domingo, 28 de novembro de 2021

DAS VOLTAS PRODIGIOSAS DA VIDA.

De volta ao escritor e poeta José Saramago, trago-vos a derradeira parte da sua autobiografia. Se algo mais sair a público, e eu creio que sairá, será escrito por alguém que não o Nobel da Literatura. Talvez a sua viúva, Pilar-del-Rio. Talvez...

Uma imagem que exprime a plena Felicidade de ambos.
Há, no olhar do escritor, uma ternura imensa.



AQUI - AQUI - e AQUI

Poderá o leitor ler, ou reler, aquilo já anteriormente publicado neste espaço.

***
«Autobiografia de José Saramago»

[4ª e última parte]

(...)
Sem emprego uma vez mais e, ponderadas as circunstâncias da situação política que então se vivia, sem a menor possibilidade de o encontrar, tomei a decisão de me dedicar inteiramente à literatura: já era hora de saber o que poderia realmente valer como escritor.
No princípio de 1976 instalei-me por algumas semanas em Lavre, uma povoação rural da província do Alentejo. Foi esse período de estudo, observação e registo de informações que veio a dar origem, em 1980, ao romance "Levantado do Chão", em que nasce o modo de narrar que caracteriza a minha ficção novelesca.
Entretanto, em 1978, havia publicado uma colectânea de contos, Objecto Quase, em 1979 a peça de teatro A Noite, a que se seguiu, poucos meses antes da publicação de "Levantado do Chão", nova obra teatral, Que Farei com este Livro?. Com excepção de uma outra peça de teatro, intitulada "A Segunda Vida de Francisco de Assis" e publicada em 1987, a década de 80 foi inteiramente dedicada ao romance: "Memorial do Convento", 1982, "O Ano da Morte de Ricardo Reis", 1984, "A Jangada de Pedra", 1986, "História do Cerco de Lisboa, 1989.
Em 1986 conheci a jornalista espanhola Pilar del Río. Casámo-nos em 1988.

Em consequência da censura exercida pelo Governo português sobre o romance "O Evangelho segundo Jesus Cristo" (1991), vetando a sua apresentação ao Prémio Literário Europeu sob pretexto de que o livro era ofensivo para os católicos, transferimos, minha mulher e eu, em Fevereiro de 1993, a nossa residência para a ilha de Lanzarote, no arquipélago de Canárias. No princípio desse ano publiquei a peça "In Nomine Dei", ainda escrita em Lisboa, de que seria extraído o libreto da ópera "Divara", com música do compositor italiano Azio Corghi, estreada em Münster (Alemanha), em 1993. 
Não foi esta a minha primeira colaboração com Corghi: também é dele a música da ópera "Blimunda", sobre o romance "Memorial do Convento", estreada em Milão (Itália), em 1990. Em 1993 iniciei a escrita de um diário, Cadernos de Lanzarote, de que estão publicados cinco volumes. Em 1995 publiquei o romance Ensaio sobre a Cegueira e em 1997 Todos os Nomes e O "Conto da Ilha Desconhecida". Em 1995 foi-me atribuído o Prémio Camões, e em 1998 o Prémio Nobel de Literatura.

O Encontro de duas Almas Desassossegadas?!


Em consequência da atribuição do Prémio Nobel a minha actividade pública viu-se incrementada. Viajei pelos cinco continentes, oferecendo conferências, recebendo graus académicos, participando em reuniões e congressos, tanto de carácter literário como social e político, mas, sobretudo, participei em acções reivindicativas da dignificação dos seres humanos e do cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos pela consecução de uma sociedade mais justa, onde a pessoa seja prioridade absoluta, e não o comércio ou as lutas por um poder hegemónico, sempre destrutivas.
Creio ter trabalhado bastante durante estes últimos anos. Desde 1998, publiquei Folhas Políticas (1976-1998) (1999), "A Caverna" (2000), "A Maior Flor do Mundo" (2001), "O Homem Duplicado" (2002), "Ensaio sobre a Lucidez" (2004), "Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido" (2005), "As Intermitências da Morte" (2005) e "As Pequenas Memórias" (2006). Agora, neste Outono de 2008, aparecerá um novo livro: "A Viagem do Elefante", um conto, uma narrativa, uma fábula.
No ano de 2007 decidiu criar-se em Lisboa uma Fundação com o meu nome, a qual assume, entre os seus objectivos principais, a defesa e a divulgação da literatura contemporânea, a defesa e a exigência de cumprimento da Carta dos Direitos Humanos, além da atenção que devemos, como cidadãos responsáveis, ao cuidado do meio ambiente. Em Julho de 2008 foi assinado um protocolo de cedência da Casa dos Bicos, em Lisboa, para sede da Fundação José Saramago, onde esta continuará a intensificar e consolidar os objectivos a que se propôs na sua Declaração de Princípios, abrindo portas a projectos vivos de agitação cultural e propostas transformadoras da sociedade.

[Fonte: Fundação José Saramago/Autobiografia de José Saramago.]

Nota: Depois de "A Viagem do Elefante", José Saramago escreveu "Caim ",  "O Caderno I" e "O Caderno II", livros que não chegou a acrescentar à sua Autobiografia. Como todos sabemos, José Saramago faleceu em 18 de Junho de 2010.

Alegria

Já ouço gritos ao longe 
Já diz a voz do amor 
A alegria do corpo 
O esquecimento da dor 

Já os ventos recolheram 
Já o verão se nos oferece 
Quantos frutos quantas fontes 
Mais o sol que nos aquece 

Já colho jasmins e nardos 
Já tenho colares de rosas 
E danço no meio da estrada 
As danças prodigiosas 

Já os sorrisos se dão 
Já se dão as voltas todas 
Ó certeza das certezas 
Ó alegria das bodas 

José Saramago, in "Provavelmente Alegria". 
Lisboa: Editorial Caminho, 1985.

💎  📘  💎
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Uma vez mais quero deixar expresso o meu profundo agradecimento, a todos os leitores, visitantes e amigos
 que me têm acompanhado nesta
 homenagem ao nosso 
escritor/poeta José Saramago, Nobel da Literatura. 
Muito Obrigada!



❤   ❤   ❤   ❤   ❤ 
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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

FRUTO SEM PECADO.

 



Renasço em cada manhã

E quantas vezes for preciso.

Em cada manhã irei colher

O fruto do Paraíso

Para conhecer o sabor

Do que é pecar, sem pecado

Do que é morrer por saber

Que se algum dia pequei___

___foi por excesso de juízo!




 

Fotos de hoje, cedinho, - se atentarmos à época e às condições climatéricas da zona onde me encontro, obviamente. A propósito; alguém sabe o nome do fruto deste Paraíso?



 B O M   D I A.


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

QUISERA SER...E SOU!!!

 

Foto e palavras minhas, naturalmente.

 

Quisera ser a estrela que brilha no firmamento

Ter asas e voar para longe deste lugar triste


Mas sinto-me presa ao chão,  só voo em pensamento

São meus os caminhos da fantasia onde já pouco ou nada existe.


Porém...Mente quem disser que só se vive uma vez.


No céu impera a escuridão sem que morra a quimera.

Quem disse que só se renasce na primavera,

não sabe o que diz, não me conhece.


Criei o meu próprio sonho que nunca se desfez.

Vês? 



Em jeito de canções ao gosto dos leitores, cá está a esplêndida voz da Lara Fabian, sugerida pelo Joaquim Ramos,

 a dizer-nos: "Quédate"!



Se houver mais algum/a leitor/a com uma canção preferida que se enquadre na publicação e coincida com o gosto da autora, pode pedir. 
Será com igual agrado que a publicarei. 👍

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E agora chegou a vez do 'Cara' que toda a Mulher sonha,

que a Fatyly sugeriu. 

É um Cara perfeito, só espero que se não torne enjoativo

 com o passar do tempo.

Desfrutem, meninas! 😍



❤  ❤  ❤  ❤  ❤

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terça-feira, 23 de novembro de 2021

NO ESCURINHO DO CINEMA....

 ...quando há umas horas atrás comentava no blogue da amiga Elvira Carvalho, veio-me à ideia uma cantilena que aprendi na adolescência e, como tudo o que aprendemos cedo raramente esquecemos, fiquei com a dita cantiga na ideia. Então, resolvi partilhar a historieta com quem por aqui faz o favor de passar.




Meu marido pra sair arranja sempre um assunto
Há dias disse-me a sorrir precisava de sair pra ir velar um defunto.
Saiu de casa à noitinha e disse-me assim:  

"Olha meu bem__ só volto de manhãzinha

e pra não ficares sozinha, vai chamar a tua mãe"


Deveras aborrecida às nove horas resolvi.
Pensei ir com a minha mãe querida 
gozar um pouco da vida ao Cinema Tivoli.


Cheguei tinha começado  era uma fita moderna.
Fui para o lugar indicado  e reparei 
que ao meu lado alguém me apalpava a perna.


Tentei fazer alarido, mas fiquei muda de repente
Afinal, esse atrevido era o bom do meu marido
Que estava na câmara ardente.


Ele disse-me a sorrir:

"Não faças caso ó minha louca
Não estejas a discutir,
quando eu tornar a mentir___
___pões-me pimenta na boca"


Eu então dei por resposta:

"Saíste fora do normal.
Por esta é que eu não esperava
o defunto que velavas__
__leva um lindo funeral"


Quem quiser colaborar pode cantar comigo:

POR ESTA É QUE EU NÃO ESPERAVA

 O DEFUNTO QUE VELAVAS

LEVA UM LINDO FUNERAL....

❤ ❤



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domingo, 21 de novembro de 2021

CANTIGA DE EMBALAR.

 



Cai a folha triste e só
Vinda não se sabe de onde
Cair em outro lugar 
Que não o de onde nasceu.
Esperando ter companhia
Naquela hora tardia
Para onde o vento a varreu.

O gato Malhado acercou-se
Olhou, mas não se deteve
Passou por ela e andou.


Quando sentiu o roçar
Da folha vinda plo ar
Pensou ser algo diferente.
Não reconhecendo naquela
Tão triste e baça folhinha
A mesma dos verdes anos,
Passou por ela indiferente.

É assim o Outono da Vida
Quando se perde a frescura
Já ninguém nos reconhece...


[As fotos têm esta cor meio esquisita em virtude das minhas experiências com o editor de imagens. Lá chegarei à perfeição, só preciso de prática e tempo...]

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🐱🐱🐱🐱🐱



sexta-feira, 19 de novembro de 2021

MOMENTO SÓ RISO.

 Vamos descontrair?

Então oiçam atentamente e saibam porque razão os divórcios tendem a aumentar. 


                                                            



Afinal, a minha relutância em efectuar compras pela Internet

tinha uma razão de ser. Nunca comprei nada online!

Parece que adivinho... 

Por acaso o pastor alemão até me parece ser 

 simpático e afável, mas... nunca fiando.




Quem o mandou provocar? Falta de respeito!

Interromper o sono descansado de uma pessoa...

Eu fazia o mesmo ou pior um pouco.




Ah...esta não é sobre alentejanos.

Mas poderia ser... 😏






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FIQUEM BEM E SEJAM FELIZES!

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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

QUEM ADIVINHA AS ADIVINHAS? (REEDIÇÃO)

 

Vamos lá ver quem acerta

Quem é que sabe dizer

Não fiquem de boca aberta

Só precisam responder.



Não é nenhuma salada

Nem salgalhada sequer

  Trago-vos um passatempo

    Somente para me/vos entreter.

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Quem quiser alinhar somente tem que responder indicando o número da adivinha e a solução.  😊


1 - Tenho um brinco com que brinco,

Tenho um brinco que enlouquece.

Quanto mais o brinco brinca,

Mais o brinquinho lhe cresce.


2 - Seis meninas viviam na mesma rua.

Uma enganou-se na casa,

Todas elas se enganaram.


3 - Qual é a coisa, qual é ela,

Que quem encomenda não precisa

Quem faz não usa e quem usa não vê?


4 - O que é que em pequenino é macho e em grande é fêmea?


5 - Qual é a coisa, qual é ela,

Que antigamente faziam com a boca

E agora faz-se com o dedo? 


6 - Diga lá senhor estudante

Que estuda filosofia

Qual o bichinho que voa 

E dá leite quando cria. 


7 - Menina, vamos para a cama

Fazer o que Deus mandou,

Juntar pêlo com pêlo

Menina dentro ficou.


8 - Não é boina nem chapéu

Não é coisa de enfeitar

Mas é posto na cabeça

Porque é ali o seu lugar.  


9 - Em cima de ti me ponho

Em cima de ti me tenho

Que Deus me dê toda a força

Para te meter o que tenho. 


10 - Capinha sobre capinha

Capinha do mesmo pano

Nem que te deites na adivinha

Não adivinhas num ano. 


😍  😍


É puxar plas cabecinhas

Porque pensar é indolor.

Isto são simples adivinhas

Com sorrisos e bom humor.


😘   😊   😋   😜   😝


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Em menos de 24 horas iniciei e termino este passatempo. 😳 😀

Num próximo, serão as respostas dos participantes enviadas para o meu e-mail de modo a não deixar que o interesse esmoreça. De qualquer modo, é com gosto que faço referência a um desfecho inesperado.

Mas vamos por partes... 

Eis as soluções para as dez adivinhas:

1- Acordeão 

2- Botões de camisa

3- Caixão

4 - Cebolo e cebola

5- Apagar a luz

6- Morcego 

7 - Menina do olho

8 - Dedal 

9 - Bota 

10 - Cebola 

Agradeço a colaboração de Todos os amigos e visitantes que sempre acolhem com enorme generosidade as minhas brincadeiras. 

Participaram neste passatempo a Fatyly - Marli - Catarina - Joaquim Rosário - Manu - Miguel - Rosa dos Ventos - Rycardo - Luís Rodrigues, a quem agradeço pela sua engenhosa e criativa participação onde o bom humor prevaleceu, Faço questão de publicar a sua lista de respostas às adivinhas.

1 - auscultadores

2 - GPS

3 - óculos escuros

4 - José Castelo Branco

5 - skype

6 - vaca do António Costa

7 - escovar o cabelo deitada

8 - capachinho

9 - bicicleta

10- 7 saias da Nazaré.


Pela sua natural semelhança e actualidade, não sendo estas as

 respostas, poderiam perfeitamente ser, se analisadas à luz dos

 tempos que correm.


OBRIGADA A TODOS.


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terça-feira, 16 de novembro de 2021

UM JEITO SEDUTOR.

 

Foto minha.

Deixei a minha porta entreaberta para

quando na minha rua passasses

visses que estava à tua espera e

pudesses, enfim, entrar.

No seio da minha casa, no meu leito...


Passaste a assobiar uma canção em voga

Mãos nos bolsos, ar distante, jeito gingão.

Eu a espreitar-te pela fresta da janela encostada

Vi que nem olhaste e passaste ao lado do portão.


Fechei a minha entrada ao delírio, à fantasia.

Saí também para a rua vestida a preceito...

Passei por ti na esquina da minha rua

Fingi que não te vi, segui ladeira acima

Inventei um caminhar sedutor _ e depois,

_ depois?... Tomei- lhe o jeito!...


🎻 🎻 🎻 🎻 🎻




🎻 🎻 🎻 🎻 🎻