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sexta-feira, 23 de setembro de 2022

AS MARGENS DO RIO DAS NOSSAS VIDAS.

 

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A TERCEIRA MARGEM.

 Guimarães Rosa foi avisado por uma cigana: «Vais morrer quando realizares a tua maior ambição»

   Coisa estranha: com tantos deuses e demónios que este homem tinha dentro de si, era, no entanto, um cavalheiro muito formal. A sua maior ambição consistia em que o nomeassem membro da Academia Brasileira de Letras.

   Quando o designaram, ele inventou desculpas para adiar a sua entrada. Inventou desculpas durante anos: a saúde, o tempo, uma viagem...

   Até ter decidido que já eram horas.

   Realizou-se a cerimónia solene e, no seu discurso, Guimarães Rosa disse: «As pessoas não morrem. Ficam encantadas.»

   Três dias depois, numa tarde de Domingo, ao voltar da missa, a mulher encontrou-o morto.

Texto de Eduardo Galeano, transcrito do seu livro: "Dias e Noites de Amor e de Guerra".

Pág. 167

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João Guimarães Rosa foi um poeta, diplomata, novelista, romancista, contista e médico brasileiro, considerado por muitos o maior escritor brasileiro do século XX e um dos maiores de todos os tempos. 

[Informação recolhida na Wikipédia]




( Foto minha)

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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Era Uma Vez...


...Um gladíolo solitário... que vivia triste, num jardim tão triste e desprovido de graça, que até a sua pouca graça se perdia na  triste desgraça de ter sobrevivido aos seus iguais. Em tempos idos, teve o seu período de esplendor. Todos os seus irmãos foram fenecendo na terra dura e faminta de carinho e alimento. Ano após ano, os bolbos mirravam sem ânimo nem força para irromper do solo  para ver a luz do sol. Só ele, estoicamente, resistiu e lá foi florescendo.






Naquela manhã, chuvosa, de um Verão que teimava em confundir-se com a sua parente ainda distante chamada Outono, deixou -se cair por terra. Valeu-lhe alguém, que tanto veste a pele de cordeiro como mostra os dentes de lobo mau, com doses iguais de  carrasco e benfeitora, que ao vê-lo tombado se condoeu, e, com alguns laivos de ternura, o levou para mais perto de si.









Mas, oh, bendita Natureza... um pequeno insecto, tão solitário e triste quanto ele, bebia, no interior do seu cálice,  as pequenas gotículas de chuva abençoada. Aquela água que havia caído das nuvens e o tombou, matava a sede do pequenino ser sequioso e carente.
Porém, a ingratidão faz parte de todos seres vivos. Mal se sentiu observado e satisfeito, o vil insecto verde levantou voo para sitio incerto. 

Caros Leitores & Amigos, qual acham que poderá ser a moral desta história de (des)encantar?          

                                               :)  :)  :)



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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Dançando Com A Diferença.

Telmo Luís Ferreira é um jovem madeirense que, na sua infância, passou fome, sofreu maus tratos e foi obrigado a pedir esmola pelas ruas de Câmara de Lobos. Se ao fim do dia não levasse para casa determinada importância era espancado. Mas, apesar de tudo o que sofreu, Telmo tornou-se numa inspiração de perseverança, trabalho e afecto para muitas pessoas.
Saiba mais     AQUI      e       AQUI





                                    Não deixe de ver este interessante vídeo...

....Vale a pena!!

          

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domingo, 22 de janeiro de 2017

O Revisor de Livros Sobe a Calçada.



Sobe a rua e pensa nos netos, o Francisco e o Manuel. Sorri de pequena felicidade e não deixa de caminhar. Um pouco ofegante, agora; mas tenciona parar, um pouco mais acima, na barbearia do Cosme, com quem gosta de conversar de livros e de cultura. O Cosme é um barbeiro antigo e culto, dos quase desaparecidos, barba e cabelo impecavelmente feitos. Conhecem-se desde tempos quase imemoriais, quando havia polícia política, prisões cheias de recalcitrantes e pessoas desavindas em turbilhão. Às vezes, ele pensa: os antigos estão a desaparecer, de velhos e de doenças, é assim. Ele continua a ler. De preferência Emile Zola e os portugueses Ferreira de Castro e Alves Redol. Conheceu os dois, e chegou a rever provas de tipografia de textos de ambos. Nessa altura, a mulher ajudava-o, mas ela morrera de doença súbita, e ele ficara só, desorientado e sem saber como prosseguir. Mas prosseguiu com ardor e mais afã. O trabalho ocultava um pouco a dor de se sentir só. Os filhos, três, tinham a sua vida, e mais que fazer do que aturar um velho agarrado à sua solidão e à sua velhice.
     Há três semanas começou a sentir dificuldade em caminhar. Pensou que era uma dificuldade momentânea. Disse ao Cosme, e o Cosme sorriu, benevolente e atencioso. “Estás velho. Estamos velhos. Eu também sinto dificuldades em andar, mas que posso fazer?”
     Mais um pouco e lá chegaria. Ofegante e com as pernas doentes e dolentes, lá chegou. Os velhos chegam sempre é preciso é querer chegar. Um dia destes vai escrever uma história de velhos que nunca chegam ao destino, mas que persistem. O Cosme está à porta da barbearia. Esperava pelo amigo e assistira à sua caminhada dificultosa. Agora iam beber um café ou uma cerveja, tanto faz.
     Agora sente que envelheceu. Melhor, que está a envelhecer. Esquece-se de muita coisa e, sobretudo, de títulos de livros e do rosto de muita gente. Esquecer é um modo de matar ou de estar morto. A vida. Aprendeu que a vida é também isto. E sorri.


Crónica de Baptista-Bastos, que li recentemente e me disse muito. Tudo o que aqui está transcrito veio de encontro aquilo que me tem ocupado o pensamento de há um tempo a esta parte. A vida é também isto...e sorrio.

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A JOVEM IMPERATRIZ E EU...

...Com o carinho de quem estes doces me ofereceu...




Quando, no início dos anos sessenta, vi o primeiro filme sobre a linda história de amor entre a jovem imperatriz Sissi - figura interpretada pela lindíssima actriz Romy Schneider - e o imperador Francisco José, da Áustria, estava longe de imaginar que um dia...



...alguém, que me é muito querido, me ofertaria chá e chocolates, oriundos de Viena. Sei que são apenas guloseimas, mas o velho sentimento de romantismo e ilusão foi reavivado, e a minha doce adolescência, voltou, tomando conta de mim de uma forma avassaladora.
Quem disse que as histórias de amor, sonhadas, podem, com o passar do tempo, ficar mortas e enterradas?...Poder, podem, mas renascem, quando alguém nos traz o passado juvenil de volta. :)


                                        
                                        Lembram-se??

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quarta-feira, 25 de maio de 2016

DESABAFOS...

Um destes dias no supermercado aqui da minha zona de residência, ao aproximar-me da caixa para efectuar o pagamento dos legumes que tinha ido buscar, numa corrida, já que a necessidade deles era premente (não se pode fazer sopa sem legumes) fugiram-me os olhos para uma pequena caixa de madeira onde brilhavam, em lugar de destaque, uns quantos quilos de cerejas, como se de ouro se tratasse, estrategicamente colocadas ao lado da funcionária.
À oferta que me foi feita: - «não deseja levar meio quilinho delas? são as primeiras deste ano!»  Quando fui informada do preço a que estava o quilinho delas, ( 8,00 € ) declinei a oferta, retorquindo que iria esperar que ficassem mais doces e em conta, já que o desejo de as comer não era muito grande. lol
Na vinda para casa ocorreu-me uma anedota que me fez sorrir e me atenuou o sentimento de frustração...


-- Uma dona de casa encontra uma amiga e desabafa num lamento:

          --  Ó filha, não se pode comprar nada. A carestia da vida está pla hora da morte. Está tudo altíssimo...nem se lhe pode chegar!.

Responde a outra num tom resignado

         --  Olha, filha, queres um conselho? Faz como eu. Compra um escadote!!


E não é que foi verdade?



Imagens da Net



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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Teias Invisíveis Que Vão Aprisionando e Destruindo.

Imagem DAQUI

O maltrato subtil

Num qualquer dia, numa qualquer cidade, num qualquer país, nasceu uma linda menina, cujos olhos maravilhosos observavam tudo em redor.
Quando começou a andar pela cidade, as pessoas disseram-lhe que, para ser bonita, tinha de usar vestidos bonitos. E ela deixou de se sentir bonita quando não tinha posto um vestido bonito.
Quanto à cor da pele, aconselharam-na a mudá-la, para ser mais bonita, e ensinaram-na a maquilhar-se. A partir desse dia, a menina nunca mais se sentiu bonita se não estivesse maquilhada.
Outro reparo que lhe fizeram foi relativo à altura. Se não fosse mais alta, não seria bonita. A menina começou, então, a usar saltos altos, com grande sacrifício. Aliás, se não calçasse sapatos de tacão, sentia-se sempre baixa e insignificante.
Claro que para ser bonita tinha de ser magra. Assim, nunca mais pôde comer aquilo de que gostava sem se sentir sempre culpada.

E também lhe falaram do cabelo, da cintura, do peito. Deste modo, a menina começou a sentir-se tão feia que todos os dias despendia mais tempo e fazia mais sacrifícios para se sentir um pouco mais bonita.

Acabou por estragar a pele por causa da maquilhagem diária, por deformar os pés por causa dos saltos altos, que usava constantemente, e por ficar debilitada para poder continuar magra segundo os padrões que lhe exigiam.
Tinham-lhe ensinado a não gostar de si como era e a usar sempre artifícios para ser digna do apreço dos outros.

Até que chegou o dia em que começou a ter medo de que os outros descobrissem como era realmente. Sentindo-se feia, apaixonou-se por um rapaz que a tratava como se não fosse digna dele, atitude que ela achou normal. Sentindo-se feia e sem conseguir aceitar-se, passou a permitir que a maltratassem.

Nota: Nunca te esqueças de que a verdadeira beleza é uma atitude, e de que és sempre uma pessoa lindíssima quando és autêntica.
Diego Jiménez