Muitas vezes, criticam-se, nos idosos, virtudes eternas, como sendo atributos da velhice, quando deveriam ser tidas e havidas como expressões nobres da vida.
A dignidade, a honestidade, o respeito pela palavra, princípios que os mais velhos defendem, com frequência, são valores morais e espirituais, básicos para a vida das sociedades.
Os jovens, porém, querendo viver livres de peias morais, pretendem que essas virtudes-base não passam de caturrices da «velhada».
Então, alguns homens de idade, desmiolados e falhos de senso, não querendo passar por velhos, procuram fazer as mesmas loucuras dos jovens e como os jovens viver.
Ora, no mundo, é necessário que cada um ocupe o lugar que lhe compete. As sociedades precisam de velhos que saibam ser velhos. São os velhos austeros, que formam como que a estrutura moral e cívica das Nações.
Um País sem velhos honrados, prudentes, sábios e viris é um País sem «norte» e em riscos de desagregação.
Por isso, um nosso poeta fazia, embora risonhamente, o louvor do Portugal velho, isto é: do Portugal em que os velhos sabiam ser coerentes, dignos, honrados e firmes como rochedos: Palavra de um português
Valia como escritura:
Da barba cabelos três
Hipoteca eram segura
Quando o grande Castro a fez!
Palavras hoje, aos milhões,
Não faltam…isso é verdade:
Mas vê-se tremer sezões,
Quem teve tanta bondade
Que emprestou os seus tostões!
No castelo de Faria
Sustentou leal soldado
Essa herdada valentia,
Com que um cidadão honrado
A vida à Pátria oferecia!
Soube n’África o Meneses,
Soube n’Índia o Mascarenhas,
Mostrar ao mundo, mil vezes,
Que eram mais firmes que penhas
Os peitos dos Portugueses.
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Texto e versos extraídos do livro:
"Psicologia da Maturidade e da Velhice"
Autor: Mário Gonçalves Viana
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