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domingo, 25 de julho de 2021

OLHARES QUE ÓSCULAM.

 


O
O C
O C U
O C U L
O C U L T
O C U L T E
O C U L T E I

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O  M
O  M E
O  M E U

O L H A R 

O L 
O L H
O L H A
O L H A N
O L H A N D
O L H A N D O

O B
O B S
O B S E 
O B S E R
O B S E R V 
O B S E R V A
O B S E R V A N
O B S E R V A N D
O B S E R V A N D O

O U T R O S 

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O L
O L H
O L H A
O L H A R 
O L H A R E
O L H A R E S 

 

 

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Ó S C U L A N D O - O S

N A

O B S C U R I D A D E

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segunda-feira, 12 de julho de 2021

"A Complicada Arte de Ver" *

 


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura.

 "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Acto banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto.

Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objecto a ser comido, transformou-se em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."


Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementares", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e disse-lhe: 

"Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: "Rosa de água com escamas de cristal". 

Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".


*  Crónica escrita por Rubem Alves  (Excerto)


Já em tempos publicada aqui.

(Na anterior publicação está presente a "Ode à Cebola" de Neruda. Hoje, lembrei-me de quão diferentes dos nossos -  olhares vulgares - podem ser, e são, os olhares dos Poetas.)


Preciso dizer a autoria das fotos? Minhas, claro!
😊


terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Já Fui Feliz Aqui. [ LII ]



Bacalhoa Buddha Eden  – Quinta dos Loridos – Bombarral

E, só por causa das coisas, vou publicar esta fotografia pela primeira vez.
Também, pela primeira vez, vou contar-vos um segredo e armar-me ao pingarelho. Afinal, também tenho esse direito.
Pois saibam, meus amigos e amigas, que eu fui a primeira pessoa a fazer uma selfie. Por esta altura, corria o ano de 2012,  como podem constatar AQUI, auto-fotografei-me.  As minhas mãozinhas reflectidas na lente dos óculos não me deixam mentir. Alguém por esse tempo ouvia falar, cá pelo nosso quinhão luso, nesta forma de fotografia? Eu não...nunca tal ouvira falar! 
Fiquei com receio de ser chamada de vaidosa e outros mimos mais e nunca a quis publicar. Como  actualmente, esses pruridos passam por mim e andam sem me fazer mossa, aqui fica o meu sorriso, sorrindo à toa, para ficar bem no retrato, numa tarde de muito vento, num local onde nunca mais coloquei os pés.
E pronto! Por hoje é tudo.




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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

ESPELHOS DA ALMA.





Se um dia olhar para o céu e não te ver,
é que sou a onda do mar e não consigo te esquecer.
 Sou feliz do teu lado sem do seu lado estar.

 
 

Pois tu és isolado no meu modo de pensar
quando estou triste e não encontro solução
lembro-me que tu existes e moras no meu coração!
 

Carlos Drummond de Andrade

Quem pensar que este autor apenas escreve poemas românticos, pueris e idílicos, está redondamente enganado. Drumond, gostava  muito de poesia erótica e escrevia-a como ninguém.
Vejam este soneto! Sinceramente, foi a primeira vez que o li e ainda não o consegui definir bem. Defeito meu, certamente!




Beija-me, minha alma, doce espelho e guia.


Beija-me, minha alma, doce espelho e guia,
beija-me, acaba, dá-me este contento,
e cada beijo teu engendre um cento,
sem que cesse jamais esta porfia.
 
Beija-me cem mil vezes cada dia,
pra que, chocando alento com alento,
saiam deste interior contentamento
doce suavidade e harmonia.
 
Ai, boca, venturoso o que te toca!
Ai, lábios, ditoso é o que vos beija!
Acaba, vida, dá-me este contento,
 
Dá-me já tal gosto com tua boca.
Beija-me, vida: tudo em mim lateja.
Aperta, morde, mas com tento.
 
Não clarifica o autor, o que beija a boca, mas devo dizer que retirei este Soneto de um site de sonetos de Drummond, com o título “Jardim de Poesias Eróticas”.
Como curiosidade, vejo haver aqui duas palavras homónimas. Contento e com tento, ou seja, agrado e cuidado.
 
 Pronúncia igual, porém grafia e sentido diferente…J
  E esta, hein?
 
Veja como se pintam lindas margaridas.
 
 
A Arte é a maior e melhor forma de expressar e sublimar um sonho. Qualquer tipo de Arte!
 
Que pena eu não ser uma artista...
 
 
 

sábado, 1 de setembro de 2012

JARDIM DA PAZ.


E foi este passeio, à quinta de Lorido no Bombarral,  que de resto gostei bastante, a única coisa que salvou a honra do convento destas férias. Para além da alegria de juntar filhos e netos e o sempre agradável reencontro com amigos, obviamente.  Aqui - neste encontro de Deusas - ainda eu me sentia mais ou menos bem. O pior foi quando os níveis de glucose começaram a subir vertiginosamente ( vá-se lá saber porquê ?! ) .  A verdade, é que acabei por regressar a casa dois dias mais cedo do que o previsto. Mas, como isso agora não interessa para nada, uma vez que falamos de momentos de lazer e não de doenças, longe vá o agoiro, passo a apresentar as restantes fotos tiradas aqui pela vossa amiga, ainda com o seu velhinho telélé.
 
 
Os Jardins  e lagos são lindíssimos, havendo uma certa harmonia na conjugação da Arte oriental com as Artes Plásticas modernas. Como a maioria de vós sabeis, a Quinta é propriedade de um tal senhor madeirense, de seu nome...desculpem, mas não vou dizer! O meu blog não irá servir para publicitar nomes de pessoas pelas quais não nutro a menor simpatia. Se bem que o homem nunca me tenha feito mal nenhum, como devem calcular.
 
 
  Paz, é a sensação que se tem ao percorrer estes jardins. Falo por mim, claro. Apesar do nome significar mais, que essa paz se refere ao retiro de Buda para meditar - eu acho que ele fez mal porque engordou demais, podia meditar a correr ou caminhar - e, essencialmente,  numa reconstrução das estátuas que foram destruidas no Afeganistão pelos militares talibãs.
Antes que me esqueça, devo elucidar-vos que o bilhete de ingresso, dá direito a uma garrafinha de vinho lá da quinta. Não me posso pronunciar quanto à qualidade do mesmo, porque nem o provei. E até me esqueci de perguntar à minha gente, se ele era de boa cepa ou não. Mas não se iludam quanto à magnanimidade. Alí nada é deixado ao acaso. Antes de sair e recolher a oferta, é obrigatória a saída por uma espécie de adega, com a devida e merecida prova de vinhos. Escusado será dizer que uma boa percentagem dos visitantes, sai de lá com duas caixas debaixo, uma  de cada braço. A da oferta, e outra daquele que provou. Até eu, que provei um dedal de um delicioso moscatel, não resisti à compra de uma garrafa, embora a tenha deixado na Charneca! 
Agora evito trazer tentações para casa...Ao que a minha vida chegou.
 
 
 
Para terminar, vou dizer só mais uma coisinha. Daqui para o futuro, vou considerar FÉRIAS todos os momentos que me forem prazeirosos, me tragam alegria e bem-estar. Independentemente do local onde estiver e da estação do ano.  Descobri, que as Férias ( o significado delas ) está dentro de nós, estejamos  onde estivermos, façamos o que fizermos. Tanto faz ser um local paradisíaco com todo o conforto,  como uma cabana no meio de uma Serra qualquer. O importante é sentirmos gosto e sentimento para apreciar o que e quem nos rodeia.
 
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