E não sou nada!