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quarta-feira, 6 de março de 2024

MEIA VOLTA, VOLTA E MEIA, LÁ VOLTO EU ÀS PIEGUICES DO CESÁRIO...

 

FLORES VELHAS

Fui ontem visitar o jardinzinho agreste,
Aonde tanta vez a lua nos beijou,
E em tudo vi sorrir o amor que tu me deste,
Soberba como um sol, serena como um voo.

Em tudo cintilava o límpido poema
Com ósculos rimado às luzes dos planetas:
A abelha inda zumbia em torno da alfazema;
E ondulava o matiz das leves borboletas.



Em tudo eu pude ver ainda a tua imagem,
A imagem que inspirava os castos madrigais;
E as vibrações, o rio, os astros, a paisagem,
Traziam-me à memória idílios imortais.

E nosso bom romance escrito num desterro,
Com beijos sem ruído em noites sem luar,
Fizeram-mo reler, mais tristes que um enterro,
Os goivos, a baunilha e as rosas-de-toucar.



Mas tu agora nunca, ah! Nunca mais te sentas
Nos bancos de tijolo em musgo atapetados,
E eu não te beijarei, às horas sonolentas,
Os dedos de marfim, polidos e delgados...

Eu, por não ter sabido amar os movimentos
Da estrofe mais ideal das harmonias mudas,
Eu sinto as decepções e os grandes desalentos
E tenho um riso meu como o sorrir de Judas.

(...)

Mas quero só fugir das coisas e dos seres,
Só quero abandonar a vida triste e má
Na véspera do dia em que também morreres,
Morreres de pesar, por eu não viver já!

E não virás, chorosa, aos rústicos tapetes,
Com lágrimas regar as plantações ruins;
E esperarão por ti, naqueles alegretes,
As dálias a chorar nos braços dos jasmins!

Cesário Verde 
_______________

Gostaria de colocar as dálias a chorar
nos braços, não dos jasmins que os não tenho, 
mas nos braços da hortelã, e nem sequer consigo colocar as duas imagens a par. 
Alguém faz o favor de me explicar como devo fazer?
Agradecida.


Em tempos fiz isso, mas creio Mr. Google me trocou as voltas.

🧐  😥  🥺  

terça-feira, 17 de outubro de 2023

ACOLHEDOR COMO UM VELHO CAMINHO...

 ...É este belo poema de Pablo Neruda, o número XII, do  seu livro de poemas: "Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada". 

Ouçamo-lo: Musicado e interpretado pelo cantor cubano, Pablo Milanês:


Para mi corazón basta tu pecho, 
para tu libertad bastan mis alas. 
Desde mi boca llegará hasta el cielo 
lo que estaba dormido sobre tu alma. 

Es en ti la ilusión de cada día. 
Llegas como el rocío a las corolas. 
Socavas el horizonte con tu ausencia. 
Eternamente en fuga como la ola. 

He dicho que cantabas en el viento 
como los pinos y como los mástiles. 
Como ellos eres alta y taciturna. 
Y entristeces de pronto, como un viaje. 

Acogedora como un viejo camino. 
Te pueblan ecos y voces nostálgicas. 
Yo desperté y a veces emigran y huyen 
pájaros que dormían en tu alma.

 *



 


CONTINUAÇÃO DE BOA SEMANA.

 FAÇAM O FAVOR DE SER FELIZES! 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

FRUTOS E CHEIROS DA TERRA.



É quando estás de joelhos

que és toda bicho da Terra

toda fulgente de pêlos

toda brotada das trevas

toda pesada nos beiços

de um barro que nunca seca

nem no cântico dos seios

nem no soluço das pernas

toda raízes nos dedos

nas unhas toda silvestre

nos olhos toda nascente

no ventre toda floresta

em tudo toda segredo

se de joelhos te entregas

sempre que estás de joelhos

todos os frutos da Terra.


"É Quando Estás de Joelhos"

Poema de David Mourão-Ferreira 


Fotos Minhas



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segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Para Quem Ama Poesia... e Gosta de Saborear, Lentamente, o Sabor de Cada Palavra.

 




Lembras-te tu do sábado passado,
Do passeio que demos, devagar,
Entre um saudoso gás amarelado
E as carícias leitosas do luar?

Bem me lembro das altas ruazinhas,
Que ambos percorremos de mãos dadas:
Às janelas palravam as vizinhas;
Tinham lívidas luzes as fachadas.

Não me esqueço das cousas que disseste
Ante um pesado tempo com recortes;
E os cemitérios ricos, e o cipreste
Que vive de gorduras e de mortes.

Nós saíramos próximo ao sol-posto,
Mas seguíamos cheios de demoras;
Não me esqueceu ainda o meu desgosto
Nem o sino rachado que deu horas. 

Tenho ainda gravado no sentido,
Porque tu caminhavas com prazer,
Cara rapada, gordo e presumido,
O padre que parou para te ver.

A Lua dava trémulas brancuras,
Eu ia cada vez mais magoado;
Vi um jardim com árvores escuras,
Como uma jaula todo gradeado! 

Eu sinto ainda a flor da tua pele,
Tua luva, teu véu, o que tu és! 
Não sei que tentação é que te impele
Os pequeninos e cansados pés.

Sei que em tudo atentavas, tudo vias!
Eu por mim tinha pena dos marçanos,
Como ratos, nas gordas mercearias,
Encafurnados por imensos anos.


Tu sorrias de tudo: os carvoeiros,
Que aparecem ao fundo dumas minas,
E à crua luz os pálidos barbeiros
Com óleos e maneiras femininas! 

E enquanto ela falava ao seu namoro,
Que morava num prédio de azulejo,
Nos nossos lábios retiniu sonoro
Um vigoroso e formidável beijo!

E assim ao meu capricho abandonada,
Erramos por travessas, por vielas,
E passamos por pé duma tapada
E um palácio real com sentinelas.

E eu que busco a moderna e fina arte,
Sobre a umbrosa calçada sepulcral,
Tive a rude intenção de violentar-te
Imbecilmente, como um animal.

Mas ao rumor dos ramos e da aragem,
Como longínquos bosques muito ermos,
Tu querias no meio da folhagem
Um ninho enorme para nós vivermos. 

E ali começaria o meu desterro...
Lodoso o rio, e glacial, corria;
Sentamo-nos, os dois, num novo aterro
Na muralha dos cais de cantaria.

Nunca mais amarei, já que não amas,
E é preciso, decerto, que me deixes!
Toda a maré luzia como escamas,
Como alguidar de prateados peixes. 

E como é necessário que eu me afoite
A perder-me de ti por quem existo,
Eu fui passar ao campo aquela noite
E andei léguas a pé, pensando nisto.

E tu que não serás somente minha,
Às carícias leitosas do luar,
Recolheste-te, pálida e sozinha,
À gaiola do teu terceiro andar.

"Noite Fechada" - d'O Livro de Cesário Verde.

***___***

Música Intemporal.
Para ouvir e degustar o doce sabor de cada nota.



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quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Amor Sem Esperança.

 



Amor sem fruto, amor sem esperança
É mais nobre, mais puro,
Que o que, domando a ríspida esquivança,
Jaz dos agrados nas prisões seguro.

 

Meu leal coração, constante e forte,
Vendo a teu lado acesos,
Flérida ingrata, os ódios, os desprezos,
O rigor, a tristeza, a raiva, a morte.

Forjando contra mim, por ordem tua
Mil setas venenosas,
Em prémio destas lágrimas saudosas,
Inda assim continua
A abrasar-se em teus olhos... Vis amantes,
Corações inconstantes,
De sórdidas paixões envenenados,
Vós, a cujos ardores,
A cujos desbocados
Infames apetites
A Virtude, a Razão não põe limites,
Suspirai por ilícitos favores,
Cevai-vos em torpíssimos desejos.


Tratai, tratai de louco um amor casto,
Que eu nos grilhões que arrasto;
Tão limpos como o Sol, darei mil beijos.
Peçonhenta aliança,
Vergonhoso prazer, de vós não curo
De ti, sim, porque és puro,
Amor sem fruto, amor sem esperança.


 Manuel Maria Barbosa du Bocage, in "Excerto de Flérida - Idílio Pastoral"


Fotos minhas.



sexta-feira, 16 de julho de 2021

Um Soneto Por Semana. # 18

 

Foto minha.


"O Amor Em Camões"


Além do mar, da guerra e da procela,

Foste o Poeta do Amor e da aventura,

Amor que homens e deuses transfigura,

E que o teu génio sideral estrela.


Nos teus poemas o Amor irrompe, e aquela

Palpitação fremente de ternura

Que adoça, amassa e estende a rocha dura,

Como a do "grande cabo" nos revela.


Sempre o Amor em teus versos de tal jeito

Escorre — como olímpico licor —

Que o coração inunda em cada peito.


Até na boca alvar do Adamastor

A garganta de pedra de que é feito

Canta Amor, ruge Amor, soluça Amor!


Autor: Filinto de Almeida

(1857-1945)

[O mesmo autor do Soneto nº17]


Sem dúvida alguma, o nosso Camões foi o Poeta que mais cantou o Amor.
Uma faceta romântica reconhecida por todos os outros Poetas. Desde os clássicos aos contemporâneos. Concordam?




quinta-feira, 10 de junho de 2021

PRIMAVERA - CAMPOS EM FLOR

 Ah! quem nos dera que isto, como outrora,

Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera

Que ainda juntos pudéssemos agora

Ver o desabrochar da Primavera!


Saíamos com os pássaros e a aurora.

E, no chão, sobre os troncos cheios de hera,

Sentavas-te sorrindo, de hora em hora:

“Beijemo-nos! amemo-nos! espera!”



E esse corpo de rosa rescendia,

E aos meus beijos de fogo palpitava,

Alquebrado de amor e de cansaço.


A alma da terra gorjeava e ria…

Nascia a Primavera… E eu te levava,

Primavera de carne, pelo braço!




As imagens de flores campestres representam a minha colheita de Primavera, agora quase estio, o belo Soneto espalhado entre elas, são fruto da Primavera do Poeta brasileiro: Olavo Bilac.

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

OUVINDO ESTRELAS.


ESTA BELA FOTOGRAFIA FUI ROUBÁ-LA    AQUI

Andei a procurar entre todos os fotógrafos da minha lista de blogues e, com grande pena minha, não encontrei um céu estrelado. No meu céu, hoje, agora, não vislumbro uma só estrela.



 "Ora (direis) ouvir estrelas! Certo, 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo? "

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".


[Poema de Olavo Bilac ]

( Poeta brasileiro que viveu no século XIX, não confundam com o vocalista dos 'Santos e Pecadores', como já aconteceu em outras vezes! Obrigada! )


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quinta-feira, 5 de abril de 2018

"Conversa Fiada"



Eu gosto de fazer poemas de um único verso. 

Até mesmo de uma única palavra 
Como quando escrevo o teu nome no meio da página 
E fico pensando mais ou menos em ti
Porque penso, também, em tantas coisas... em ninhos.
Não sei por que vazios no meio de uma estrada 
deserta... 
Penso em súbitos cometas anunciadores de um
 Mundo Novo 
E - imagina! - 
Penso em meus primeiros exercícios de álgebra, 
Eu que tanto, tanto os odiava... 
Eu que naquele tempo vivia dopando-me em cores, flores, amores… 
Nos olhos - flores das menininhas - isso mesmo!

 O mundo era um livro de figuras 

Oh! Os meus paladinos, as minhas princesas prisioneiras 
em suas altas torres, 
Os meus dragões 
Horrendos 
Mas tão coloridos... 
E - já então - o trovoar dos versos de Camões:

"Que o menor mal de todos seja a morte!" 

Ah, prometo àqueles meus professores desiludidos
que na próxima vida eu vou ser um grande matemático 
Porque a matemática é o único pensamento sem dor... 
Prometo, prometo, sim...
 Estou mentindo? Estou! 


Tão bom morrer de amor!... E continuar vivendo...




A saber: "Conversa Fiada" é o título do poema!


:)



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sábado, 28 de janeiro de 2017

'Quem Me Quiser.'

Imagem DAQUI



Quem me quiser há-de saber as conchas
as cantigas dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
à saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no Inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então, não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.


( Poema de Rosa Lobato de Faria )



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domingo, 2 de agosto de 2015

O Poeta Chama-lhe Erotismo...Eu Chamo-lhe Adoração!!

Imagem DAQUI

Poemeto Erótico

Teu corpo claro e perfeito,
 Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...

Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... Flor de laranjeira...

Teu corpo branco e macio,
É como um véu de noivado...

Teu corpo é pomo doirado...

Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...

Teu corpo é a brasa do lume...

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...

É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...

Volúpia da água e da chama...

A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...

Poema de Manuel Bandeira




sexta-feira, 20 de março de 2015

"Amores, Amores"



Não sou eu tão tola

Que caia em casar;

Mulher não é rola

Que tenha um só par:

    Eu tenho um moreno,
Tenho um de outra cor,
Tenho um mais pequeno,
Tenho outro maior.

 

Que mal faz um beijo,

Se apenas o dou,

Desfaz-se-me o pejo,

E o gosto ficou?

    Um deles por graça

Deu-me um, e, depois,

Gostei da chalaça,

Paguei-lhe com dois.

 

Abraços, abraços,
Que mal nos farão?
Se Deus me deu braços,
Foi essa a razão:
    Um dia que o alto
Me vinha abraçar,
Fiquei-lhe de um salto
Suspensa no ar.

 

Vivendo e gozando,

Que a morte é fatal,

E a rosa em murchando

Não vale um real:

    Eu sou muito amada,

E há muito que sei

Que Deus não fez nada

Sem ser para quê.

 

Amores, amores,

Deixá-los dizer;

 Se Deus me deu flores,

Foi para as colher:

    Eu tenho um moreno,

Tenho um de outra cor,

Tenho um mais pequeno,

Tenho outro maior.

 

                João de Deus, in “Campo de Flores”

 

(Antecipando o Dia da Poesia...21 de Março )


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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Pensar Como o Poeta Não Faz de Mim Poetisa...Mas Faz-me Sentir Como Ele Sente!...



São as Pessoas Como Tu

São as pessoas como tu que fazem com que o nada queira dizer-nos algo, as coisas vulgares se tornem coisas importantes e as preocupações maiores sejam de facto mais pequenas.

São as pessoas como tu que dão outra dimensão aos dias, transformando a chuva em delirante orvalho e fazendo do inverno uma estação de rosas rubras.
As pessoas como tu possuem não uma, mas todas as vidas. Pessoas que amam e se entregam porque amar é também partilhar as mãos e o corpo.

Pessoas que nos escutam e nos beijam e sabem transformar o cansaço numa esperança aliciante, tocando-nos o rosto com dedos de água pura, soltando-nos os cabelos com a leveza do pássaro ou a firmeza da flecha.

São as pessoas como tu que nos respiram e nos fazem inspirar com elas o azul que há no dorso das manhãs, nos estendem os braços e nos apertam até sentirmos o coração transformar o peito numa música infinita.

São as pessoas como tu que não nos pedem nada mas têm sempre tudo para dar, e que fazem de nós não ícaros nem prisioneiros, mas homens e mulheres com a estatura da vida, capazes da beleza e da justiça, do sofrimento e do amor.

São as pessoas como tu que, interrogando-nos, se interrogam e encontram a resposta para todas as perguntas nos nossos olhos e no nosso coração. As pessoas que por toda a parte deixam uma flor para que ela possa levar beleza e ternura a outras mãos.

Essas pessoas que estão sempre ao nosso lado para nos ensinar em todos os momentos, ou em qualquer momento, a não sentir o medo, a reparar num gesto, a escutar um violino.

São as pessoas como tu que ajudam a transformar o mundo!

Joaquim Pessoa, in “Ano Comum”