Mostrar mensagens com a etiqueta Eduardo Gageiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eduardo Gageiro. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de setembro de 2019

A ARTE DO OLHAR. # 3

É com prazer que trago hoje um dos mais prestigiados fotógrafos portugueses: Eduardo Gageiro.


Mestre Eduardo Gageiro.



Em 1957 começou a sua actividade de repórter fotográfico no Diário Ilustrado e, a partir daí, dedicou toda a sua vida ao fotojornalismo. 


Amália Rodrigues - Alfama - Lisboa 1971


Miguel Torga, fotografado no seu consultório em Coimbra.
( sem sapatos, como gostava de estar.)

Sophia de Mello Breyner - Lisboa, 1964


A sua mais recente exposição aconteceu em Fevereiro de 2019 em Torres Vedras, na Galeria Municipal, subordinada ao tema Carnaval de Torres Vedras por Eduardo Gageiro. A mostra apresenta o olhar do fotógrafo sobre a última edição do Carnaval, que decorreu sob o tema: "Mares e Oceanos".

No vídeo abaixo, poderão apreciar alguns detalhes do evento. 


                                           

         Como sempre, desejo que esta rubrica continue a despertar o vosso interesse. Obrigada! 

======================
-------------------------------------------------------
                                        

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Um Galo de Respeito!!



"Esta é a história verdadeira de Tenório, o galo.

Nascido duma ninhada que a senhora Maria Puga deitou amorosamente debaixo das asas chocas da Pedrês, em doze de Janeiro, pelas três da tarde, quando a velhota o viu sair da casca, disse logo:

- É frango.

E realmente. Aquela amostra de crista que trazia do ovo, poucas semanas depois, parecia já uma mitra. E ninguém mais duvidou de que era frango macho. Dos dois irmãos, muito tinhosos, sempre enjeridos, desses é que a incerteza se manteve por largo tempo.

- Que te parece, António?

- Eu sei-te lá, mulher!...

- O da dianteira está-se mesmo a ver. Aquelas três são pitas, com certeza. Agora estes enxalmos...

Frangos também, mas fracos. Mal viam gavião sobre o quintal, metiam nojo:

- Piu... Piu... Piu...

Lá parava a mãe de esgadanhar.

- Piu... Piu... Piu...

Até metidos nos sovacos da progenitora se borravam! Ele, porém, continuava ao ar livre, a desafiar o inimigo, que planava lá no alto.

- Há-de ficar para galo!

E a sujeita tinha palavra. Em Maio, por alturas da Ascensão, ao dar de caras com os irmãos degolados e depenados, ainda lhe tremeu a passarinha…

Olha que brincadeira!

Felizmente que a dona sabia distinguir o trigo do joio, e o deixava para semente... Um futuro bonito, afinal!

É certo que não estava nesse momento em condições de apreciar devidamente a grandeza da sorte que lhe coubera. Muito embora a simples certeza de viver lhe enchesse a alma duma confiança cega no porvir, só daí a algum tempo é que viu claramente o tamanho do seu destino.

Quando tal compreendeu, cuidou que estalava de orgulho.

Foi num certo amanhecer de Outubro... "


A história da vida de Tenório, ainda agora vai no adro, mas como ela é tão velhinha, como velhinho é o livro que vos mostro na foto, acho que todos a conhecem e sabem como acaba.
Lembrei-me de publicar este pequeno excerto, apenas para vos deixar com estas sábias palavras, que o autor deixou escritas no Prefácio do livro, para que todos nós, que o lemos há anos, passemos o testemunho aos nossos descendentes. 


Querido Leitor:
                                             (...)

Ninguém é feliz sozinho, nem mesmo na eternidade. De resto, um conto que te agradou, tem algumas probabilidades de agradar aos teus netos. E, se tal não acontecer, paciência: ficarei um pouco triste, mas sempre junto de ti...
                                            (...)
Teu            Miguel Torga


 

Esta foto está ligada a uma história muito interessante, que ouvi da boca do seu autor, numa entrevista que concedeu à RTP 2:
Eduardo Gageiro!
Um nome que não se pode dissociar da fotografia e do fotojornalismo português. A 'história' tem a ver com a pouca disponibilidade e paciência que o escritor tinha para com os jornalistas e fotógrafos.
Após muita insistência por parte do fotógrafo, Torga lá se dignou  recebê-lo no seu consultório em Coimbra, não sem antes lhe pedir determinada quantia em dinheiro. Eduardo Gageiro, prontificou-se a pagar, mas pediu recibo, que exibiu na dita entrevista!
Como "vingança", fotografou e publicou, Miguel Torga de corpo inteiro...sem sapatos...tal como o escritor o tinha recebido e gostava de andar por casa!

 
 
#############################################