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domingo, 5 de abril de 2020

Paparazzi.



Indiferente aos males que afectam a Humanidade, a Natureza prossegue o seu curso natural cumprindo a missão para a qual foi criada:  dar continuidade à sua  espécie.

E, no cumprimento do seu dever, lá estavam os dois insectos na vidraça da marquise. Na sua cópula, inocente, sem outra intenção que não fosse aquela para a qual  o Criador os destinou, lá estavam na sua vidinha  sem que se lhes fossem ouvidos gemidos nem gritinhos histéricos. Nada. Tudo no mais sigiloso silêncio.







Não sabiam eles que a sua intimidade estava a ser devassada pelo olhar desta pararazzi, invasora da privacidade alheia. Porém, com o sexto sentido que toda a vida animal possui, pressentindo que o êxtase poderia estar em risco e a sua missão interrompida, voaram acoplados para outro sítio. 

(Enquanto editava a foto para p&b para que a coisa ficasse um pouco menos libidinosa, quando voltei a olhar, tinham desaparecido.)

Insidiosa, como todos os paparazzi, esta que vos escreve, foi no seu encalço, e, nem mesmo assim, os pobres insectos se livraram de aparecer neste pasquim de quinta categoria…
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Para alegria dos vossos olhares e sentidos, deixo-vos com a Lady Gaga. 


                         

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sábado, 22 de fevereiro de 2020

DA(S) COTOVELADA(S)



By Dina Belenko


Não vi, não ouvi, não assisti. Mas sei, caro leitor, que isto aconteceu; é verdadeiro. Foi-me contado há muitos anos por pessoa idónea e de inteira confiança: minha Mãe!

Escondido que estava este incidente, na gaveta onde repousam as memórias bizarras, porém, de pouca monta, foi-me reavivado há pouco pela leitura d’algo que me fez sorrir, duplamente agradada.


Passando aos factos, resumo o que me foi contado: Uma jovem mulher que, por motivos que não vêm ao caso, casou, já entradota na idade, tida como apropriada, ao tempo, como a idade casadoira. Tão cedo quanto pode, levou o marido à sua terra Natal – por sinal, minha também.

Queria mostrar o marido a toda a gente, qual troféu merecido. Homem por sinal bem-apessoado, um beirão de Almeida, que conheceu não sei onde nem quando, provar a toda a gente que, a que já diziam solteirona, havia saído do rol das tias, e, concomitantemente, mostrar ao marido a terra onde nascera.  

Ora, tal acontecimento, não poderia acontecer, - com o devido pedido de desculpas pela redundância -, num dia qualquer de um qualquer mês do ano. Tinha de haver assistência. A Vila precisava estar a rebentar pelas costuras, de conhecidos, desconhecidos e familiares de visita à terra. Para isso, nada melhor do que a festa da Santa Padroeira que era celebrada, desde tempos imemoriais, por alturas da Páscoa.

No momento em que, na Praça da República, se ouvia o som dolente do Cante Alentejano e se um alfinete tivesse caído do céu, não chegaria a tocar o chão, a orgulhosa esposa que seguia uns passos na frente do marido, de braços abertos ia gesticulando e dando cotoveladas para a direita e para a esquerda, afastando entraves ao caminho daquele seu legítimo pedaço de mau caminho, quiçá o mel, quiçá o sal, quiçá a pimenta da sua vida, gritando a plenos pulmões:

 -  Deixem passar o meu marido!