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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Doce Sedução de Outono.





É fruto de Outono, sedutor,
é lembrança
Da minha distante
 infância.
Em que pela árvore trepava.
E sentada no ramo
 mais alto
 nos bagos rubros
 encontrava
o açúcar, o mel que me faltava.





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quarta-feira, 22 de maio de 2019

Provando A Alcachofra.

Postal dedicado ao meu Amigo KOK.(link)

A quem agradeço as fotos das alcachofras. :)


                             

A alcachofra de terno coração, 
vestiu-se de guerreiro,
erecta, construiu
uma pequena cúpula,
 manteve-se impermeável sob as suas escamas,

do seu lado os vegetais loucos
encresparam-se,
fizeram-se juncos
bulbos comovedores,
no subsolo dormiu a cenoura
de bigodes vermelhos,
o vinhedo ressecou os sarmentos
por onde sobe o vinho,
o alface dedicou-se a experimentar saias,
o orégão a perfumar o mundo…

…e  a doce alcachofra ali na horta,
vestida de guerreiro, brilhosa

como uma granada orgulhosa, 
e um dia
uma com outra em grandes cestos de vime,
 Caminhou pelo mercado
a realizar o seu sonho: a milícia.

Em fileiras nunca foi tão marcial
como na feira, os homens

entre legumes
com suas camisas brancas
eram mariscais
das alcachofras,
as filas apertadas,
as vozes de comando, 
e a detonação
de um caixote que cai,
mas  então vem 
Maria com o seu cesto
escolhe uma alcachofra,
não  a teme,  examina-a,  observa
-a
contra a luz
como se fosse um ovo,
 e compra -a, confunde-se  na sua bolsa
com um par de sapatos, com um repolho e uma 
garrafa de vinagre
até  que entrando na cozinha
a submerge na panela.

Assim termina 
em paz esta ocupação

de vegetal armado
que se chama alcachofra,
logo, escama por escama
desvestimos a delícia 
e comemos a pacífica pasta
do seu coração verde.


"Ode à Alcachofra"
[ Pablo Neruda ]



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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

SEM PHOTOSHOP...




                                                                      



...NEM ADITIVOS 

QUÍMICOS!!! 


 AQUI, É TUDO   

                                                        BIOLÓGICO!!  
                                                                


POR ISSO, NÃO SÃO ATRAENTES,
OS DIÓSPIROS...

MAS SÃO
 DOCINHOS!








ESTE ESTÁ MADURO DE MAIS...POR ONDE ANDARÁ A PASSARADA ?







E SEM SABER BEM PORQUÊ NEM ESTAR A INVENTAR NADA,
LEMBREI-ME DESTE 

"INVENTO"
DE
 MARIA TERESA HORTA


DEPONHO
SUPONHO E DESCREVO
A PULSO


SUBINDO PELA  FÍMBRIA
DO DESPIDO


PORQUE NADA É VERDADE
SE EU INVENTO
O AVESSO DAQUILO QUE É VESTIDO











ESTAS FLORES  DO MARACUJÁ, SÃO UM BÓNUS QUE VOS OFEREÇO.

UM OÁSIS NO DESERTO DO MEU QUINTAL

CHEIO DE FOLHAS CAÍDAS




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sábado, 1 de setembro de 2018

SEDUÇÃO.




Dália…

Fulgor, brilho, sedução
Dália
 Flor Poema,
Beleza,
Ostentação
 Sedutora, cativa o olhar
Dália...

Flor garbosa
És a mais vistosa
Mais doce e formosa
Que todas as rosas
Que há no meu
 Jardim…


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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Nem Tudo São Flores...No Meu Jardim...

...Também há algumas ervas...



Neste Maio quente, tudo cresce e floresce
e faz parte de mim...







A cameleira dobrada, junta-se à folhagem da magnólia já sem flor.








 
Há uma miscelânea de cores e perfumes um pouco selvagens...por falta de trato...mas, ainda assim, hoje me encantaram e quis partilhar convosco. 


 
Finalmente, consegui descobrir uma rosa vermelha
 mais viçosa que
as demais.
 
Gostava que gostassem...é para vós!
 
 


 
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domingo, 3 de fevereiro de 2013

É PRECISO AGUENTAR? É, SIM!

 
 
É em virtude de  Crónicas como esta, que cada vez admiro mais Miguel Esteves Cardoso.
Se aqui há uns anos atrás me dissessem que eu iria escrever isto, no mínimo, eu diria :
"Só se eu tiver enlouquecido"  Entretanto, não enlouqueci. E gosto, mesmo!
 

"Como é que se Esquece Alguém que se Ama?"

Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar.
 
 Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo.
 
Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.

Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar.
Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in "Último Volume"
 
 

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domingo, 18 de setembro de 2011

GOSTAR DE FADO...NÃO É PECADO!


Creio nunca ter tido umas férias tão eclécticas quanto as deste ano. Seguramente, não foram as mais divertidas nem as mais repousantes, em comparação com as do ano passado, por exemplo, mas, sem dúvida, foram muito mais enriquecedoras.
Por sugestão de um casal amigo, o Zé e a Lourdes, fomos uma noite jantar a um restaurante em Almada. Era a última quinta feira do mês de Agosto. Nessa noite, cantava-se o fado no Restaurante "Trapo Azul". Fiquei estusiasmadíssima. Adoro fado!  Embora não goste de o ouvir na voz de todos os fadistas, nem de todos os tipos de fado. Aquele chamado de faca e alguidar ou da desgraçadinha do gamanço, não é comigo. Gosto do fado marialva, do vadio e do fado corrido.

Pois foi todo esse estilo de fado que cantaram os fabulosos fadistas, amadores, que lá estavam a actuar nessa noite, e me fascinaram completamente. O início é que não correu lá muito bem.
Ao soarem os primeiros acordes das guitarras e se fazer ouvir a voz do primero fadista, fosse pela emoção do momento, pela letra do fado ou por outro motivo qualquer, dei comigo a fazer um esforço, quase titânico, para segurar as lágrimas. O que não consegui. 




A minha querida amiga Lourdinhas, que não lhe escapa nada e estava sentada a meu lado, em lugar de ver e se calar, à espera de melhores trinados,  não, toca de alertar o resto da mesa:
 "Oh, minha querida! Oh Chiquinha...então?" 

Não sei o que foi maior, se o meu constrangimento  ou se a baba e ranho que a partir daí, eu chorei. Até o fadista se pôs a olhar para mim, com ar de pena!
Felizmente, que os fados seguintes já deram para gingar e até cantar o refrão juntamente com os outros comensais.  Bela e mágica noite aquela.  O "Trapo Azul" ganhou mais uma cliente! 


Para aqueles amigos que gostarem de fado, aconselho vivamente. E a ementa do tipo caseiro é uma maravilha, já para não falar no excelente vinho tinto...


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