Mostrar mensagens com a etiqueta POEMAS INTEMPORAIS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta POEMAS INTEMPORAIS. Mostrar todas as mensagens

domingo, 31 de maio de 2026

SEM PRESSA.

 

Eu e Pessoa a tagarelar no Largo do Rossio...


Não tenho pressa. Pressa de quê?

Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.

Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,

Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.


Não; não sei ter pressa.

Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -

Nem um centímetro mais longe.

Toco só onde toco, não aonde penso.


Só me posso sentar aonde estou.

E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,

Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,

E vivemos vadios da nossa realidade.

E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.


"Não Tenho Pressa" - Poema de Alberto Caeiro, 'in' Poemas Inconjuntos

Heterónimo de Fernando Pessoa.


-------


************


sexta-feira, 2 de outubro de 2020

A Demagogia Na Placidez da Noite.

 ===================================



"QUE ONDA DE VIOLÊNCIA É ESTA?"



Que onda de violência é esta

Que se passeia com ironia

Na minha gente, no meu povo

Que outrora tinha alegria.


Que onda de violência é esta

Que na placidez da noite

À luz da demagogia

Muda e indiferente,

Age com acordes 

De malvadez e cobardia.


E onde está a mão da Justiça

Que cozinhada em lume brando,

Dorme na sombra e com preguiça

Promove a violência,

Mas por engano!

E como errar é humano

Continuamos assim errados,

Quem sabe amanhã talvez

Os honestos sejam culpados!!!



----------------------------------------------------------------------------

Porque os anos passam,  e o mundo continua cada vez mais confuso e conturbado, achei pertinente dar-vos a  conhecer este poema da autoria da Poetisa e autora do blog Ave Sem Asas, Ana Martins, transcrito do seu primeiro livro com o mesmo título do blog.  Leiam, por favor, e vejam como o clamor por Justiça se mantem, uma década depois, mas...será que todos os julgados aceitam a sentença?  Esse é, e será, o eterno cerne da questão!


[ Os figos da figueira-da-Índia ou piteira, são dulcíssimos.

O pior são os picos que se têm de enfrentar, antes de os conseguir colher e saborear.

Assim, é a vida. ]

=====================================

===================