Bárbara Bandeira
"Manel"
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Não existe tristeza maior, para os meus olhos, ainda entorpecidos pela noite, quer tenha ela sido bem ou mal dormida, do que ao puxar a persiana do quarto onde durmo, dar de caras com uma árvore morta!
A laranjeira que fica rente ao muro de meação e divide o meu quintal, do quintal do meu vizinho. Melhor dizendo: dos filhos dos meus vizinhos. A mãe, faleceu há uns anos, o pai, com noventa anos, foi 'internado' contra a sua vontade. Dizem os descendentes, já não possuir discernimento para viver só. Fui visitá-lo várias vezes ao Lar de idosos onde se encontra, e conversamos muito. Naturalmente. Como conversávamos dantes. Embora, devo ser justa, lhe note algum esquecimento em relação a certos factos que eu sei que ele sabia da sua existência e agora, o seu pasmo, por não se lembrar de nada A última vez que lá estive, creio, foi quando completou os 91 anos.
Não sei se me sinto com coragem para lá voltar e ver como a sua mente foi perdendo o antigo vigor. Tentou fugir algumas vezes, mas não conseguiu. Resignou-se ao seu cativeiro! No próximo mês de Agosto fará apenas um ano em que cruzou os portões daquele lugar...
Assim, viçosa, e coberta de doces laranjas, era a laranjeira nos bons tempos em que ali habitava VIDA.
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Irei começar por publicar as fotos que captei do livro que estava no cerne da questão.
A capa...
e a contra capa
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| Imagem da Net. |
Partiu Luís Represas. A Deus entregará a miragem que leva no peito, connosco, deixa a sua voz e as letras das suas belas canções.
Até Sempre, caro Luís!
REPOUSE EM PAZ.
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O NOAH BEM MAIS CRESCIDO
HÁ PRECISAMENTE UM ANO.
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Não confundir Tanque com Cante! ☺️
Um abraço para todos/das, vós, meus fieis leitores.
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| Natália Correia, no apogeu da sua carreira. |
ODE À PAZ
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História__
__ deixa passar a Vida!
Natália Correia, in "Inéditos"