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domingo, 20 de abril de 2025

DOMINGO DE PÁSCOA.

 
Foto minha captada no interior da Igreja de São Salvador - Serpa -
durante a celebração da Missa Dominical.


Minha aldeia na Páscoa…
Infância, mês de Abril!
Manhã primaveril.
A velha igreja.
Entre as árvores alveja,
Alegre e rumorosa
De povo, luzes, flores…

E, na penumbra dos altares cor-de-rosa .
Rasgados pelo sol os negros véus.
Parece até sorrir a Virgem-Mãe das Dores.
Ressurreição de Deus! 

Imagem do filme "A Paixão de Cristo" que retrata a Morte e
Ressurreição de Jesus de Nazaré.


Em pleno azul, erguida
Entre a verde folhagem das uveiras.
Rebrilha a cruz de prata florescida…
Na igreja antiga a rir seu branco riso de cal.
Ébrias de cor, tremulam as bandeiras…

Vede! Jesus lá vai, ao sol de Portugal!
Ei-lo que entra contente nos casais;
E, com amor, visita as rústicas choupanas.
É Ele, esse que trouxe aos míseros mortais
As grandes alegrias sobre-humanas.

Lá vai, lá vai, por íngremes caminhos!
Linda manhã, canções de passarinhos!
A campainha toca: Aleluia! Aleluia! 
Velhos trabalhadores, por quem sofreu Jesus.
E mães, acalentando os filhos no regaço.

Esperam o Compasso…
E, ajoelhando com séria devoção.
Beijam os pés da Cruz.


[Páscoa na Aldeia, de Teixeira de Pascoaes]


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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

OS ANJOS TAMBÉM SONHAM.

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Foto minha - já anteriormente publicada



ÊXTASE

Estrelas, como vós, eu ardo e me consumo.
Sou labareda e fumo,
Em sonhos me disperso
E fujo com o vento.

Sou êxtase, luar, deslumbramento.
A sagrada manhã doirou meu berço
E a Primavera, a rir as suas cores
Cingiu-me num abraço iluminado a flores.

Beija-me etérea graça.
Canta, pousada em mim, a cotovia.
Eterna borboleta de alegria,
No encanto dos meus olhos, esvoaça.

E tudo me embriaga e me seduz!
Evolo-me num cântico de luz,
Numa oração a Deus
E ao claro sol que anima a Natureza
E descreve, num gesto de beleza,
A curva musical que abrange o azul dos céus.

Vivo naquela altura esplendorosa,
Lá, onde tudo é graça, enlevo, amor infindo,
Comoção matinal de lágrima caindo
Sobre um botão de rosa...

Quando um fulgor de aparição divina,
Que os negros cerros banha.
Dissipa as frias névoas e ilumina.
Com lírios de oiro, o busto da montanha.
Através do meu ser,
Passam anjos voando, astros a resplender

A lua, a noite escura,
Dilúvios de ternura.
Sombras de almas que surgem retratadas
Na inquieta palidez das madrugadas...
Perfumes, ansiedades,
Visões de amor, longínquas claridades...
E, por milagre, alcanço intimamente
Indefinidos mundos radiosos;
E todo eu vibro e canto heroicamente.
Sob influências astrais e beijos misteriosos…


[Teixeira de Pascoaes -Vida Etérea]

Esta não é  minha - foi captada por alguém da família
e também já apareceu por aqui.


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