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| Este era o Negrito. O gato mais dócil que já pisou estes domínios. Depois dele, mais nenhum felino passou do umbral da porta. Hoje, sem contar, encontrei o seu olhar cor de esmeralda. |
Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem.
Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa
Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos.
Manuel António Pina.
"Os Gatos"

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