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quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

SORRISOS SÃOS EM MENTES LOUCAS.

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Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura.

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio.

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício.

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola.

Que afinal o que importa não é haver gente com fome porque assim como assim ainda há muita gente que come.

Que afinal o que importa é não ter medo 
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente: Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo.

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra.

[Poema "Pastelaria" de  Mário Cesariny]




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segunda-feira, 27 de junho de 2022

A ETERNA GRATIDÃO... DA REALIDADE.

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Mário Cesariny - O Poeta/Pintor, surrealista e sonhador.
Foto daqui



Tantos pintores


A realidade comovida agradece
mas fica no mesmo sítio
(daqui ninguém me tira)
chamado paisagem

Tantos escritores

A realidade comovida agradece
E continua a fazer o seu frio
Sobre bairros inteiros, na cidade, e algures

Tantos mortos no rio

A realidade comovida agradece
porque sabe que foi por ela o sacrifício
mas não agradece muito

Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gosta da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito
pode sufocar.

Só o velho moinho do acordeon da esquina
rodado a manivela de trabuqueta
sem mesura sem fim e sem verdade
dá voltas à solidão da realidade.


 Poema e Pintura de Mário Cesariny.




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