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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

DEPOIS DO ÊXTASE.



Nudez, último véu da alma
que ainda assim prossegue absconsa.
A linguagem fértil do corpo
não a detecta nem decifra.

Mais além da pele, dos músculos,
dos nervos, do sangue, dos ossos,
recusa o íntimo contacto,
o casamento floral, o abraço
divinizante da matéria
inebriada para sempre
pela sublime conjunção.

Ai de nós, mendigos famintos:
Pressentimos só as migalhas
desse banquete além das nuvens
contingentes da nossa carne.

E por isso a volúpia é triste
um minuto depois do êxtase.


Poema “O Minuto Depois” de Carlos Drummond de Andrade


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sábado, 30 de julho de 2016

COMIGO AO DOMINGO...[ IV ]



Florença... que serenidade imensa

Nos teus campos remotos, de onde surgem
Em tons de terracota e de ferrugem
Torres, cúpulas, claustros: renascença

Das coisas que passaram mas que urgem...
Como em teu seio pareceu-me densa
A selva oscura onde silêncios rugem
No meio do caminho da descrença...

Que tristes sombras nos teus céus toscanos
Onde, em meu crime e meu remorso humanos
Julguei ver, na colina apascentada

Na forma de um cipreste impressionante
O grande vulto secular de Dante
Carpindo a morte da mulher amada...





 O Soneto é de autoria de Vinícius de Moraes e as fotos foram-me enviadas, ontem, por um familiar!...
A primeira foto é da Basílica de Santa Cruz;  a terceira, da Catedral de Santa Maria del Fiore. A segunda e a quarta, não sei. Algum de vós me sabe dizer ? Grazie! :)


                                                                        





sexta-feira, 6 de março de 2015

FALANDO DE TI.




Falo de ti às pedras das estradas, 
E ao sol que é louro como o teu olhar, 
Falo ao rio, que desdobra a faiscar, 
Vestidos de princesas e de fadas.
 
 
 




Falo às gaivotas de asas desdobradas, 
Lembrando lenços brancos a acenar, 
E aos mastros que apunhalam o luar 
Na solidão das noites consteladas.
 
 
 




Digo os anseios, os sonhos, os desejos 
Donde a tua alma, tonta de vitória, 
Levanta ao céu a torre dos meus beijos! 
 
 
 
E os meus gritos de amor, cruzando o espaço, 
Sobre os brocados fúlgidos da glória, 
São astros que me tombam do regaço! 


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas" 
 
 
Imagens da Net
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terça-feira, 23 de setembro de 2014

"Canção de Outono"

Imagem da Net
 

Perdoa-me, folha seca
 Não posso cuidar de ti
 Vim para amar neste mundo
 E até do amor me perdi.

 De que serviu tecer flores
 Pelas areias do chão
 Se havia gente dormindo
 Sobre o próprio coração?

  E não pude levantá-la
 Choro pelo que não fiz
 E pela minha fraqueza
 É que sou triste e infeliz

Perdoa-me, folha seca
 Meus olhos sem força estão
 Velando e rogando aqueles
 Que não se levantarão...

 Tu és a folha de outono
Voante pelo jardim
 Deixo-te a minha saudade
- A melhor parte de mim


 Certa de que tudo é vão
 Que tudo é menos que o vento
 Menos que as folhas do chão...
 
 
Cecília Meireles. 

 
 
Para que o romantismo outonal não se perca, com a chuva e o vento,
 vamos dançando o Tango!
 
 
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quarta-feira, 30 de julho de 2014

VIAGENS.



"Lançamos o barco
Sonhamos a viagem.
Quem viaja é sempre o mar!"

                           Mia Couto


                    
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