Numa daquelas gavetas onde guardamos tudo quanto é papelada tipo apontamentos, pequenos livros, agendas antigas e eu sei lá que mais, fui encontrar uma pequena agenda que me foi oferecida há tanto tempo que já não lembro por quem. Com pequenos poemas de autores nacionais e estrangeiros, este, incluído no mês de Junho, chamou-me a atenção:
"Os livros têm os mesmos inimigos
que o homem: o fogo, a humidade,
os animais, o tempo;
e o seu próprio conteúdo."
(Grande verdade!)
Não conhecia o autor, gostei do interessante poema e fui tentar saber mais acerca deste Poeta, de seu nome Paul Valèry.Provavelmente, bastante conhecido de muita gente, mas eu nunca tinha dele ouvido falar.
Fiquei a saber que Paul Valéry, nasceu em Sète, França, em 1871.
Publicou o seu primeiro livro em 1907, aos 36 anos.
Apesar disso é autor de uma obra vasta e original que abrange temas bem diversos como arquitectura, música, literatura e dança.
Trabalhou em empresas públicas e académicas e foi professor do Collège de France. Morreu em 1945, em Paris.
Li vários dos seus poemas, todos dignos de registo,
mas, para hoje, seleccionei este, que espero vos agrade,
tanto quanto me agradou.
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Sob o sol no meu leito após a água -
Sob o sol e sob o reflexo enorme do sol sobre o mar,
Sob os reflexos e os reflexos dos reflexos
Do sol e dos sóis sobre o mar
Após o banho, o café, as ideias,
Nu sob o sol no meu leito todo iluminado
(Tradução: Augusto de Campos)