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quinta-feira, 24 de maio de 2018

VERSEJANDO COM O LEITOR...




Pelo céu vai uma nuvem,
Todos dizem: - bem na vi!
Todos falam e murmuram
Ninguém olha para si.

(Quadra  popular.)

Levar a água ao moinho
-  Mas ao seu moinho, só, -
Assim pensa muita gente
Sem consciência nem dó.

(Quadra de A. Correia de Oliveira.)
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Os aviões deixam rasto
Voando alto no céu
Eu fico olhando de baixo -
- Mas um dia…lá irei eu…

(Esta é minha...)




Querem colaborar neste post? Então, escrevam num comentário, uma quadra subordinada ao tema que a imagem vos sugere. Irei acrescentando-as à minha, pela ordem de chegada. :-)

Bora lá versejar, pessoal!
 Obrigada...:)

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A 1ª quadra que chegou foi da CHICA


Lá no meio daquele azul eu vi,
um rabisco branco que me fascinou...
Será uma resposta que pedi
ou só um recado que o Alto deixou?


***
Esta, é do "MEU VELHO BAÚ"

No céu lindo e azul
O que vi não sei bem
Mas mesmo não sendo azul
O que for que seja por bem.

***

P’ra versejar estou sem jeito 
Só a pensar nesta rima !
Sinto aquela dor no peito 
Só por olhar lá p’ra cima !


P’ra versejar estou sem jeito !
Mas se olho lá de cima ,
Sinto aquela dor no peito 
Só de pensar nesta rima !

***
A seguir, veio a Cidália

E vendo os Céus da Janita
Com o seu bonito jacto
Até me sinto pequenita
Ao contemplar, é um facto.

***
Seguiu-a o Gil António

Um dia minha namorada me disse
Para eu ter muito cuidado
Pois se o pai dela me visse
Dava-me nas costas com o cajado
.
Sim, fiquei olhando para ela
Até me pareceu ficar com dor
Mas que cena era aquela
Do seu pai ser pastor?

***
O KOK, não se fez esperar.

Pelo céu voam pássaros
de penas coloridas,
de piares melodiosos
chamando fêmeas atrevidas
que deles se aproveitam
para aumentar a prole
duma nova geração
de passarinhos cantores.

***
Esta, veio da  Mena Almeida

Lindo esse "teu" céu,
 lindas as nuvens que nele estão.
 Isso é o fumo de um avião a voar no céu?
 Pois, quem lá não irá nunca sou eu. 

***

Eis a Graça Sampaio , que me trouxe uma linda quadra.


Rasgando o azul do céu
Vai meu amor, que tristeza!
Foi ele quem mais perdeu,
Disso tenho eu a certeza!

***
A Maria João Brito de Sousa, também quis estar presente, para meu contentamento.


Rastos de condensação
Formam nuvens lá nos céus;
Da altitude e da ascensão
Ressentem-se os olhos meus.

***
A Luísa, dizendo não ser perita, escreveu esta quadra com muita perícia.

A horas tardias vejo
O céu azul da Janita
Versejar eu bem queria
Mas para tal não sou perita.

***

O Pedro Coimbra, com a simplicidade e a modéstia que lhe conhecemos, e tão bem o caracterizam,
 disse assim:

Se versejar soubesse
Participava com todo o prazer.
Mesmo que muito quisesse
Sei que o não sei fazer.

***

A Larissa Santos, brincando com as palavras, quis libertar a saudade.


Nas asas desse avião
Quero libertar a saudade
Que existe no meu coração
Se eu soubesse que ia ter
Os momentos em liberdade
Para a Janita eu conhecer.

***
A Noname, sempre magnânima, não faltou com a sua generosa participação.

Azul claro e sem nuvens
nesse grande céu sem fim
Também eu gostaria
De ter um espírito assim

Todos vivemos sob o mesmo céu
mas nem todos temos o mesmo horizonte
Então, não afirmes que as estrelas morreram
só porque o dia nasceu nublado.

***
Finalmente, para terminar em grande estilo, o Poeta Agostinho, d' O MUNDO É GRANDE 
escreveu esta quadra deliciosa.

De pés no chão olho pra cima 
o que me interessa não vejo
vale é estar certo na rima
teus lábios carmim num beijo

***

Agradeço, sensibilizada, a TODOS os Amigos/as que me deram o prazer da sua companhia, nesta publicação,  quer tenham versejado ou não. :)






sábado, 19 de maio de 2018

A IMPERFEIÇÃO FAZ O MUNDO ENGRAÇADO.


O ocaso visto do meu terraço.
( ainda não é o 'tal'...mas um dia chego lá! :) ) 


No Entardecer dos Dias de Verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...

Ah!, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...

Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição,
Havia uma cousa a menos
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos” - Poema XLI


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

UM AMOR A TODA A PROVA.

Imagem DAQUI


       Mais do que o seu valor biológico, os pássaros inspiram histórias exemplares pela diversidade do seu comportamento natural. Existem espécies cuja conduta pode ser lida, aos nossos olhos, como muito inspiradora. O caso do tucano é uma bela história de amor e dedicação que faz inveja aos mais fiéis amantes da casta humana. A fêmea esconde-se num recanto e nele faz, com a ajuda do macho, um ninho completamente fechado, construindo uma parede de lama sobre o vão de um tronco de árvore. Literalmente, a fêmea se empareda. Apenas um pequeno buraco a ligará, durante semanas, ao resto do mundo. Por esse orifício o seu companheiro lhe fará chegar alimento e consolo. Ali, naquele canto escuro, a fêmea se despojará de toda a plumagem e com essas penas arrancadas ao corpo fará um ninho onde chocará os ovos e assistirá ao nascer dos seus bebés. Se o macho morrer, nesse intervalo, ela morrerá também. Sem penas, e por isso desprovida de voo, a tucana estará condenada. Numa anónima cavidade de árvore se sepultará o seu estóico sacrifício.


Texto transcrito do livro de crónicas de Mia Couto: Pensageiro Frequente.


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