sábado, 29 de julho de 2023

SENHORAS DE NÓS... (?)


 ... Então, porque razão a violência doméstica aumenta a olhos vistos? Porque motivo os homens continuam a excercer a sua força física sobre a mulher? Porquê a mulher domina e maltrata o companheiro de boa indole e temperamento submisso? Foi isto, esta forma de viver, que a democracia e a evolução dos tempos nos trouxe? O retrocesso à Idade da Pedra? Responda quem souber!

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"Minha Senhora de Mim"

Maria Teresa Horta.


Comigo me desavim
minha senhora
de mim.

Sem ser dor ou ser cansaço
nem o corpo que disfarço.

Comigo me desavim
minha senhora
de mim.

Nunca dizendo comigo
o amigo nos meus braços.

Comigo me desavim
minha senhora
de mim.

Recusando o que é desfeito
no interior do meu peito.

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"Minha Senhora de Mim" foi o nono livro de poemas de Maria Teresa Horta. Publicado em Abril de 1971 pela editora Dom Quixote, em Junho seguinte a editora foi objecto de um auto de busca e apreensão da obra pela PIDE e avisada de que seria encerrada se publicasse outra obra da autora.

Esta obra encerra 59 poemas, sob forma de cantigas de amigo medievais, em que as mulheres exprimem a sua sexualidade, sendo elas as orientadoras de como deverá o homem comportar-se para lhes dar prazer e agradar na intimidade.

Como resultado da sua escrita, a autora foi perseguida pela PIDE. Tempos idos, felizmente, no que à repressão e direito à livre expressão respeita. No que respeita aos direitos da igualdade de género...Não!


 




quinta-feira, 27 de julho de 2023

CAGANÇAS & CARAPAUS DE CORRIDA.

 


"Sou um tipo moderno. E chique. Muito chique. Por isso não podia deixar de entrar num restaurante gourmet da moda. Vesti um Armani que comprei num saldo dos chineses, calcei umas sapatilhas com uma virgula estampada que regateei ao ciganito da feira e esvaziei, pelo pescoço abaixo, meio frasco de Chanel dos marroquinos.
E foi assim, cheio de cagança, como mandam as regras da pelintrice lusa, que fui jantar ao tal restaurante gerido por um “chef” reputado com categoria internacional e olímpica.

Tramei-me! Antes tivesse ido ao tasco da esquina aviar uma bifana! Confesso que já levei muita tanga, mas como esta, nunca!

Passei fome, fui gozado e fui roubado. É no que dá quando um parolo se quer armar em carapau de corrida...

Sempre achei que cozinhar era um acto de descontracção, de partilha, de alegria, de afecto. E eu devia desconfiar, porque aqueles concursos gastronómicos das TVs transformaram uma actividade social sadia, numa agressão stressante, provocadora de lágrimas e depressões. Já para não falar das parvoíces dos mestres cozinheiros da moda, cujos pratos estapafúrdios e minimalistas se apelidam agora de 'criatividade culinária'.

Colocaram-me um prato à frente que foi mais difícil de decifrar que as palavras cruzadas do Público ao domingo. Um prato que exibia 5 cm2 de um pobre robalo que morreu inutilmente só para lhe extraírem um pedacito do cachaço, meia batata engalanada com um pé de salsa, e duas ervilhas a nadarem numa colher de chá de um azeitado molho de escabeche, bem disfarçado com um nome afrancesado que nem vem nos dicionários. Para remate, três riscos de uma substância pastosa, estilo Miró, para preencher os restantes 90% do prato vazio.


E o portuga, habituado à sua travessa de cozido e ao panelão de feijoada, olha para aquilo com uma cara de parvo capaz de partir todos os espelhos lá de casa.
Esboça um sorriso amarelo, engole em seco, diz que está tudo óptimo ao empregado de mesa que mais parece uma melga à nossa volta, e enfiam-se dois Xanax quando nos metem a conta à frente. E, a muito custo, cala-se o berro de duas peixeiradas à moda do Norte que nos vai na alma.

Nunca mais lá volto. E sabem porquê?

Porque se quiser comer aperitivos, vou à tasquinha do Zé da Esquina comer bolinhos de bacalhau e tremoços, que são muito mais saudáveis e baratos.

Porque para ver pintura abstracta vou a uma exposição.

E, acima de tudo, porque desconfio de um cozinheiro que vive e trabalha com a ambição obsessiva de ser medalhado por uma companhia de pneus..."


[Texto de Francisco Gouveia com algumas adaptações da autora do blogue]



domingo, 23 de julho de 2023

REEDIÇÃO DO DUPLO DESAFIO.

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Meus Amigos, a vida tem imponderáveis que tanto nos podem trazer momentos de euforia, que nos roubam tempo, forças e energia, tudo por bons motivos, como num súbito volte-face nos levam a preocupaçoes terríveis, por nos sentirmos impotentes para ajudar quem amamos e se encontram a milhas de distância. Entre ontem e hoje senti na pele estes dois sentimentos. O segundo tem a ver com o incêndio na Ilha de Rodes, na Grécia. Felizmente, as últimas notícias que chegaram até mim, vindas de quem eu julgava em perigo, já me aquietaram o coração e me permitem terminar - e desvendar - este complicado e conturbado desafio!


Este é o dito cujo Shopping!!... Pois ele fica mesmo, mesmo, de frente para este Estádio...

[tão amado por uns uns e odiado por outros].





Não que eu queira ou me sinta na obrigação de justificar os meus passos ou preferências clubísticas, menos ainda querer agradar a gregos e troianos. Para já a minha simpatia é, desde há longos anos, pelo SCP, sem no entanto ser adepta ferrenha.
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Posto isto, quem venceu por Maioria Absoluta esta primeira parte, foi...a minha querida
Muitos Parabéns!!
 🏆

👍 😊

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No que toca à segunda parte a coisa fia mais fino...ora vejam a seguinte imagem:


Vista assim, ampliada, tal como a fotografei, não parece a flor minúscula que floresce numa sebe, nem a foto vos mostra que se trata realmente da sebe que circunda uma parte da minha casa. Assim sendo, por este lado, já haverá mais vencedores:
São eles o Pedro Coimbra, que receberá o Prémio Pesquisa Razoável😊 a Catarina com o Prémio Bom Empenhamento;😊 o  Tintinaine,  com o Prémio A-Ver-Se-Toma-Gosto-Nisto, ou seja, Prémio Incentivo😊 a Manu, com o Prémio Boa-Vontade. 😊 O José- 500 e a Fatyly, com o Prémio Não É Mas Poderia Ser,  uma vez que o aloendroeiro também se presta a sebes muito bonitas e ramalhudas, sendo que a sua flor é ligeiramente diferente e a folha é mais comprida e bicuda.  😊

Finalmente, a Teresa Hoffbauer, com o Prémio A Minha Alma Está Parva; em virtude ser ferrenha adepta do FCP, ter visitado a Mui Nobre e Invicta Cidade do Porto, recentemente, gritar Bibó Puorto a propósito de tudo e de nada e não ter reconhecido o local. Enfim, não se pode conhecer tudo!

Por último, mas não menos importante, o António do "Vidas"com o Prémio Hás-de Cá Vir Mas Sem Preguiça 😊

Também não esqueço todos os leitores, visitantes e amigos deste Cantinho, que vieram assistir de camarote e marcaram a sua preciosa presença.😊

 
MUITO OBRIGADA A TODOS


❤❤❤❤❤❤❤❤

quinta-feira, 20 de julho de 2023

DUPLO DESAFIO.

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Quem consegue descobrir - através desta foto - qual o nome do Centro Comercial, Shopping ou como o quiserem designar, da Cidade Invicta onde eu fui comprar uns trapitos?



Como o desafio é duplo, volto a questionar-vos:

Qual é a planta que nos dá esta flor?




No próximo dia 22, Sábado,  às 12h00, dir-vos- ei o nome de quem acertou e complementarei o Desafio com fotos mais explícitas.

 

As respostas podem ser deixadas aqui ou enviadas para o meu e-mail.
Os leitores decidem!
 
 
Podem começar a deixar os vossos palpites!

 

😊😊😊😊😊😊😊😊😊 

 

🙏  🙏  🙏

terça-feira, 18 de julho de 2023

BELEZA EFÉMERA.

 



Tal como a infância, também a beleza das orquídeas é efémera.
Contudo, essa efemeridade não é igual em todas as vidas nem em todas as flores.
Algumas vidas guardam, no fundo do seu ser, a criança que um dia foram.
Outras, secam, murcham, entristecem, fenecem prematuramente, perdendo a beleza e a candura que um dia tiveram.
 
 
Sabem? Ainda não me consegui qualificar e enquadrar. 
Há dias em que me sinto criança, doce e inocente.
Outros, velha, velhinha qual Matusalém
Outros ainda, azeda e crua, como a erva...
 
 
que de belo só tem a frescura e o viço da sua cor... 😧



DESEJO A TODOS QUE ME VISITAM,

MOMENTOS MUITO FELIZES.

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sábado, 15 de julho de 2023

GAIVOTAS NA CIDADE.

🦆  🦆  🦆  🦆




Uma gaivota na Cidade
Vendo o trânsito fluir
Não sente saudades do mar
Quando nele não há peixe.

 

O apelo da sobrevivência é mais forte.
Vai ficando, qual parasita, à espera do porvir
...sem trabalho, sem esforço,
roubar da mão do turista o petisco, 
seja lá ele qual for_
_e sem saber para onde ir.


🦆  🦆  🦆  🦆



quinta-feira, 13 de julho de 2023

TERRA DE POETAS E PASTORES...

 ...e Cantes até às tantas!



Adeus ó Vila de Serpa
Das muralhas, casas brancas
De poetas e pastores
E Cantes até às tantas...

"Nesta obra, profusamente ilustrada com desenhos da autora, registam-se modas e cantigas de Serpa bem como contos, lendas, provérbios e canções religiosas. Maria Rita Cortez esclarece que este cancioneiro não resulta de um trabalho de investigação nem mesmo de uma recolha sistemática e exaustiva. Pretendeu a autora, tão somente, passar para o papel recordações de infância recorrendo, quando a memória falhava, a outras pessoas e à pesquisa bibliográfica. A publicação, que a autora dedica às crianças de Serpa, cumpre o objectivo de ajudar a preservar parte importante das tradições orais do concelho."










Nota da administradora do blogue: As duas primeiras fotos são de minha autoria, captadas em Serpa. As segundas, minhas são, porém, a imagem dos desenhos da direita faz parte do Cancioneiro que adquiri na Casa do Cante e, cuja autora, é uma distinta filha da terra, cujo nome encima a capa do dito cancioneiro.

❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤

domingo, 9 de julho de 2023

ALGUM DIA...

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Algum dia o poema será a bungavília
pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, 
o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio 
alegrando quem passa.

Mas antes desse dia há-de secar a bungavília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como tempo passa
mesmo contra vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.

Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.


 "Poema da Buganvília" de António Gedeão.

Fotografias minhas.

[Esta buganvília pendente não se encontra na Calçada do Bairro da Graça. Está mais a Norte] 



 

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sexta-feira, 7 de julho de 2023

DIAS FRESCOS E FELIZES...

  ...É O QUE VOS DESEJO.







  FELIZ  FIM-DE-SEMANA!




domingo, 2 de julho de 2023

DA INSUSTENTÁVEL INSTABILIDADE DO SER.

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Quantas vezes eu fui como um mar calmo
E logo noutro dia me senti um mar revolto

Já me senti ancorada num porto seguro
Hoje, sou somente espuma de um coração vazio.



Que se desfaz num mar de nada
E em nada sigo navegando

Singrando a Vida como sei e posso
Como a solitária gaivota na proa de um navio 

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