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segunda-feira, 2 de março de 2020

" BRIO NA VELHICE"




Nunca perdeu o brio. Arrastava-se com dificuldade para a fisioterapia, depois para o cabeleireiro e agora, já com autonomia, retomara as rotinas de bairro. Cabeleireiro às quintas — mãos e brushing. Sempre impecável.



“Há mais de 40 anos que não saía de casa sem batom. O batom rosa-escuro tornara-se parte do seu rosto, tão importante como o nariz adunco, os olhos pequenos e amendoados e as rugas cada vez mais fundas e cavadas na pele manchada por sardas largas e irregulares. Ir sem batom até ao pequeno café da esquina, onde bebia a bica sem princípio há mais de três décadas, era idêntico a ir sem o rosto, sem a imagem de si para si e para os outros.”

   Ler mais clicando   Aqui.






Descobri  Cláudia Lucas Chéu
 autora deste conto e de muitos outros,
ao navegar por
Blog  de  Joana Lopes, 
 que leio com muito agrado.



Façam como eu fiz, cliquem nos links e acreditem que não se arrependerão.





Nota: Não me revejo na senhora da história - para meu mal - pois sou adepta do estilo prático, mas adorei ler estas histórias tão reais e bem contadas, que mais parecem bocados de qualquer quotidiano.
 
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sábado, 23 de novembro de 2019

"Impressão Digital"






Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

* * *


António Gedeão
1906-1997

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E assim cada um de nós 
Vê o mundo à sua volta

Crente que aquilo que vê
 Vale conforme o que sente
 
[ pensamento cá da je ]


[ A foto do moinho, como já sabem alguns,chegou até mim vinda directamente da Holanda ]

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

IDADE DA INOCÊNCIA.


Na idade da inocência quem se questiona
Sobre qual é a finalidade da vida?
Felicidade é palavra de poema
Brincar é coisa que nunca está adormecida
Assim, se é feliz desconhecendo
O que é solidão, tristeza,
 nostalgia.
Lentamente, sem dor, se vai crescendo
e de repente quando menos é esperado
descubro que há um outro mundo
longe daquele pequeno mundo
em que eu vivia…





* * * * * * 


Pelas rugas da fronte que medita... 
Pelo olhar que interroga e não vê nada... 
Pela miséria e pela mão gelada 
Que apaga a estrela que nossa alma fita... 

Pelo estertor da chama que crepita 
No último arranco duma luz minguada... 
Pelo grito feroz da abandonada 
Que um momento de amante fez maldita... 

Por quanto há de fatal, que quanto há misto 
De sombra e de pavor sob uma lousa... 
Oh pomba meiga, pomba de esperança! 

Eu to juro, menina, tenho visto 
Cousas terríveis — mas jamais vi cousa 
Mais feroz do que um riso de criança!

Jura
Antero de Quental

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Juntar na mesma publicação, palavras minhas e deste grande escritor e poeta português, até pode parecer heresia, mas eu gosto de ousar! Espero benevolência da vossa parte. :)
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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

"Há Palavras Que nos Beijam"




Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill, in "No Reino da Dinamarca'"

Sabia que a frase :- "Há Mar e Mar, Há Ir e Voltar..."
É da autoria de Alexandre O'Neill, que trabalhou em publicidade e a criou para a campanha de prevenção contra os afogamentos nas praias portuguesas, nos anos oitenta? É verdade!... Também só o soube hoje!!  Estamos sempre a aprender!!!


                                                                              
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segunda-feira, 27 de março de 2017

O Sono, Lugar Onde a Paixão Amansa



Pierrot escondido por entre o amarelo dos girassóis espreita em cautela o sono dela dormindo na sombra da tangerineira. E ela não dorme, espreita também os olhos descidos, mentindo o sono, as vestes brancas do Pierrot gatinhando silêncios, por entre o amarelo dos girassóis.
E porque Ele se vem chegando perto, Ela mente ainda mais o sono a mal-ressonar.
Junto d'Ela, não teve mão em si e foi descer-lhe um beijo mudo na negra meia aberta arejando o pé pequenino. Depois os joelhos redondos e lisos, e já se debruçava por sobre os joelhos, a beijar-lhe o ventre descomposto, quando Ela acordou cansada de tanto sono fingir.
E Ele ameaça fugida, e Ela furta-lhe a fuga nos braços nus estendidos.
E Ela, magoada dos remorsos de Pierrot, acaricia-lhe a fronte num grande perdão.

E, feitas as pazes, ficou combinado que Ela dormisse outra vez.



A Sesta -  de José Almada Negreiros


Texto publicado em 1913 no primeiro número da revista Orpheu. Em 1939 surge o desenho a carvão, com o mesmo título )



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sábado, 1 de novembro de 2014

Flores, Pássaros e a Suave Primavera. Para ti Amigo!... Para Suavizar o Desalento de Novembro.



AS DUAS FLORES

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo, no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
 


Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!
Castro Alves
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Mia Couto...Pedaços do Seu Sentir.

 

Pergunta-me

 

Pergunta-me

se ainda és o meu fogo

se acendes ainda

o minuto de cinza

se despertas

a ave magoada

que se queda

na árvore do meu sangue

 

Pergunta-me

se o vento não traz nada

se o vento tudo arrasta

se na quietude do lago

repousaram a fúria

e o tropel de mil cavalos

 

Pergunta-me

se te voltei a encontrar

de todas as vezes que me detive

junto das pontes enevoadas

e se eras tu

quem eu via

na infinita dispersão do meu ser

se eras tu

que reunias pedaços do meu poema

reconstruindo

a folha rasgada

na minha mão descrente

 

Qualquer coisa

pergunta-me qualquer coisa

uma tolice

um mistério indecifrável

simplesmente

para que eu saiba

que queres ainda saber

para que mesmo sem te responder

saibas o que te quero dizer.

 

 
 

 
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