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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SILÊNCIO E SOMBRAS.

  Foto  minha



“NUVENS”

No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de consequências?
Não, nada...
O dia triste, a pouca vontade para tudo...
Nada...
Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive),
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em todo o novo...
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente...
Não sentem: para que haveriam de sentir?
Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício
Sob o sol, vivo, contente de sentir-se...
Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda
Para o mesmo destino!
Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,
Vou com ele sem desconhecer...
No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
No dia triste todos os dias...
No dia tão triste...

 Álvaro de Campos in "Poemas"

( Heterónimo de Fernando Pessoa)

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

SEM JUGOS!...


LIBERDADE!...

Dispo-me de preconceitos
E o pudor não vou vestir,
Não cultivo vergonhas nem receios
Que afoguem o meu sentir.


Não quero mais calar a voz
Que divulga a dor ou agonia,
Ou simplesmente canta o amor
Em quadras soltas com alegria.


Quero continuar assim livre
Do preconceito ou mau sentimento,
E mesmo que às vezes num deslize


Alguma força em mim se perca
Procurarei a todo o momento
Viver a vida que me resta!
Soneto de Ana Martins
Transcrito do seu livro de Poesia
"AVE SEM ASAS"
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terça-feira, 4 de maio de 2010

MISTÉRIOS...


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VERDADE ESCONDIDA

A verdade é um labirinto!
Se eu digo a verdade inteira,
E digo tudo o que penso.
Se digo com todas as letras,
Com todos os pontos nos Is,
Seria um Deus-Nos-Acuda.
Entraria um vendaval
Pela minha janela dentro
Tal e qual um temporal.
Então, eu digo
A verdade possível,
E o resto... guardo comigo
A sete chaves escondido
No meu cofre de silêncios.


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