quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Um Soneto Por Semana. # 10





 


Olha, Marília, as flautas dos pastores

Que bem que soam, como estão cadentes!

Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes

Os Zéfiros brincar por entre as flores?


Vê como ali beijando-se os Amores

Incitam nossos ósculos ardentes!

Ei-las de planta em planta as inocentes,

As vagas borboletas de mil cores.


Naquele arbusto o rouxinol suspira,

Ora nas folhas a abelhinha pára,

Ora nos ares sussurrando gira.


Que alegre campo! Que manhã tão clara!

Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,

Mais tristeza que a noite me causara.


Soneto de Manuel Maria Barbosa du Bocage

Fotografias minhas.




[Parece-me que por aqui  nada clareou.]

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A todos vós, companheiros de jornada blogueira, desejo que em 2021 todas as vossas manhãs, tardes e noites, sejam claras e ditosas.


E FAÇAM O FAVOR DE SER FELIZES!







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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

ENSAIO PARA A PASSAGEM DE ANO...


............A festejar e brindar em casa, como convém. 

Escolham o/a vosso/a  partenaire e demos então início ao ensaio:

 senhoras e senhores:

La Cumparsita.

                                                      



Si supieras,

Que aún dentro de mi alma,

Conservo aquel cariño

Que tuve por ti

Quién sabe si supieras

Que nunca te he olvidado,

Volviendo a tu pasado

Te acordarás de mí.


Los amigos ya no vienen

Ni siquiera a visitarme,

Nadie quiere consolarme

En mi aflicción

Desde el día que te fuiste

Siento angustias en mi pecho,

Decí, percanta,

Qué has hecho a mi pobre corazón?

(...)







Foto minha.



   💓     💗

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domingo, 27 de dezembro de 2020

DA NUDEZ DA ALMA.

 




Em cada recanto do sótão, da casa triste e vazia, 

de vozes e risos de crianças,

há mil segredos guardados.




Entre soluços e medos, desespero e maldições 

fiz de cada canto meu degredo.


É neles que escondo ilusões, 

deposito aspirações e me desnudo sem medo.


Quem um dia for seu dono vai descobrir quem eu fui. 

Da raiva fiz aventura, reneguei a  desventura 

e pus minh'alma a nú.






Não será fácil descobrir onde o coração acoitei, 

mas quem o quiser encontrar só terá de procurar...

....  é por aqui, junto com sonhos desfeitos,

que ele anda a vaguear. 


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * 

* * * * * * * 


sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

COISAS DO CORAÇÃO.

 



As coisas do coração revelam-se de muitas formas,

mas as que o pão nos revela,

serão obra divina, ou não.

Será acaso, talvez...

...Pão e Vinho...é com certeza.


O resultado? Rabanadas!





Provem, digam de vossa justiça.

O segredo da receita

fica com quem as fez.


💗     


F E L I Z   D I A  D E  N A T A L .




* * * * * * * * * * 

* * * * * * * 


terça-feira, 22 de dezembro de 2020

* * * ........... * * *

 "A Vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado."

[ Mia Couto ]





Que todos saibamos viver esta Quadra Natalícia com o mesmo encantamento da nossa infância. 

Que o medo não nos roube o Sonho, nem a imprudência nos
 tire  a paz e a tranquilidade.

 
Com o Meu Abraço.




Desejo a todos os Amigos e visitantes deste espaço:


B O A S    F E S T A S



Muito Obrigada, José. (500)




Muito Obrigada, Zé. (Kok) 

Muito Obrigada, Teresa. (ematejoca)

Estes Amigos estragam-me com mimo.
Nem sei que mais acrescentar. 
Bem-Hajam


* * * ....................* * * 



domingo, 20 de dezembro de 2020

LENDA DA VELA DE NATAL.

 Lenda antiga de origem austríaca

Autor desconhecido




Era uma vez, um sapateiro pobre que vivia  numa cabana perto de uma humilde aldeia. Como gostava de ajudar os viajantes que passavam junto à sua casa durante a noite, o sapateiro deixava uma vela acesa todas as noites na janela da casa, para lhes iluminar o caminho.

Certa altura, deu-se uma grande guerra que fez com que todos os jovens partissem, deixando a aldeia ainda mais pobre e triste. Ao verem a persistência daquele pobre sapateiro, que continuava a viver a sua vida cheio de esperança e bondade, as pessoas da aldeia decidiram imitá-lo. E, na noite de véspera de Natal, todos acenderam uma vela nas suas casas. Iluminando, assim, toda a aldeia.


À meia-noite, os sinos da igreja começaram a tocar, anunciando a boa notícia: a guerra tinha acabado e os jovens regressavam às suas casas! Todos gritaram:

 “É um milagre! É o milagre das velas!”. A partir daquele dia, acender uma vela na véspera de Natal tornou-se tradição em quase todas as casas.

*

E vós, estimados leitores, acendeis a vossa Vela,

 de modo a iluminar quem anda às escuras?



Fotos Minhas.


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

COMOVENTE FRATERNIDADE UNIVERSAL...

 





Dia de Natal


Hoje é dia de ser bom.

É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,

de falar e de ouvir com mavioso tom,

de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,

de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,

de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,

de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.


Comove tanta fraternidade universal.

É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,

como se de anjos fosse,

numa toada doce,

de violas e banjos,

entoa gravemente um hino ao Criador.

E mal se extinguem os clamores plangentes,

a voz do locutor

anuncia o melhor dos detergentes.


De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu

e as vozes crescem num fervor patético.

(Vossa excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?)

Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.

Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante,

Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas

e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.


Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,

com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,

cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,

as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.


Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,

ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.

E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,

como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.


A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.

Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.

E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento

e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.


Mas a maior felicidade é a da gente pequena.

Naquela véspera santa

a sua comoção é tanta, tanta, tanta,

que nem dorme serena.

Cada menino abre um olhinho

na noite incerta

para ver se a aurora já está desperta.

De manhãzinha

salta da cama,

corre à cozinha em pijama.


Ah!!!!!!!


Na branda macieza

da matutina luz

aguarda-o a surpresa

do Menino Jesus.


Jesus,

o doce Jesus,

o mesmo que nasceu na manjedoura,

veio pôr no sapatinho

do Pedrinho

uma metralhadora.


Que alegria

reinou naquela casa em todo o santo dia!

O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,

fuzilava tudo com devastadoras rajadas

e obrigava as criadas

a caírem no chão como se fossem mortas:

tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!

E fazia-as erguer para de novo matá-las.

E até mesmo a mamã e o sisudo papá

fingiam

que caíam

crivados de balas.


Dia de Confraternização Universal,

dia de Amor, de Paz, de Felicidade,

de Sonhos e Venturas.

É dia de Natal.

Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.

Glória a Deus nas Alturas.




António Gedeão

(1906-1997)

 in "Antologia Poética"


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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Dos Deuses Sem Nome Nem Memória.

 



Há uma aura quase mágica no rosto magro, cansado e triste do homem que me olha sem  me ver.

Repetidamente lhe pergunto o nome. 

_ Quem sou?  _ Que importa quem sou? _ respondeu com brandura.

Sou alguém que amou desmedidamente

e desse grande amor nem a memória me restou.


Não quis a minha atenção  nem o tempo sem tempo que lhe oferecia.

Recusou a mão que lhe estendi. 

Levou consigo a ferida aberta  e sangrando na sua imensa dor,

desapareceu,

dissolvendo-se por entre o denso nevoeiro do meu sonho... 





terça-feira, 15 de dezembro de 2020

O QUE DE BOM HÁ NA QUADRA NATALÍCIA...

 

.......................São as pequenas lembranças que se oferecem e se recebem, do e para o coração.

Quanto mais singelas, mais belas!..................................



Muito Obrigada, querida Martinha. 
Em cada ano que passa, reinventas um pequenino presépio, para brindares com o teu afecto, aqueles a quem queres bem. Uma vez mais, este ano, não te esqueceste da tia. Bem-Hajas.



Muito Obrigada, Caro Luís Rodrigues, companheiro de jornada blogueira. Pela primeira vez, - mas esperando que em muitos mais natais isso aconteça, - fui surpreendida com um bonito gesto de carinho por parte de alguém que ainda não chamarei Amigo pois apenas o conheço virtualmente e há poucos meses. Talvez, por isso, esta sua atitude tenha um valor altamente acrescentado. Bem-Haja.

Pois é!! O carimbo dos CTT funciona como o algodão.
Não engana! Os tarefeiros contratados, nesta altura do ano,
é que por vezes andam extraviados e extraviam o correio.
Adiante.




Por último, mas não menos importante, vens Tu, meu Amigo de há longo tempo. 

Ombro em que me apoio e me dá força nos momentos menos bons.

Ainda que seja uma mensagem simples, como tudo o que me ofereces, se TODOS que a lerem procederem de acordo com o conselho dado, o Natal será uma época de Paz, Partilha e Amor solidário. Bem-Hajas.



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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

MARASMO.

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Nos dias vazios e tristes

de ruas sem ver vi'valma

cansei este meu olhar

de olhar e ver tanta calma.


Olhar e ver tanta calma

em rua dantes tão cheia

    de minha gente e de amigos,

vizinhos, e até gente alheia.


Vizinhos e até gente alheia

que davam vida à cidade.

Hoje está vazia e triste

e a solidão  nos invade.


E a solidão  nos invade

na rua dantes tão cheia.

Quero ver minha cidade

voltar a ser como era


Pulsando cheia de gente,

 gente minha

e gente  alheia!  








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domingo, 13 de dezembro de 2020

HUMOR DOMINICAL.

 

Papagueando:


O homem chega a uma loja de animais com o objectivo de comprar um papagaio e pergunta:
- Desculpe, aqui vendem papagaios?

O dono da loja responde:
- Sim temos! Chegou na hora certa nós temos o ultimo papagaio!

- Onde está? – pergunta o homem interessado.

O dono, mostrando o papagaio, responde:
- É este aqui! Se você levantar a pata direita ele fala inglês, se levantar a esquerda ele fala francês…

Diz o homem:
- E se levantar as duas?

O próprio papagaio responde:
- Eu caio, seu totó!

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E, agora, vamos lá aprender como podemos desenhar um papagaio/passarinho,  rapidinho e bem conversadinho. Prestem atenção. 
Isto é importantíssimo!





Espero que aprendam a lição.

Eu, aprendi.


😳         🙋
😎

sábado, 12 de dezembro de 2020

Um Soneto Por Semana. # 9

 




Tu pedes-me a noção de ser concreta
Num sorriso num gesto no que abstrai
A minha exactidão em estar repleta
do que mais fica quando de mim vai.

Tu pedes-me uma parcela de certeza
Um desmentido do meu ser virtual
Livre no resultado de pureza
da soma do meu bem e do meu mal.

Deixa-me assim ficar. E tu comigo
sem tempo na viagem de entender
o que persigo quando te persigo.

Deixa-me assim ficar no que consente
a minha alma no gosto de reter-te
essencial. Onde quer que te invente.


Soneto de Natália Correia d'O Livro dos Amantes"
Tela de Alexander Sulimov.



Fotografia minha.

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

NEM TUDO SÃO ROSAS....MAS TODAS AS FLORES SÃO BELAS.

 





"Entre as prendas com que a natureza 
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza 
A beleza das flores realça em primeiro lugar .
(...)
Que uma rosa não é só uma flor 
Uma rosa é uma rosa é uma rosa 
É a mulher rescendendo de amor"

* * * 


Não desmerecendo o que pensou Vinícius
ainda mais eu diria: _
_ as flores serão, todas elas, 
as coisas mais belas, 
vindas em oferendas
de sã Amizade, de luz e de cor!

Não será também a Amizade uma forma de Amor?!

Bem-Hajas, Zé.










Ao fim de tantos anos a receber o teu carinho, envolvido em sardinheiras, cravos, antúrios e begónias, já estava mais do que na hora de lhes dar o devido destaque neste meu/nosso Cantinho de Amigos
Os Ciclamens foram os últimos. Juntamente com as flores que figuram no cabeçalho do blogue.

Que importa dizer quem és?
Eu sei e tu sabes, Zé.
És um bom Amigo
que me oferece flores
de sã Amizade.


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

FADISTICES.

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Atrás da Porta.


Quando, sem me olhar nos olhos

 disseste  não querer ficar

saíste, bateste com a porta _

                                       _ jurando não mais voltar.


Eu soube que era mentira, 

soube sem que mo dissesses,

tu voltas sempre mais tarde

e eu sempre fico esperando,

aqui, no mesmo lugar.


Mas um dia vai chegar _ 

                                _ tal e qual como no Fado.


A porta estará fechada, 

a fechadura mudada,

e eu estarei aqui feliz _ 

                                _ com outro amor a meu lado.


Fotos Minhas e as Palavras....também.
     😊   😘    



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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Amargos Desejos.

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Pão Nosso de Cada Dia.


Viviam juntas mãe e filha. Uma encantava pela modéstia; outra irritava pela toleima – apesar de ser bonita. Certa noite, a mãe, não podendo adormecer, preocupada a pensar no destino de sua filha, ajoelhou-se e pediu a Deus que modificasse o feitio de Sília, fazendo-a bondosa e discreta.

Na manhã seguinte, perguntou-lhe:

— Que sonho era aquele, filha, quando esta noite cantavas?

— Ai, sonhava, minha mãe, que um senhor descia de uma carruagem de cobre e me oferecia um anel com uma jóia tão preciosa e brilhante que não haverá no céu estrela de maior brilho.

— Foi um sonho de vaidade! — responde a mãe.

E nisto batem à porta. Sília corre e vai abrir: entra um rico lavrador. Oferece-lhe terras de lavoura, montados, hortas, pomares, uma infinita riqueza!

— Mesmo que viesses em carro de cobre e me desses uma jóia mais fulgurante e mais bela do que uma estrela do céu, não casaria contigo.

O lavrador, desiludido, foi-se embora, e, nessa noite, Sília voltou a sonhar.

— Com quem estás tu a sonhar? — perguntou a mãe, acordando-a.

— Ai, sonhava, minha mãe, que um senhor descia de uma carruagem de prata e punha nos meus cabelos valiosíssimo diadema de oiro!

— Que pecado, minha filha! Vai rezar para abrandar esse teu grande egoísmo!

Na tarde do dia seguinte, um moço esbelto, sadio, apareceu a oferecer-lhe a sua vida, a sua fortuna, o seu amor.

— Nem que viesses em carro de prata e pusesses nos meus cabelos formosíssimo diadema de oiro eu casaria contigo!

E o moço partiu tristemente.

— O teu orgulho há-de perder-te! — dizia a mãe para a filha.

Outra noite, Sília voltou aos seus sonhos de perdição e, ao ser interrogada pela mãe, contentíssima, exclamou:

— Ai, sonhava que um fidalgo descia de um carro de oiro e, pedindo-me em casamento, oferecia-me um vestido de rubis e diamantes.

— Não te emendas, minha filha, mas hás-de pagar bem caro essa fome de grandezas.

Momentos depois, três carros paravam à porta onde residiam ambas. Um de bronze, outro de platina e outro de cristal. O primeiro puxado a doze cavalos; o segundo, a vinte cavalos; e o terceiro, a quarenta! Dos carros de bronze e platina desceram pajens vestidos de seda verde e azul. Do carro de cristal saiu um lindo rapaz coberto de pedraria. Entrou em casa de Sília e, de joelhos e humilde, beijou-lhe as mãos num sorriso.

— Finalmente, sou feliz! O meu sonho transformou-se na mais bela realidade.

E, orgulhosa, foi vestir o vestido de noivado. Partiram para a Igreja. Os cavalos galopavam num frémito de alegria.

— Vou dar a minha mulher os meus presentes! — dizia ele ao regressar, e entrando na sala suave do seu palácio de turquesa:

— Tudo isto é para ti.

Sília sorriu e a sorrir foi-lhe dizendo:

— Sabes que já tenho fome?

— Ponham a mesa e sirvam-nos o banquete! — gritou ele aos seus vassalos.

Saladas de topázio, assados de ametistas e doce de pérolas; todos comiam e repetiam. Só ela não podia comer. A medo pediu um bocadinho de pão.

— É a única coisa que não te posso dar! — respondeu ele.

E desatou às gargalhadas, gargalhadas metálicas, cantantes, porque o seu coração também era de metal.

Ela chorou!

— Chorar para quê? Não desejavas tudo isto? Não tens agora o que sempre ambicionaste?

Rodeada de riquezas, saía do palácio, à noite, e andava de porta em porta disfarçada e muito triste, a pedir cheia de fome um bocadinho de pão.

 

D'Os Contos de António Botto


No café Martinho da Arcada:
Um desconhecido, Raul Leal (de barba),
António Botto (ao lado), Augusto Ferreira Gomes (de pé) e Fernando Pessoa.
Daqui


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Este conto, em que o seu autor talvez se tenha inspirado na Lenda do Rei Midas, terá, como todos os contos, um propósito moralizante. Cada leitor fará a sua leitura e, concluirá, de acordo com a moral que mais lhe disser ou aprouver.  




segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Já Fui Feliz Aqui. # LXI

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Günzburg - Alemanha


Vem e toma-me de assalto,

A saudade, essa invasora.

Não espera dia nem hora

Não quer saber do que sinto

Surge-me assim  de rompante

e sem pressa, se demora...


Baixa de Munique


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sábado, 5 de dezembro de 2020

Um Soneto Por Semana. # 8

 




Querer-te mal, porquê? – Foste quem eras:
Um corpo gentilíssimo, perfeito,
Que se moldava ao meu e a qualquer jeito
No pântano de todas as quimeras!

Que culpa tinhas tu se ainda esperas
O lugar prometido aqui no peito
E sais da minha vida e do meu leito
Com a simplicidade que trouxeras?

A culpa tenho-a eu que fui um triste
A desejar no alto do meu sonho
Beijar a perfeição que não existe.

Fui esta coisa inútil, complicada
- Não me encontrando aonde me suponho
E encontrando-me aonde não há nada.



Soneto de António Botto
 17 de Agosto de 1897 - 16 de Março de 1959

Tela - [sobejamente conhecida ]
de Renée Magritte
Pintor surrealista francês (1898-1967)

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Nota de rodapé: Dada a condição, orientação, opção - escolham o que melhor se enquadrar nas vossas crenças/opiniões - da sexualidade do autor do Soneto, e em virtude ainda, dos tempos que atravessamos, achei por bem a escolha desta tela, já que nada neste postal é de minha autoria...a não ser o pensamento!    😚


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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

A Arte Do Olhar. # 10

 Para dar continuidade a esta rubrica sobre Fotografia e Fotógrafos, que interrompi sem nem saber bem o porquê já que não foram valores mais altos que se a)levantaram, trago hoje este português que já arrecadou numerosos prémios e merece bem ser aqui falado e divulgada parte da sua obra. 




O português Edgar Martins, em  2018, foi reconhecido pela Organização Mundial de Fotografia, como o melhor fotógrafo de natureza morta do mundo e um dos dez melhores do planeta. 

Natural de Évora mas residente no Reino Unido, o artista ganhou o primeiro lugar com uma série de fotografias que batizou de “Silóquios e Solilóquios na Morte, Vida e Outros Interlúdios”. Mas Edgar Martins foi mais longe: fez a dobradinha e ainda conquistou o segundo lugar com outra série de fotografias. É o único fotógrafo a arrecadar dois prémios Sony nesta edição.





Actualmente, e num ano atípico para a maioria das pessoas, 2020 acabou por se revelar frutífero para o fotógrafo Edgar Martins.  O fotógrafo, acaba de integrar o grupo de dez vencedores do festival Hangar Art Center European Photography Call, de Bruxelas, com um projecto fotográfico sobre o impacto desta e de outras pandemias.





É também finalista de outros concursos internacionais, como o Photo España Best Photobook of the year, o Paris Photo & Aperture Foundation Book Awards, onde foi distinguido na categoria de melhor livro de fotografia, e no Meitar Award for Excellence in Photography, de Israel. 



Entretanto, e enquanto não são tornados públicos os resultados finais, ficam estes (poucos) trabalhos do português, já anteriormente premiado.

Na sua página no FaceBook, que poderão ver AQUI, encontrarão mais informação e demais trabalhos publicados pelo autor.


Espero e desejo, ter regressado em Grande Estilo e em boa hora!

Obrigada a TODOS!


:)


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