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Falavam-me de Amor
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Quando um ramo de doze badaladas
Se espalhava nos móveis e tu vinhas
Solstício de mel pelas escadas
De um sentimento com nozes e com pinhas.
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Menino eras de lenha e crepitavas
Porque do fogo o nome antigo tinhas
E em sua eternidade colocavas
O que a infância pedia às andorinhas.
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Depois nas folhas secas te envolvias
De trezentos e muitos lerdos dias
E eras um sol na sombra flagelado.
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O fel que por nós bebes te liberta
E no manso Natal que te conserta
Só tu ficaste a ti acostumado.
Soneto de Natália Correia, em "O Dilúvio e a Pomba"

Quem terá engendrado esta imagem com os relógios
prontos a baterem as doze badaladas,
nozes, pinhas e onde só faltaram
as andorinhas?! Eu não fui!
...que venha de novo o Aleixo!
"O Beijo Mata o Desejo"
__António Aleixo__
MOTE
«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo
E eu quero-te desejar.»
GLOSAS
Porque te amo de verdade,
Estou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.
Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.
E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.
Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!