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quinta-feira, 18 de março de 2021

Um Soneto Por Semana. # 14

 

Camilo Castelo Branco, Ana Plácido
e um filho de ambos.

"Os Amigos"


Amigos cento e dez, e talvez mais, 

Eu já contei. Vaidades que eu sentia! 

Supus que sobre a terra não havia 

Mais ditoso mortal entre os mortais. 



Amigos cento e dez, tão serviçais, 

Tão zelosos das leis da cortesia, 

Que eu, já farto de os ver, me escapulia 

Às suas curvaturas vertebrais.


Um dia adoeci profundamente. 

Ceguei. Dos cento e dez houve um somente 

Que não desfez os laços quase rotos.


 - Que vamos nós (diziam) lá fazer? 

     Se ele está cego, não nos pode ver… 

    Que cento e nove impávidos marotos!


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sábado, 24 de outubro de 2020

Tiranos E Revoluções.

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Revolução industrial,  satirizada pelo grande  Charlie Chaplin, 
 no filme "Tempos Modernos"
Fonte da imagem AQUI


REVOLUÇÃO


Pena que as revoluções

não as façam os tiranos

se fariam bem em ordem

durariam menos anos.


Liberdade sairia

como verba de orçamento

e se houvesse qualquer saldo

se inventava suplemento.


Pagamento em dia certo

daria para isto e aquilo

o que sobrasse guardado

de todo o assalto a silo


Mas o que falta aos tiranos

é só imaginação

e o jeito, na circunstância,

é mesmo a revolução.


Agostinho da Silva, 'in' Poemas.

       


Agostinho da Silva, foi um filósofo, poeta, ensaísta, professor, pedagogo e tradutor português.



Defendeu sempre a Liberdade, como a mais importante qualidade do ser humano. 

Nasceu no Porto a 13 de Fevereiro, 

 faleceu a 03 de Abril de 1994, em Lisboa.

[Quem não se lembra das suas imperdíveis "Conversas Vadias", transmitidas pela RTP, nos anos 90 ? ]


A foto do Professor Agostinho da Silva, retirei-a deste interessante site, aqui,  quem tiver um pouco de tempo, não perderá nada em aceder. Pelo contrário, só terá a ganhar, Ficará mais rico de conhecimentos ao saber mais factos acerca deste Homem extraordinário.

Espero que vos agrade.

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[ Li ontem, num blogue amigo, uma bela quadra por ele escrita e decidi voltar a homenagear esta figura ilustre da cultura portuguesa]

 


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segunda-feira, 2 de março de 2020

" BRIO NA VELHICE"




Nunca perdeu o brio. Arrastava-se com dificuldade para a fisioterapia, depois para o cabeleireiro e agora, já com autonomia, retomara as rotinas de bairro. Cabeleireiro às quintas — mãos e brushing. Sempre impecável.



“Há mais de 40 anos que não saía de casa sem batom. O batom rosa-escuro tornara-se parte do seu rosto, tão importante como o nariz adunco, os olhos pequenos e amendoados e as rugas cada vez mais fundas e cavadas na pele manchada por sardas largas e irregulares. Ir sem batom até ao pequeno café da esquina, onde bebia a bica sem princípio há mais de três décadas, era idêntico a ir sem o rosto, sem a imagem de si para si e para os outros.”

   Ler mais clicando   Aqui.






Descobri  Cláudia Lucas Chéu
 autora deste conto e de muitos outros,
ao navegar por
Blog  de  Joana Lopes, 
 que leio com muito agrado.



Façam como eu fiz, cliquem nos links e acreditem que não se arrependerão.





Nota: Não me revejo na senhora da história - para meu mal - pois sou adepta do estilo prático, mas adorei ler estas histórias tão reais e bem contadas, que mais parecem bocados de qualquer quotidiano.
 
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sábado, 23 de novembro de 2019

"Impressão Digital"






Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

* * *


António Gedeão
1906-1997

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E assim cada um de nós 
Vê o mundo à sua volta

Crente que aquilo que vê
 Vale conforme o que sente
 
[ pensamento cá da je ]


[ A foto do moinho, como já sabem alguns,chegou até mim vinda directamente da Holanda ]

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

IDADE DA INOCÊNCIA.


Na idade da inocência quem se questiona
Sobre qual é a finalidade da vida?
Felicidade é palavra de poema
Brincar é coisa que nunca está adormecida
Assim, se é feliz desconhecendo
O que é solidão, tristeza,
 nostalgia.
Lentamente, sem dor, se vai crescendo
e de repente quando menos é esperado
descubro que há um outro mundo
longe daquele pequeno mundo
em que eu vivia…





* * * * * * 


Pelas rugas da fronte que medita... 
Pelo olhar que interroga e não vê nada... 
Pela miséria e pela mão gelada 
Que apaga a estrela que nossa alma fita... 

Pelo estertor da chama que crepita 
No último arranco duma luz minguada... 
Pelo grito feroz da abandonada 
Que um momento de amante fez maldita... 

Por quanto há de fatal, que quanto há misto 
De sombra e de pavor sob uma lousa... 
Oh pomba meiga, pomba de esperança! 

Eu to juro, menina, tenho visto 
Cousas terríveis — mas jamais vi cousa 
Mais feroz do que um riso de criança!

Jura
Antero de Quental

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Juntar na mesma publicação, palavras minhas e deste grande escritor e poeta português, até pode parecer heresia, mas eu gosto de ousar! Espero benevolência da vossa parte. :)
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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

"Há Palavras Que nos Beijam"




Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill, in "No Reino da Dinamarca'"

Sabia que a frase :- "Há Mar e Mar, Há Ir e Voltar..."
É da autoria de Alexandre O'Neill, que trabalhou em publicidade e a criou para a campanha de prevenção contra os afogamentos nas praias portuguesas, nos anos oitenta? É verdade!... Também só o soube hoje!!  Estamos sempre a aprender!!!


                                                                              
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