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quinta-feira, 23 de julho de 2026

"A DEUS LEVO NO PEITO UMA MIRAGEM."

 

Imagem da Net.

Partiu Luís Represas. A Deus entregará a miragem que leva no peito, connosco, deixa a sua voz e as letras das suas belas canções.




Até Sempre, caro Luís!


REPOUSE EM PAZ.




segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

 

As Palavras Interditas

Os Navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
Partem no vento, regressam nos rios.


Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.

Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram-se nas esquinas.
Amo-te… E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos noturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

Eugénio de Andrade in As Palavras Interditas


 


sexta-feira, 28 de novembro de 2025

HOMENAGENS A QUEM MERECE - Mª JOÃO BRITO DE SOUSA.

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Poemas não faz quem os quer,

Sonetos que nascem da alma

São versos, que a pessoa

sente e, de tanto os sentir,

não os sufoca nem cala.




Desejo-lhe rápidas e francas melhoras, querida Maria João, para que em breve possa circular pelas ruas do  nosso blogobairro, espalhando toda a luz que irradiam os seus Sonetos.

Um grande beijinho com votos de tudo o que merece:

Saúde, Paz, Serenidade de Espírito, Amizade e Amor.


❤

 ❤ ❤ 

❤  ❤ ❤ 

❤  ❤ ❤  ❤



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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O BAILADOR DE FANDANGO

 

Imagem DAQUI

 

Sua canção fora a Gota,
Sua dança fora o Vira.
Chamavam-lhe “o fandangueiro”.
Mas seu nome verdadeiro
Quando bailava, bailava,
Não era nome de cravo,
Nem era nome de rosa.
- Era o de flor, misteriosa,
Que se esfolhava, esfolhava... 
 
E havia um cristal na vista
E havia um cristal no ar
Quando aquele fandanguista
Se demorava a bailar!
E havia um cristal no vento
E havia um cristal no mar.
E havia no pensamento
Uma flor por esfolhar...
Fandangueiro! Fandangueiro?...
(nem sei que nome lhe dar...)

 


 
 Tinham seus braços erguidos
Nem sei que ignotos sentidos
- leitos de Asa pelo ar...
Quando bailava, bailava,
Não era folha de cravo
Nem era folha de rosa.
Era uma flor, misteriosa
Que se esfolhava, esfolhava...

Domingos Enes Pereira
Do lugar de Montedor...
(O bailador do Fandango
Era aquele bailador!)
Vinham moças da Areosa
Para com ele bailar...
E vinham moças de Afife
Para com ele bailar.
Então as sombras dos corpos,
Como chamas traiçoeiras,
Entrelaçavam-se e a dança
Cobria o chão de fogueiras...

E as sombras formavam sebe...
O movimento as florira...
O sonho, a noite, o desejo...
Ai, belezas de mentira!
E as sombras entrelaçavam-se...
Os corpos, ninguém sabia
Se eram corpos, se eram sombras,
Se era o amor que se escondia...


 Poema de Pedro Homem de Mello 

Poeta português, de seu nome completo Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello, nasceu a 06 de Setembro de 1904, no Porto, e faleceu a 05 de Março de 1984. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi professor de Português e de Literatura Portuguesa no ensino técnico. É autor de uma vasta obra poética (cerca de 25 volumes de poesia),  integrando uma poesia de cunho tradicional.  Apaixonado pelo folclore português escreveu sobre isso vários ensaios e fez vários programas de Rádio e Televisão.

Foi distinguido com o Prémio Antero de Quental  e o Prémio Nacional de Poesia em 1973. A sua obra poética encontra-se compilada em Poesias Escolhidas. Como estudioso do folclore nacional, escreveu "A Poesia na Dança", "Cantares do Povo Português e Danças de Portugal".

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

HAIKUS & BONSAIS.

 

Este Bonsai é artificial, mas é o que tenho.
E não, não o comprei nas lojas de chineses.
 Quando o adquiri,
 ainda nem havia por cá disso!


"Bonsai é o cultivo de uma planta que pode ser uma árvore, arbusto ou trepadeira lenhosa ou semi-lenhosa, cultivada em vasos de pequena profundidade, apesar de ser uma planta de tamanho reduzido expressa toda a beleza e características de uma planta adulta no seu habitat natural. A palavra Bonsai que é uma palavra de origem Japonesa, tem a sua tradução para o português “planta em bandeja ou cultivo em bandeja”.

Existem relatos do cultivo do bonsai a mais de 800 anos na China e Japão, onde eles eram cultivados por pessoas da elite, diferente de hoje, onde é cultivado por pessoas das mais diferentes classes sociais em todo mundo."

Confira AQUI a fonte de onde retirei estes dados.


Como isto da cultura oriental anda tudo ligado, digo eu, como leiga que sou, passo de imediato dos Bonsai para os poemas Haiku.


O haiku é uma forma tradicional de poema japonês. Este tipo de poema obedece a regras, tem apenas uma estrofe, composta por três versos.

Os versos devem ter no seu conjunto 17 sílabas, distribuídas do seguinte modo:

– Cinco sílabas no primeiro verso.

– Sete sílabas no segundo verso.

– Cinco sílabas no terceiro verso.


Como diria Bashô:


"Na minha casa

Pernilongo pequeno

É o que ofereço".


Quem escreve Haikus como poucos o sabem fazer, não  é japonês nem chinês. É espanhol. O meu querido amigo Disancor  fotógrafo/poeta que vive em Don Benito, uma localidade situada na Estremadura. Tenho a honra e o enorme privilégio de ter sido presenteada com uma foto sua e um haiku a mim dedicado.


Esta imagem, coloquei-a há muitos anos ali na lateral direita do blogue. Cliquem nela e, num pulinho, estarão no "Cachos de Vida", agora administrado por um dos seus filhos, usando, contudo, fotos do imenso espólio fotográfico de seu pai.

Completam-se  dez anos, no próximo Dia dos Namorados, que o meu amigo Disan fez ESTA (clique) publicação  para oferecer a todos os enamorados. 

Eis um dos haikus, dessa série, que agora vos trago e comprovam toda a sua sensiblidade e talento. Porém, não deixem de clicar no link e acedam a todo o conjunto de poemas de que até Bashô se orgulharia.


"En mis labios

Carmín de tus besos

Deseo y fuego."


Foto minha


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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

O MELHOR DELE...

 ..................SÃO ELES.

[E, somos todos nós, seus amigos.]




É assim, com o coração nas palavras, que o nosso amigo Rogério Pereira nos fala do livro de poemas  que tão generosamente se dispôs a oferecer a familiares e amigos.

Recebê-lo, e guardá-lo só para mim, seria um acto egoista da minha parte, pelo que  hoje o vou partilhar com todos os visitantes deste meu cantinho.







Apresentado o auto-retrato do autor que, a meu ver,
 apenas retratou uma ínfima parte do seu ser,
escolhi um poema curto, mas muito intenso.
Sei que não vos vai deixar ficar indiferentes.
Como indiferentes não ficamos
aos pedaços da sua 
Alma, 
do seu
 Eu
 e do seu...
 Contrário.

* * * * 

SEGREDO DO VENTO

Um dia o vento sussurrou-me
"Tenho uma nuvem para alugar"
Recusei,
como poderia eu abandonar o mar?

E, assim como tu,
me deitei nele
até que aquela bela onda
me levou...

Hoje não tenho fados tristes!

* * * * 


Muito Obrigada Rogério, a sua inesquecível prendinha, será a jóia poética mais valiosa da minha coroa.

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

NEM TUDO SÃO ROSAS....MAS TODAS AS FLORES SÃO BELAS.

 





"Entre as prendas com que a natureza 
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza 
A beleza das flores realça em primeiro lugar .
(...)
Que uma rosa não é só uma flor 
Uma rosa é uma rosa é uma rosa 
É a mulher rescendendo de amor"

* * * 


Não desmerecendo o que pensou Vinícius
ainda mais eu diria: _
_ as flores serão, todas elas, 
as coisas mais belas, 
vindas em oferendas
de sã Amizade, de luz e de cor!

Não será também a Amizade uma forma de Amor?!

Bem-Hajas, Zé.










Ao fim de tantos anos a receber o teu carinho, envolvido em sardinheiras, cravos, antúrios e begónias, já estava mais do que na hora de lhes dar o devido destaque neste meu/nosso Cantinho de Amigos
Os Ciclamens foram os últimos. Juntamente com as flores que figuram no cabeçalho do blogue.

Que importa dizer quem és?
Eu sei e tu sabes, Zé.
És um bom Amigo
que me oferece flores
de sã Amizade.


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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

QUE IMPORTA A MINHA IDADE?




Que cuántos años tengo?
Qué importa eso
Tengo la edad que quiero y siento
La edad en que puedo gritar sin miedo lo que pienso.
Hacer lo que deseo, sin miedo al fracaso o lo desconocido…
Pues tengo la experiencia de los años vividos
y la fuerza de la convicción de mis deseos.
Qué importa cuántos años tengo! ¡No quiero pensar en ello
Pues unos dicen que ya soy viejo
otros “que estoy en el apogeo”.
Pero no es la edad que tengo, ni lo que la gente dice,
sino lo que mi corazón siente y mi cerebro dicte.
Tengo los años necesarios para gritar lo que pienso,
para hacer lo que quiero, para reconocer yerros viejos,
rectificar caminos y atesorar éxitos.
Ahora no tienen por qué decir:
“Estás muy joven, no lo lograrás!…
Estás muy viejo, ya no podrás!”
Tengo la edad en que las cosas se miran con más calma,
pero con el interés de seguir creciendo.
Tengo los años en que los sueños,
se empiezan a acariciar con los dedos,
las ilusiones se convierten en esperanza.
Tengo los años en que el amor,
a veces es una loca llamarada,
ansiosa de consumirse en el fuego de una pasión deseada.
y otras… es un remanso de paz, como el atardecer en la playa..
Qué cuántos años tengo?
No necesito marcarlos con un número,
pues mis anhelos alcanzados,
mis triunfos obtenidos,
las lágrimas que por el camino derramé al ver mis ilusiones truncadas…
Valen mucho más que eso!
Qué importa si cumplo cincuenta, sesenta o más!
Pues lo que importa: es la edad que siento!
Tengo los años que necesito para vivir libre y sin miedos.
Para seguir sin temor por el sendero,
pues llevo conmigo la experiencia adquirida
y la fuerza de mis anhelos
Qué cuántos años tengo?
Eso!… A quién le importa?
Tengo los años necesarios para perder ya el miedo
y hacer lo que quiero y siento!!
Qué importa cuántos años tengo.
o cuántos espero, si con los años que tengo,
aprendí a querer lo necesario y a tomar, sólo lo bueno!




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Eu, que nunca consegui ler um livro Dele, de princípio ao fim, mas que adoro a sua poesia, vinte anos depois do Nobel, homenageio José Saramago,
 com humildade e gratidão!
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Obrigada, Poeta/Escritor
 por este poema tão belo e que, hoje, tanto me diz!
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Por favor, não fiquem apenas pela leitura do poema.
Oiçam-no, na bela voz de Miguel Angel Andrín e sintam cada palavra.


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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

VEJAM BEM....





Três décadas após a sua partida, é tempo de pensar como ele pensou e verbalizou: "Temos é que ser gente, pá!"




                                            


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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

VISLUMBRES ( outonais )


A horas flébeis, outonais  
Por magoados fins de dia  
A minha Alma é água fria 
Em ânforas d'Ouro... entre cristais... 


Mário de Sá-Carneiro, in  “Indícios de Oiro”








                                                                         

                                                                       

* Fotografia e respectiva legenda, da autoria do meu querido Amigo MFC, do Blog de Fotografia: “Pé de meia…”  

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