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segunda-feira, 20 de abril de 2020

Um Pouco de Tudo É Nada.


Serpa - Baixo Alentejo



Às vezes entre a tormenta,
Quando já humedeceu,
Raia uma nesga no céu,
Com que a alma se alimenta.

(…)

Fernando Pessoa  - in "Cancioneiro"
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E assim, eu estou... Entre a nesga do céu e a tormenta.


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domingo, 15 de abril de 2018

MÚSICA AO DOMINGO.

"OS SALTIMBANCOS"



História de uma Gata.

Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram

O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé...de gato
Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim



Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

***_***

O vídeo tem a mesma capa do LP.


Bicharia



Au, au, au. Inha in nhó
Miau, maiu, miau. Cocorocó
O animal é tão bacana
Mas também não é nenhum banana
Au, au, au. Inha in nhó
Miau, maiu, miau. Cocorocó
Quando a porca torce o rabo
Pode ser o diabo
E ora vejam só
Au, au, au. Cocorocó

Era uma vez
(e é ainda)
Certo país
(E é ainda)
Onde os animais
Eram tratados como bestas
(São ainda, são ainda)
Tinha um barão
(Tem ainda)
Espertalhâo
(Tem ainda)
Nunca trabalhava
E então achava a vida linda
(E acha ainda, e acha ainda)

Au, au, au. Inha in nhó
Miau, maiu, miau. Cocorocó
O animal é paciente
Mas também não é nenhum demente
Au, au, au. Inha in nhó
Miau, maiu, miau. Cocorocó
Quando o homem exagera
Bicho vira fera
E ora vejam só

Au, au, au, Cocorocó

Puxa, jumento
(Só puxava)
Choca galinha
(Só chocava)
Rápido, cachorro
Guarda a casa, corre e volta
(só corria, só voltava)
Mas chega um dia
(Chega um dia)
Que o bicho chia
(Bicho chia)
Bota pra quebrar
E eu quero ver quem paga o pato
Pois vai ser um saco de gatos


Nota: As duas primeiras imagens são fotografias de um duplo álbum em vinil, com as canções que fizeram parte do Musical "Os Saltimbancos", que tenho há décadas.

Alguém se lembra destas músicas?

Tantas foram as vezes que as ouvi, juntamente com os meus filhos, no velho gira-discos que ainda hoje permanece no mesmo lugar, que chegámos  a decorar as letras de quase todas as canções que dele fazem parte.
Volto, hoje, a trazer as músicas do Chico Buarque porque no Domingo passado me lembrei deste LP ao responder a um comentário.

Espero que as recordem e gostem de as recordar...quem delas se lembrar, claro!

:)


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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Confissão.



Vá lá saber-se porquê, ou melhor, sei...

...lembrei-me desta lembrança, singela e tão amorosa, que o meu filho fez e me enviou por e-mail neste dia da Mãe em 2012...Já nesse tempo sentia tanto a sua falta, mas agora...ainda a sinto mais...talvez porque o saiba mais longe.




Este poeminha de Mário Quintana, faz, neste momento, todo o sentido, para mim...por todos os motivos e mais alguns.


Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.

Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há-de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer...

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!






quinta-feira, 11 de maio de 2017

AFINAL, ESTE É UM BOM LIVRO... # 1



Oportunamente, trarei  outras passagens que levaram a arrepender-me de ter falado neste livro com algum desdém. Coisa feia essa de falar antes de termos certezas...
Andei a reler e gostei, não tem nada de banha-da-cobra nem falsos moralismos, não senhores!!
Eis duas citações, entre tantos exemplos, que todos deveríamos seguir:

“O indivíduo que não se interessa pelo seu semelhante é o que tem as maiores dificuldades na vida e causa os maiores males aos outros. É entre tais indivíduos que se verificam todos os fracassos humanos.”


"Se quisermos obter amigos, coloquemo-nos à disposição das outras pessoas, para fazer por elas coisas que requeiram tempo, desprendimento, energia e meditação".




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domingo, 24 de julho de 2016

COMIGO AO DOMINGO...[ III ]

Alô, Rio de Janeiro!!!


Rio, 26/01/93

(...)

Bem, por aqui a vida continua indo...
...Como você pode ver, o Rio de Janeiro continua lindo!

(...)




Ao Domingo, por aqui, também podem acontecer coisas diferentes, quiçá, algo estranhas, quando a dona deste blog se lembra de ir vasculhar o baú. 
O Rio de Janeiro e a Baía da Guanabara, hoje, não terão 
apenas cheiro e sabor a Samba e Fado, por ser luso-brasileiro.
Neste Domingo, perfumei o meu blog com o cheirinho
do meu manjerico, já a florir, quase por inteiro.

MEUS AMIGOS, BOM DOMINGO!!




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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

" O REBATE".

Quando procedia à fastidiosa tarefa de guardar, no sótão, alguns dos enfeites natalícios que ficarão a aguardar nova aparição, sei lá até quando ( vá que para o ano não me apeteça engalanar a sala?) eis que me deparo com uma caixa onde há anos repousam livros, por falta de espaço nas estantes.
Houve um que me chamou a atenção: este! "O Rebate". Trouxe-o para o andar de baixo, limpei-lhe o pó e coloquei-o onde havia luz suficiente, para ficar bem na fotografia! Não me recordo de o ter comprado nem recebido de oferta, não me lembro sequer de o ter lido.
O autor é J. Rentes de Carvalho. O seu nome encontra-se escrito naquele espaço branco quase oval da capa, mas está tão esbatido que ficou ilegível. Ou melhor, não se vê!
Intrigada, pesquisei na Net, ficando agradavelmente surpreendida por constatar que o autor, actualmente, com 89 anos, se encontra bem e...descoberta maravilhosa...
É o Patrão da Barca deste Blogue!




Aqui - foto da Net - Rentes de Carvalho, autografa um dos seus romances na Feira do Livro de Lisboa em 2012.





Voltando ao meu livro...Este é Rentes de Carvalho ao tempo da edição d'O Rebate, em 1971, segundo nota da editora:
    


"Numa aldeia de Trás-os-Montes a chegada de um dos seus filhos emigrados para França, que vem endinheirado e casado com uma francesa, provoca um verdadeiro cataclismo.

Em França o Valadares, trabalhando na terra como um mouro, é premiado com a fortuna do patrão desde que case com a filha – moça doidivanas e descontrolada.
Valadares e a mulher vêm a Portugal quando das tradicionais festas da aldeia.
A partir deste momento a perturbação causada pelo comportamento de ambos – ele, através do dinheiro, buscando uma ingénua e  primitiva glória no seu burgo; ela, usando a sedução e provocação erótica na fauna masculina aldeã – desencadeia um ror de acontecimentos desgraçados que o rebate final expressa eloquentemente.

Em nota positiva, extra-romance, numa toada lírica e evocadora, o autor perpassa o seu olhar pela paisagem triste e abrupta da aldeia, quase perdida no tempo."


Em cima, a sinopse na contracapa, que transcrevi para que fiquem a conhecer um pouco a história do livro que ficará em primeiro lugar, na lista de espera das minhas leituras imediatas!

Há descobertas maravilhosas, não há??


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domingo, 4 de outubro de 2015

"Há Sempre Um Amanhã"



Não! Não se trata de uma análise no e ao day after da realidade do nosso País! Quem sou eu para ter essa pretensão!!

A verdade é que tenho andado, nestes últimos dias, a precisar de um reforço de energia anímica; de vislumbrar um raio de sol na minha vida…

Depois de ter exercido o meu dever de cidadania, ficou na minha frente o vazio de uma tarde de domingo, chuvosa e triste, que me pesou na alma como chumbo.
 Escolhi este livro, da minha autora de eleição, por ter sido a primeira que li “a sério”, cujo título e conteúdo, me transmite sempre uma sensação - ainda que cada vez mais desvanecida -  de esperança no porvir.
O motivo principal é que toda a vida da personagem, Joan, é um cântico admirável de esperança no futuro, ainda por viver e descobrir!...Até mesmo no final do livro, nos fica a expectativa. Daí, o título!

“Era um domingo de manhã do ano de 1920, em Middlehope, Pensilvânia Oriental, Estados Unidos da América.  Joan Richards, tranquilamente adormecida na sua cama, abriu os olhos, devagar, e viu o sol de Junho entrar-lhe a jorros pela janela. A luz iluminava todos os tons de azul do seu quarto azul e marfim e acariciava as centáureas delicadamente desbotadas do papel da parede.
Uma brisazinha estival agitava as cortinas franzidas, cor de creme. O sol e o vento enchiam-lhe o quarto de vida.
Uma onda de saudável alegria percorreu Joan, impetuosamente. Estava, enfim, em casa e para ficar!”…

Se esta pequena “prova”, inicial, vos suscitou o apetite, procurem o livro e consumam-no até ao fim. Vão ver que vai valer a pena.
Para mim, funciona como uma ‘injecção’ de esperança e optimismo, quando me sinto mais desanimada e sem fé neste futuro incerto, decrépito e preocupante. 
Por esse motivo, com frequência o retiro da estante e releio algumas passagens, que já quase sei de cor.
Tenho-o comigo há tanto tempo!...









sexta-feira, 7 de agosto de 2015

BESAME MUCHO...

Peço-vos que vejam este excelente vídeo, instrumental, até ao fim. Para além de magistralmente interpretado tem cenas verdadeiramente hilariantes pela mestria com que o pianista executa o seu trabalho e encena uma série de simulações espectaculares. 


                      
E, a seguir...

...Reservei-vos esta surpresa para o fim de semana. Fui repescar este post ao meu BAÚ DE MEMÓRIAS. Espero que gostem...não esqueçam de abrir o link! 

              DESFRUTEM!

            
Desejo-vos um excelente Fim-de-Semana.




quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Chorei de Emoção...Pelo Reconhecimento Mundial do 'Meu' Cante Alentejano!....

                                                                                           
Quando hoje, logo pela manhã, recebi um telefonema da minha filha a perguntar-me.
- Já ouviste, Mãe?
- Ouvi o quê?- Perguntei surpreendida, tanto mais que não é hábito telefonar-me tão cedo.
- A notícia sobre o Alentejo! -
- Ora...quero lá saber! 
 Retorqui - pensando em Évora. Mas não, felizmente!

A UNESCO elegeu O Cante Alentejano, como Património Imaterial da Humanidade.


A proposta da candidatura partiu da iniciativa do autarca da Câmara Municipal de Serpa, minha terra natal. Daí, a nossa alegria por vermos concretizada a expectativa, que dura há várias semanas!

Emocionei-me! Veio-me à memória a voz da minha saudosa Mãe e o Cante a duas vozes, que tanto ouvi na minha meninice!

E chorei, de emoção!
 
Que ainda haja em Portugal motivos de orgulho pelas nossas tradições.  Pelo trabalho  honesto, em que o Cante servia de companhia aos trabalhadores, às ceifeiras e alegrava a vida de quem vivia no Alentejo!!
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Reedição de parte dum texto que publiquei em 2010.



 
 



 

Aqui, fui uma espécie de pagadora de promessas!

A minha tia Gertrudes, sofreu um acidente grave e prometeu a Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira de Serpa, que se recuperasse a saúde e a genica, entre outras dádivas, alguém iria na procissão, por altura da Páscoa, vestida de Nossa Senhora das Dores.

Ora, como eu era o membro feminino mais novo de toda a família, a escolha recaiu sobre mim.
Creio que teria uns sete anos.

Lembro-me que, tal como hoje, não gostava de acatar ordens, preferia que me pedissem... Por isso tudo me foi pedido com muito jeitinho.
A minha tia, mulher enérgica e toda despachada, que adorava dar ordens, andou uns tempos comigo nas palmas das mãos.
Até prometeu. e cumpriu, comprar-me uns sapatos novos para calçar nesse dia.

O pior é que os ditos eram tão rijos, que no final da procissão eu tinha os pés cheios de bolhas.
Mas valeu a pena!...
Fui, estoicamente, a pé, claro, da então Vila, até ao cerro onde se situa a Capela de S. Gens e onde estava/está, a imagem da Santa Padroeira.  Nessa altura, ainda não existia lá, a Pousada com o mesmo nome.

A foto foi tirada antes da procissão, senão o meu ar não seria tão risonho, no estúdio fotográfico do "vizinho" Francisco Favinha. O único fotógrafo que havia na terra e com um talento especial para a arte...
 
( VIVA O ALENTEJO E O CANTE ALENTEJANO )
 



sexta-feira, 20 de junho de 2014

A pena que eu tive!...



Canção de Santa Maria


A primeira vez que olhei para ti

Santa Maria,

não foi para ti que olhei;

olhei para o que havia em ti,

Santa Maria.

 

Tinhas um menino sentado no colo.

Um menino nu,

Santa Maria!

Devia ter muito frio,

o tal menino nu,

Santa Maria!

 

Só depois reparei em ti,

Santa Maria.

E não tive pena de ti!

Seria por estares vestida

Santa Maria?

 

Mas do teu menino nu, Santa Maria,

­- o tal menino que tinhas no colo

e sorria,

a pena que eu tive, a pena que eu tive,

Santa Maria!
 
 
Eugénio de Andrade
in Diário do Alentejo

 
( Este poema foi transcrito de um antigo livro de Língua Portuguesa. Um dos muitos livros pedagógicos que guardo religiosamente, entre outras recordações! Ainda tentei encontrar o poema na Net, mas não o descobri. Porque será? Responda quem souber! Talvez a Internet não seja aquela incomensurável biblioteca que todos imaginamos.)

A imagem, essa, descobri-a algures por aí. Lamentavelmente, não anotei o site. É uma tela do pintor italiano Giampietrino (1495-1521)  e tem como título: "Maria Amamentando o Menino Jesus e João Baptista Em Adoração".

Se algum de vós souber mais detalhes acerca do pintor e da sua obra, fique à vontade para manifestar os seus conhecimentos!

 A todos desejo um óptimo fim-de-semana. 
 
 
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