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sábado, 14 de novembro de 2020

"... de quem mói um sentimento."

         





                                                                      

O PORTO É SÓ...

O Porto é só uma certa maneira de me refugiar na tarde,

forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras,

sem outro fito que não seja o de opor ao corpo espesso destes muros a insurreição do olhar. 

O Porto é só esta atenção empenhada em escutar os passos dos velhos, 

que a certas horas atravessam a rua para passarem os dias no café em frente,

os olhos vazios, as lágrimas todas das crianças de S. Victor correndo nos sulcos da sua melancolia. 

O Porto é só a pequena praça onde há tantos anos aprendo metodicamente a ser árvore, 

procurando assim parecer-me cada vez mais com a terra obscura do meu próprio rosto. 

Desentendido da cidade, olho na palma da mão os resíduos da juventude, 

e dessa paixão sem regra deixarei que uma pétala poise aqui, por ser tão branca. 

[Eugénio de Andrade, 1979 ]


Aguarela da autoria do pintor Luís Rodrigues



Meu Porto Sentido...

Quisera ser realista, 

ver-te com olhos despidos de sonho.

Mas por mais que faça e que tente...

...és tu que vais povoando

o sonho que o meu olhar sente!


Foto minha - captada a partir do interior do Funicular dos Guindais - num dia 
pardacento.


                                                                           

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sábado, 9 de março de 2019

Sol É Vida É Cor, Calor...


...É Alegria. 
Sob o céu de um azul esplendoroso, a cidade resplandece em belas cores de Luz e Cor...Toda a gente saiu do ninho e veio para a rua respirar ar puro e perfumado. Eu, inclusive!!


A minha camisola também era amarelo torrado, serei eu quem aproveitou para fazer uma corridinha? Talvez...
...para a próxima vez.  :)










Afinal, não há tanta gente a apanhar sol, como me pareceu...
...onde é que essa gente se escondeu? Nos cafés e esplanadas, claro!
Depois queixam-se de depressões e afins...
Talvez fossem para a beira-mar...talvez, quem sabe, mas essas fotografias ficam para uma nova postagem.
Para agora deliciem-se com estas. 

Viva a Cidade do Porto, minha gente!


:)
  


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terça-feira, 23 de outubro de 2018

"HINO AO PORTO"


FOTO MINHA



Cidade em que as burguesas vão à missa
Vestidas de vermelho carmesim.
Em vão, a luz, sobre elas, se espreguiça...
(As mães, pelo caminho, ao vir da missa
Proíbem-lhes os bancos do jardim...)

Não há fidalgos hoje. Há comerciantes.
É deles todo o ar que se respira!
Noites sem flor, sem luz, sem estudantes
E sem guitarras e sem mentira!

Para sentir o mar, o rio eterno
Cava, connosco, a rocha que dormia
E deita-se connosco, na alegria
De imaginar o céu, calcando o inferno.



Palácio de Cristal,  Porto -  com vista sobre o Rio Douro


Na rua escura as lojas de oiro e pano
São pedras frias, frígidas mas quietas.
Ó frios mercadores de oiro e pano
Porto! Mercado frio e desumano...
E no entanto ali é que há Poetas!

Lutar! — é o verbo. — Não morrer — é a vida.
Mas em surgindo a morte, que na estrada
Os ombros verguem sob a urna pesada
E seja lenta a hora da partida!

Noites sem luz, sem mel, sem fantasia!
Noites sem estudantes e sem flor!
Porto! — Cidade pulmonar e fria
Que tens a força de negar ao dia
A medicina do amor!

Pedro Homem de Mello, Bodas Vermelhas






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Nota: Quero dedicar este postal ao autor do blogue Crónicas do Rochedo, que nasceu na cidade do Porto, no dia  24 de Outubro de 1949.  Um abraço, Carlos. Os amigos da blogosfera não o esquecem.
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sábado, 25 de novembro de 2017

O PORTO OLHADO COM CARINHO.

Ver o Porto, é olhar para cada parte da mui Nobre e Invicta Cidade, com os olhos do coração. 
É sentir a neblina das manhãs envolvendo o Douro e o cais e os barcos...É lembrar os meninos que brincaram e cresceram no rio...



É ter em cada esquina um Amigo.


Evocar cada Monumento com nostalgia, respeito e admiração.







É deixarmo-nos extasiar com o colorido das suas típicas e belas janelas.


É a sua estranha identidade que guarda segredos por desvendar.








A sua Arte de Rua, os seus Artistas, que embelezam e decoram as paredes das ruelas
como se fossem as mais belas telas. É reconhecer a diversidade dos seus bairros.






Os seus relógios, as suas Torres a riqueza de uma arte arquitectónica incomparável e única.
Ver o Porto é sentir o cair suave dos crepúsculos, é  sentir aromas e deixar que ele nos tome e se deixe tomar, com a sentida noção de lhe pertencermos e, ele, o Porto sentido, nos pertencer...

Mas o Porto é muito mais, porque muito ainda fica por dizer.


[ Texto meu, imagens recebidas via e-mail do amigo SOL da ESTEVA ]

domingo, 26 de fevereiro de 2012

...de Quem Mói um Sentimento.

Um dos locais da Cidade do Porto de que mais gosto para desfrutar de uma tarde soalheira, de sábado, em amena cavaqueira com familiares que me acompanham e amigos que  sempre vão aparecendo, é o Cais da Ribeira.
Nestes dias, em que o sol aquece as almas e seca as gargantas, vemos as esplanadas ribeirinhas replectas de turistas a deliciarem-se com os petiscos e a cerveja geladinha, que os restaurantes regionais têm para oferecer.
As passeatas, ao longo do cais, são um vai-vem constante.
Apreciar a beleza do Rio Douro e ver todo aquele movimento, é algo de que nunca me canso, apesar de há longos anos ser aquele o meu espaço predilecto.
Ultimamente, dois músicos de rua têm animado o ambiente com as suas canções latino-americanas de que tanto gosto. Uma maravilha!
O pior é quando chega o pôr-do-sol e  o Porto começa a ficar com aquele ar cinzento, triste e tão deprimente.  Por mais que tente ver nisso alguma beleza, não consigo. Tem sido sempre assim.
Ontem, nessa hora, lembrei-me do "Porto Sentido" de Rui  Veloso.
Foi a cantar, mentalmente, com alguma nostalgia, que regressei a casa.

"Ver-te assim abandonada
 Nesse timbre pardacento
 Nesse teu jeito fechado
 De quem mói um sentimento..."