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quarta-feira, 6 de julho de 2022

O AMOR PELAS COISAS SIMPLES.

 

Foto minha.

 

Dialéctica. 

 De Vinicius de Moraes.


 É claro que a vida é boa

E a alegria, a única indizível emoção

É claro que te acho linda

Em ti bendigo o amor das coisas simples

É claro que te amo

E tenho tudo para ser feliz

 

Mas acontece que eu sou triste...

 


 Conhecido carinhosamente como "Poetinha", Vinicius de Moraes

 [1913 - 1980] foi um dos nomes mais marcantes  - e mais amados -

 da poesia e da música brasileira, como de resto não é novidade

 para ninguém! 






❄️ ❄️ ❄️ ❄️ ❄️ ❄️ ❄️ ❄️




quinta-feira, 10 de junho de 2021

PRIMAVERA - CAMPOS EM FLOR

 Ah! quem nos dera que isto, como outrora,

Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera

Que ainda juntos pudéssemos agora

Ver o desabrochar da Primavera!


Saíamos com os pássaros e a aurora.

E, no chão, sobre os troncos cheios de hera,

Sentavas-te sorrindo, de hora em hora:

“Beijemo-nos! amemo-nos! espera!”



E esse corpo de rosa rescendia,

E aos meus beijos de fogo palpitava,

Alquebrado de amor e de cansaço.


A alma da terra gorjeava e ria…

Nascia a Primavera… E eu te levava,

Primavera de carne, pelo braço!




As imagens de flores campestres representam a minha colheita de Primavera, agora quase estio, o belo Soneto espalhado entre elas, são fruto da Primavera do Poeta brasileiro: Olavo Bilac.

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sábado, 5 de junho de 2021

Não Te Deixarei Morrer...

Foi aqui, neste meu cantinho, que  ao longo dos anos fui depositando sonhos, ilusões, desabafos, tristezas, alegrias e, o mais importante: mantive viva a criança que havia, e ainda há, em mim. É essa criança que não quero deixar morrer. 

O primeiro selo que me foi oferecido, nos primórdios  do meu tempo na blogosfera.
Gentileza e carinho do meu amigo virtual, Pepe, cujo rasto perdi.


Quero continuar acreditando que este mundo virtual é o arco-íris da vida que todos sonham. A crença num mundo melhor. Isso, apesar dos pesares, só tu, Cantinho meu,  me podes dar. 

Por isso, não te deixarei morrer.

Quando sentir que a minha capacidade para te manter se esgotou, levar-te-ei comigo. Não te abandonarei à tua sorte. 

Não te deixarei de portas trancadas a ganhar caruncho, teias de aranha e cheiro a mofo. É o som dos passos de gente amiga, que te dá vida. O calor humano, verdadeiro, sentido.

Também não te abandonarei de portas escancaradas, indefeso e sozinho.  De ti, de mim, guardem os que por aqui passaram - e ainda passam -, tudo o que de bom  recolheram de mim enquanto por aqui andarmos: Tu e Eu.

Uma coisa é certa: esse dia ainda não chegou...


--* *--

Que se não pense serem  somente as silhuetas, altas e esguias,  ágeis e graciosas na execução dos difíceis e complicados passos de dança. 
Quem dispuser de alguns minutos, não deixe de apreciar este par.


* * * * 

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sábado, 13 de junho de 2020

Singularidades.





     Quis pintar a  flor  "Brinco  de Princesa",
    mas  notei  antes mesmo do  final
    que não soube realçar sua beleza
    por  mais que a desejasse  original.

    Faltou-lhe  todo o  porte  de nobreza

    que esbanja  no jardim do meu quintal,
    mas  vi que, quase sempre, a singeleza
    torna o belo mais belo ao natural ...

    A pintura deixou muito  a dever,

    mas proporcionou-me tanto  prazer
    que embora esteja  aquém do que eu queria

    tenho ainda a esperança de pintar

    um brinco de  Princesa  singular
    que consagre a Pintura na Poesia...






[ Poema de  Maria Nascimento Santos Carvalho - fotos minhas ]




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terça-feira, 31 de março de 2020

Não Há Amor Como O Primeiro.

Decidi voltar às coisas que mais gosto, às que sempre me encantaram e me fizeram mais feliz. Uma delas é a Poesia. Não porque a saiba escrever, mas porque foi ela que me despertou para a pureza de sentimentos, me alimentou a alma nos momentos em que a vida e  as gentes, me decepcionaram e entristeceram, me tiraram do sério, enfim...

Agustina Bessa-Luís - Sophia de Mello Breynner e Eugénio de Andrade.
Corria o ano de 1958 
*


Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.

São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.

Da má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.

[Poema de Agustina ]

*
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados, irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
  

[Poema de Sophia ]

*
 
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.



[Poema de Eugénio de Andrade]





Azáleas de um dos meus pequenos canteiros


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