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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

ALENTEJO...AI ALENTEJO, SOLIDÃO...AI SOLIDÃO.

 🍁   🍁  🍁  🍁  🍁 




Papoila do meu quintal

trazei-me aqui

 por favor


a minha planície dourada.

Mitiga a minha saudade

desses teus campos

 em flor.


🍁  🍁 



Campos em flor que ficaram

perdidos nas minhas lembranças.

Alentejo...  Ai,  Alentejo


quando eu lá puder voltar

quem me dera  

 ir encontrar__

__ as flores que tanto almejo.


🍁   🍁  🍁  🍁  🍁 


terça-feira, 10 de dezembro de 2024

TERÇAS - FEIRAS MUSICAIS.

 



Omar Sharif 
(Caminito)



Caminito que el tiempo ha borrado
Que juntos un día nos viste pasar
He venido por última vez
He venido a contarte mi mal.

Caminito que entonces estabas
Bordeado de trébol y juncos en flor
Una sombra ya pronto serás
Una sombra lo mismo que yo.

Desde que se fue
Triste vivo yo
Caminito, amigo
Yo también me voy.

Desde que se fue
Nunca más volvió
Seguiré sus pasos
Caminito, adiós.

Caminito que todas las tardes
Feliz recorría cantando mi amor
No le digas si vuelve a pasar
Que mi llanto tu suelo regó.

Caminito cubierto de cardos
La mano del tiempo su huella borró
Yo a tu lado quisiera caer
Y que el tiempo nos mate a los dos.

Desde que se fue
Triste vivo yo
Caminito, amigo
Yo también me voy.


❤❤  ❤❤  ❤❤

Nota: O nosso eterno Doutor Jivago, cantou as duas primeiras estrofes e o estribilho, mas eu, que gosto de dar-lhes tudo a que têm direito, escrevi as duas seguintes, tal como as escreveu Carlos Gardel.  😊




domingo, 5 de maio de 2024

____HOJE, CELEBRAMOS O DIA DAS MÃES, COMO EU...

 ....mas um Filho que foi criança/poeta como o meu, só eu!


1984

Para Ti, Querida Mãe

Os anos passam por ti como a água de uma 
cascata por uma pedra, a água desgasta a pedra,
a pedra sofre. O seu sonho é que as águas da cascata
abrandem um pouco a sua força. Pois sim,
a água é cruel. Detrás dessa pedra existem duas pedrinhas,
a pedra sofre, tapa-as para que nem um 
pingo de água as afecte. Uma vez que a pedra se 
desgaste, as 2 pedrinhas têm de lutar contra
a força da água para sobreviver.

❤❤❤❤

Esta minha foto é de um tempo posterior ao descrito nos poemas do poeta/menino.

1985

Querida Mãe: Envio-te este poema:

Debaixo da mise com madeixas brancas
que lindos olhos tens!
Mas o rosto macerado, de andar na banca 
e na máquina,* de manhã até ao sol posto.
O jeito das mãos torcendo o robe entre
os dedos, é de mágoa, é de saudade.

Ai Mãe  
 levanta os olhos do chão 
 que eu quero ver 
o sol nascer!

* A máquina referida era a de tricotar. 

❤❤❤❤


❤❤❤❤

Mãe, tu dás-me amor

Mãe, tu és a minha protecção

Cada vez que te atinge a dor

Atinge também o meu coração

❤❤❤❤❤❤

Queridos Filhos.
 
 Quarenta anos se passaram sobre estas datas, estas demonstrações de amor e dedicação. A pedra foi ficando desgastada, sim, mas ainda tem força suficiente para vos apoiar quando dela precisam.
As pedrinhas, essas, souberam fazer-se à vida e à sua própria luta, quando se sentiram preparadas. Nunca a pedra mãe foi um obstáculo a que seguissem o seu caminho. O caminho por vós escolhido, meus filhos queridos.
Este ano, neste Dia especial, pedra, pedrinhas e outras pedrinhas, ramos da pedra Mãe, iremos festejar a Vida, todos juntos.  
Há lá Felicidade maior e melhor recompensa?

A  TODAS AS MÃES DO MUNDO
O MEU ABRAÇO 
SOLIDÁRIO

❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

SE É MONUMENTAL GOSTAR NÃO FAZ MAL...

 

Foto minha - Vila Nova de São Bento-
Baixo Alentejo

Jazz & Cante  —  porque não?
Se é tudo o que mais invejo
Enriqueço a solidão
Mato as saudades do Alentejo.

❤❤❤❤

Porque o que é belo pode ser roubado e compartilhado.
Porque não houve distorção à obra do Zeca e  ela se mantém intacta.
Porque apenas foi recriada uma versão instrumental digna de registo.
Fui ao BlogOperatório, gostei, peguei e andei...
Agora vos pergunto, queridos leitores:- Gostais disto? Eu adorei!



❤❤ ❤ ❤❤

domingo, 9 de abril de 2023

MENINA.

 




Menina vestida de branco
E de semblante preocupado
Será que tu já previas
Que o teu futuro seria
De solidão e agonia
Pelo teu destino traçado?


De Senhora das Dores vestida
Cumpriste uma promessa antiga
Feita em momento de grande dor
Pela Tia, mulher dura e corajosa

Quando soubeste o motivo
Disseste logo que irias
Naquela  Procissão penosa.

Penosa pelo lento caminhar
Feito sob um sol ardente
Desde a Vila até ao Cerro
Onde morava e ainda mora;

A Senhora de Guadalupe
Na modesta Capelinha
Onde vai rezar quem é crente.

De recordação trouxeste
Um retrato a preto e branco
E os pés cansados, doridos 
Rebentando em bolhas de água.

Sem um lamento da sua boca sair
Contente pela missão cumprida
A menina, voluntária quase à força
Voltou para casa...
... quase feliz e a sorrir.😊



 


segunda-feira, 6 de março de 2023

"POEMA DOS BRAÇOS NUS DAS MULHERES"

 

Foto que elaborei a partir de um Bilhete-Postal, para participar num passatempo
do blog "Crónicas do Rochedo", justamente com o título:
Bilhetes-Postais Ilustrados. Infelizmente, não é possível encaminhamento, pois
o dito blog já partiu, bem como o seu Autor.

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Como o dia estivesse muito quente
as mulheres saíram de casa e foram à sua vida
com blusas sem mangas.
A carne dos seus braços
erguidos ao alto para alcançarem as argolas do autocarro
eram veios de luz voluptuosa e cálida.
Apelo de escultor
que esculpe trauteando melodias.
Iam todas afogueadas de calor,
de calor feminino,
e por isso eram largas as cavas das suas blusas
e delas emergiam os braços levantados
para alcançarem no alto as argolas do autocarro.
Era com aqueles braços nus,
desprendidos das argolas do autocarro,
que aquelas mulheres na hora permitida,
cingiam e apertavam
os corpos horizontais dos seus companheiros.
Mas não era nisso que elas iam a pensar.
Elas iam a pensar no seu trabalho quotidiano,
no ir e vir,
no andar a correr,
no cozinhar,
nas compras,
no emprego,
no dinheiro que não chega,
e pensavam, com os olhos parados e distantes,
enquanto se agarravam às argolas do autocarro, noutra vida melhor,
sem ir e vir,
sem andar a correr,
sem horas para isto e para aquilo,
livres,
livres,
livres e independentes,
para então cingirem e apertarem nos seus braços nus
os corpos horizontais dos seus companheiros.


 António Gedeão, in "Novos Poemas Póstumos"





quinta-feira, 4 de agosto de 2022

PODERIAM SER HAIKUS...

 ...ou simples poesia ocidental, mas não é uma coisa nem outra. É um desabafo.

Neste local, e ao longo desta margem, viria a ser construído,
trinta e muitos anos mais tarde, o Parque das Nações.


Dorme coração
Repousa e acalma a dor
Chegaste perto do fim.
 
Longo o percurso
Estrada de escolhos
Voaste só e silenciosa.

Juventude distante
Momentos de sonhos fugazes
Vislumbres de ilusões vãs.

Fico como estou e sou
Sonhei quimeras, 
Fiz muitos amigos e a todos perdi...
 
...na voragem dos dias.


MEMÓRIA FOTOGRÁFICA - Anos 60 - 
O veículo era um MG vermelho, descapotável.
Pertencia ao jovem que viria a fazer parte da minha família:
Mais do que um cunhado, foi como um irmão.





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sábado, 18 de dezembro de 2021

SEMENTEIRAS.

 



Ando a tentar semear, não na terra nem no mar

Mas entre quem por mim vai passando

Um sentimento puro e belo,

que aquiete desesperanças.


Quisera puder cá deixar como uma herança d'Amor

o meu legado maior:

A essência dos meus sonhos,

sem um grão de angústia nem dor.


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B O A S   F E S T A S




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segunda-feira, 24 de maio de 2021

VINHO DO PORTO.

 

Caves de Vinho do Porto - Gaia -
Foto minha


Há lugares especiais que marcam as nossas vidas com gratas lembranças.

Deles guardamos o cheiro, palavras soltas, sorrisos e sabores.

De repente, anos depois, quando nos deparamos com a recordação visual desse lugar, apercebemo-nos, ao olhar para trás, que não foi o lugar em si que nos marcou e fez feliz, apesar dos cheiros e dos sabores agradáveis.

Foi a acompanhia. 

Foi a alegria verdadeira e única,

de termos connosco todos os que amamos ____

____  hoje separados e  tão distantes uns dos outros,

mas sempre próximos pelos laços do amor e do sangue.


Também nos acompanha hoje. a recordação da voz do nosso saudoso Carlos Paião.


 



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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

MEMÓRIAS DANÇANTES. # 2 - QUIÉN SERÁ?

 Sempre quero ver se, desta vez, alguém do pessoal mais saudoso e amante de música de baile, latino-americana, diz que não se lembra desta melodia...



Quién será la que me quiera a mí?

Quién será, quién será?

Quién será la que me dé su amor?

Quién será, quién será?


Yo no sé si la podré encontrar

Yo no sé, yo no sé

Yo no sé si volveré a querer

Yo no sé, yo no sé


He querido volver a vivir 

la pasión y el calor de otro amor

De otro amor que me hiciera sentir,

que me hiciera feliz  como ayer lo fui


Ay, quién será la que me quiera a mí

Quién será, quién será?

Quién será la que me dé su amor?

Quién será, quién será?


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Como todos disseram que sim, uns dançaram, outros com o pé já mais pesado, porém, gingaram e abanaram a cabeça, ao som da música, todos têm direito a um bónus especial: esta  moderna versão interpretada pelo magnífico Hauser e o seu violoncelo mágico. 

Desfrutem e relembrem. 






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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Memórias Dançantes. #1 - Si Vas A Calatayud.

 Quem se lembra?- Quem dançou esta deliciosa marchinha? Eu!... Mais  alguém por aqui «Preguntó Por La Dolores?»


                                                                                  


Por ser amiga de diversiones 

Por ser alegre en su juventud 

En coplas se vio la Dolores 

La flor de Calatayud 


Y una coplilla recorrió España 

Pregón de infamia de una mujer 

Y el buen nombre de aquella maña 

Yo tengo que defender 


Si vas a Calatayud 

Pregunta por la Dolores 

Que una copla la mató 

De vergüenza y sinsabores 

Di que te lo digo yo 

El hijo de la Dolores 


Dice la gente de mala lengua 

Que por su calle la ven pasar 

No saben su padre quien era 

Dolores la del cantar 


Yo la quería con amor bueno 

Mas la calumnia la difamó 

Y no supo limpiar el cieno 

Que la maldad le arrojó 

(...)


Nota: Nos meus tempos de menina e moça, em que esteve tão em voga ser madrinha de guerra (também eu fui) e a correspondência com jovens da vizinha Espanha, troquei várias missivas com um estudante da Faculdade de Medicina de Zaragoza, de seu nome Felix. Ainda hoje recordo os seus dois apelidos, que não revelarei por motivos óbvios. Havia termos que nós - eu e outras jovens minhas amigas - achavamos imensa piada como a que o Felix constantemente escrevia: Dizia ele que quando esperava uma carta minha, com ansiedade, e depois de a receber e ler, não entendia o que eu escrevia, lhe sabia a cuerno quemado. Escusado será dizer quem teve de passar a escrever de forma a que nos pudessemos entender...nuestros hermanos não falam português nem estão interessados em falar. Foi assim, na altura, e é assim agora.


Zaragoza - Basílica Del Pilar ao pôr-do-sol.
Fonte

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