Quem te pudesse ver na
intimidade
ondulando nas chamas do desejo,
podia ver aquilo que eu só vejo:
um diabo vicioso em liberdade.
ondulando nas chamas do desejo,
podia ver aquilo que eu só vejo:
um diabo vicioso em liberdade.
E quem te vê, assim, em sociedade,
frágil e doce como é o poejo,
corando simplesmente com um beijo,
não poderá saber qual a verdade:
frágil e doce como é o poejo,
corando simplesmente com um beijo,
não poderá saber qual a verdade:
se és uma, se és outra, se és
nenhuma,
se tudo em ti é feito por medida,
se és talhada em basalto ou se és de espuma.
se tudo em ti é feito por medida,
se és talhada em basalto ou se és de espuma.
Mas nem que nisso gaste toda a
vida,
eu hei-de descobrir-te. Ver-te, em suma,
na minha cama nua e não despida.
eu hei-de descobrir-te. Ver-te, em suma,
na minha cama nua e não despida.
«Soneto», in «O Poeta Enamorado» de Joaquim Pessoa