Foi um daqueles dias em que a chuva miudinha e persistente me soube bem. É nestes dias primaveris e mornos que gosto de ler poesia, mas não de escrever. Escrever, não implica a ideia de ser poeta ou escritor, escrever apenas, seja lá o que for. Até podem ser umas linhas em caderno, à laia de diário. Até para isso tem de haver vontade, disposição. Não a tive. Lembro-me bem.
Estávamos em tempos de confinamento.
Neste dia todas as saudades me procuraram,
nenhuma faltou.
Ninguém soube disso, a ninguém contei.
Senti uma dor forte, dilacerante.
Um sentimento de perda.
De quê, de quem? Não sei.
Mas, sei que neste dia, alguém,
em algum lugar, desistiu de mim,
me abandonou.
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