Que contes muitos mais
e tenhas sempre sucesso
como escritor,
como tens tido em todas as tuas
iniciativas.
Grande abraço, amigo!
Que contes muitos mais
e tenhas sempre sucesso
como escritor,
como tens tido em todas as tuas
iniciativas.
Grande abraço, amigo!
"Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo."
[Hermann Hesse]
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Todos os meus livros são meus amigos. Daí, a minha alegria ao reencontrar o meu velho amigo MANDINGO, que julgava perdido! Quanto à autora de thrillers, cujos dezoito livros que escreveu, tidos e lidos por mim, continua a ser uma ilustre desconhecida. Alguém que me é próxima, mas não consigo conhecer... 🤔
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Olha que embrulhado
Está ainda o céu
E o chão todo ensopado
Da água que choveu
*
Foi um dilúvio d'água
Do furacão que fez,
Maria, até dá mágoa
Tantos estragos...Vês?
*
[Poema lido e decorado, algures, ainda na infância, porém, não recordo onde nem quando. Com a forte possibilidade de não corresponder inteiramente aos versos lidos.]
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A ÁGUA DE LOURDES
Autor: Guerra Junqueiro
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| A partir da minha única ida a Fátima, na juventude. |
A partir de 1917 também nós tivemos a nossa Aparição da Virgem Maria, em cima de uma azinheira. Se acontecem milagres não se devem a beberagens de águas milagrosas. Apenas somos crentes na palavra das três crianças que pastoreavam um rebanho de ovelhas e na mensagem ques lhes foi passada por aquela visão que lhes ofuscou a vista, num dia tenebroso de Inverno. Provavelmente, teriam havido relâmpagos e trovões e os pobrezinhos ficaram assustadíssimos.
A partir daí a romaria de crentes passou a ficar dividida, fraternalmente, entre a cura pela água da gruta, em Lourdes e a oração e a penitência em Fátima. Tudo em prol da paz na Terra entre os homens de boa vontade.
Tudo o que escrevi são suposições minhas, uma vez que não estava nem num lugar, nem n'outro, quando tudo aconteceu. Também pelo que me ensinaram na catequese quando era criança e mais tarde fui lendo, ao longo da vida.
O que sei, é que a humildade de outrora se transformou numa enorme fonte de rendimento. Lá pela França não sei, penso que a água será gratuita.
Por cá é tudo pago a peso d'ouro e é um luxo que só visto...
Que bom seria se isto pudesse acontecer!
*
E agora vamos sapatear para
as agruras esquecer.
Buba Espinho
"É tão grande o Alentejo"
O ERMITÃO
Um homem, animado pela mais ardente crença religiosa, deliberou retirar-se para uma gruta solitária para se dedicar inteiramente à salvação da sua alma. Jejuando sempre, orando, ciliciando-se, os seus pensamentos não se desviavam nunca da ideia de Deus. Depois de viver assim durante muitos anos, uma noite lembrou-se de que já tinha merecido um lugar glorioso no Paraíso e podia ser contado entre os santos mais notáveis.
Na noite seguinte o anjo Gabriel apareceu-lhe e disse-lhe:
- Há no mundo um pobre músico, que anda de porta em porta, tocando viola e cantando, e que mereceu mais do que tu as recompensas eternas.
O ermitão, atónito, ao ouvir estas palavras, levantou-se, agarrou no seu bordão, foi em busca do músico e mal o encontrou disse-lhe:
- Irmão, diz-me que boas obras fizeste, e por meio de que orações e penitências e tornaste agradável a Deus.
- Ora, respondeu-lhe o músico, baixando a cabeça: santo padre, não zombes de mim. Nunca fiz boas obras, e quanto a orações não as sei, pobre de mim, que sou um pecador. O que faço é andar de casa em casa a divertir os outros.
O austero ermitão continuou a insistir:
- Estou certo que, no meio da tua existência vagabunda, praticaste algum acto de virtude.
- Em verdade não poderia citar nem um só.
- Mas então, como chegaste a este estado de pobreza? Tens vivido loucamente como os que exercem a tua profissão? Dissipaste frivolamente o teu património e o produto do teu ofício?
- Não: mas um dia encontrei uma pobre mulher abandonada, cujo marido e filhos tinham sido condenados à escravidão para pagar uma dívida.
Essa mulher era nova e bela e queriam seduzi-la. Recolhi-a em minha casa, protegi-a de todos os perigos, dei-lhe tudo o que possuía para resgatar a sua família, e levei-a à cidade onde ela devia encontrar-se com o seu marido e seus filhos. Mas quem não teria feito outro tanto?
A estas palavras o ermitão pôs-se a chorar e exclamou:
- Nos meus setenta anos de solidão nunca pratiquei uma obra tão meritória, e, apesar disso chamo-me o homem de Deus, enquanto que tu não passas de um pobre músico ambulante.
😄 😄
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