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DAQUI |
O quarto encontrava-se completamente às escuras. O
vento e a chuva fustigavam as janelas. Estava deitada na cama a ouvir a tempestade, de olhos fechados, respirando um ar pesado, sufocante, tapada apenas com um fino lençol.
Na sua mente teimava em passar, como num filme, a
imagem de alguém que não conhecia, mas à qual havia dado uma identidade.
Ilusória, sabia, tanto mais que não conseguia dar-lhe forma, apenas se delineavam
traços de uma personalidade forte. Ah, aquela voz extraordinariamente doce e profunda... O equívoco na chamada telefónica que não lhe era destinada roubara-lhe noites
de sono transformando-as em pesadelos.
Soltando um suspiro resignado e simultaneamente decidido,
eliminou aquele número maldito que teimava em dançar na frente dos seus olhos.
Sentia a pele escorregadia de suor.
Com um ruído surdo fechou bruscamente o livro.
Raio de vida aquela. Maldita obsessão a sua por romances em que
imaginava sempre que a personagem central, uma bela e solitária mulher, vivia
na incessante procura do homem ideal…que poderia perfeitamente, ser ele... e nunca era!...
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