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quinta-feira, 8 de maio de 2025

AQUI , TENHO SIDO E SEREI SEMPRE FELIZ...

 


É entre os amigos mais fiéis e leais, que me sinto bem! Sou eu que os escolho, outros, são-me oferecidos. Se gosto dou continuidade à leitura com a aquisição de novas obras. Caso contrário, arrumo-o no rol dos esquecidos. É muito raro tal acontecer, porém, aconteceu recentemente com o W. H. Mãe. Aguentei-o até ao fim, mas não repeti a experiência.

Já com a Freida McFadden, essa danadinha para o suspense, já li sete e possuo dez, isto em poucos meses!

Comecei com "Nunca Mintas", por sugestão de um amigo disto dos blogues, que tinha uma rubrica com o título 'Um Livro por Semana' e desde que comecei nunca mais a larguei. 

Todas as minhas leituras têm tido uma fase quase  obsessiva. Foi assim com Paul Auster, Elizabeth George, Nicci French, a fase romântica de Nicholas Sparks e Sveva Casati Modignani e, ainda muito jovem, com a minha escritora favorita Pearl Buck e a suas extraordinárias experiências de vida, vividas na China. Isto sem contar com os por vezes enfadonhos, mas obrigatórios, clássicos.

Enfim, toda esta conversa para dizer-vos que a "Porta Trancada" é o meu ópio actual!!!

Fiquem bem, que eu bem fico!





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domingo, 12 de novembro de 2023

REEDIÇÃO DO DESAFIO COM MENOS ACERTOS DE QUE HÁ MEMÓRIA NA HISTÓRIA DOS DESAFIOS... 🤔

 Partindo do princípio de que não haverá mais participantes, decidi ficar por aqui com este Enigma.
A bem da verdade, confesso que me considero feliz e contente pelos valorosos quatro amigos que, sem olhar a esforços, meteram mãos à obra e levaram a bom termo e a um porto seguro as suas tentativas.

Não era fácil chegar ao livro somente pela pesquisa através do monitor de pesquisas do Google. Simplesmente, porque este foi o primeiro livro de um escritor anónimo nos meios literários. Alguém que, em boa hora, perpetuou para todo o sempre a sua experiência enquanto militar na famigerada Guerra do Ultramar. Depos do lançamento deste livro outros se seguiram. Dividindo o autor o seu talento entre a Poesia e os Contos para a infância.

Lamento a pouca nitidez da foto.
Desculpa, Rogério.
O ratinho ficou alí para segurar a capa teimosa!




É com orgulho que exibo a dedicatória do autor,
que faz o favor de ser meu Amigo há mais de uma década.
 

O excerto que apresentei para apreciação dos leitores encontrá-lo-ão na Página 123. Digo-o para quem quiser ir conferir, uma vez que muitos bloggers possuem o livro.



(clique)
o lançamento deste primeiro livro do Rogério V. Pereira,

 também ele autor do blog 


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Agradeço sensibilizada toda a atenção que dispensam a estes Desafios e, neste caso, um agradecimento especial aos quatro Vencedores.
Assim, e tal como o fiz no post anterior, aqui vai:


Um 😊 e uma 🌺 para a Teresa...
do blog Ematejoca

Um 😘 e uma 🌼 para o Pedro... 

Um  🤗 e uma 🌺 para a Rosa dos Ventos...

E para a Catarina, a nossa Contempladora Ocidental,
vai um ☀️ radioso- uma 🌷- um 🤗 e um 😘.

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Para os que se empenharam e não conseguiram, bem como para todos os amigos que por aqui passaram deixando as sua simpáticas palavras, o meu abraço de apreço e gratidão.
Foram eles/as:

O Rycardo, que tanto se esforçou.
Muito Obrigada!👍 

A Elvira Carvalho
(Óptima participante , mas que infelizmente não se encontra a 100%)

E todos os demais que sem se esforçarem,
 merecem igualmente o meu agradecimento:
🙏  😋 

António - Fatyly - José (500) - 
Tintinaine e a Manu ( que se esforçou um pouquinho)

Beijos e Abraços e até breve!!










sábado, 10 de setembro de 2022

CRIANCICES OU FASES DA VIDA DE TODOS NÓS.

 💜 💛 💚 💙


Texto da página 20


O UNIVERSO VISTO PELO BURACO DA FECHADURA (I)


 Valéria pede ao Pai que vire o disco. Explica-lhe que Arroz con leche* vive no outro lado.

   Diego conversa com o seu companheiro interior, que se chama Andrés e é o seu esqueleto.

   Fanny conta que hoje mergulhou com a sua amiga no rio da escola, que é muito fundo, e que lá embaixo era tudo transparente e viam os pés das pessoas grandes, as solas dos sapatos.

   O Cláudio agarra num dedo de Alejandra e diz «empresta-me o dedo» e mergulha-o na caçarola de leite que está ao lume, porque quer saber se não está muito quente.

   Do quarto, a Florência chama-me e pergunta se sou capaz de tocar no nariz com o lábio de baixo.

   Sebastián propõe que fujamos num avião, mas avisa-me de que é preciso ter cuidado com os serámofos e com a hécile.

   Mariana, no terraço, empurra a parede, que é o seu modo de ajudar a Terra a girar.

   Patrício segura um fósforo aceso entre os dedos e sopra a chamazinha que nunca se apagará.

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* Canção tradicional infantil. (N.T.)




Nota da administradora do espaço:
Caros Amigos, visitantes e leitores que me acompanham nesta jornada blogueira. Como podem constatar recuei no número das páginas do livro que ando a ler e pensei partilhar convosco alguns textos, não todo o conteúdo do livro, obviamente. E recuei porquê?
Pois para vos mostrar que este é um livro especial, feito de textos e narrativas escritas pelo seu autor, durante o exílio. Não aquilo que alguns de vós pensasteis quando leram a Adenda que introduzi na primeira publicação acerca desta obra. O que une estes textos aparentemente dispersos, é a vontade do autor: Eduardo Galeano, cristalizar os dias intermináveis e as noites passadas em claro, onde entre a censura e o cadafalso escolheu Amar e Lutar.
Por favor, não deixem de exprimir as vossas opiniões de acordo com os textos que forem sendo apresentados.
Muito Obrigada pelo vosso tempo e atenção. 

 💜 💛 💚 💙

sábado, 3 de setembro de 2022

DOS SONHOS.

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SONHOS (I)


Os corpos, abraçados, vão mudando de posição enquanto dormimos, olhando para aqui, olhando para acolá, a tua cabeça sobre o meu peito, a minha coxa sobre o teu ventre, e ao girarem os corpos vai girando a cama e giram o quarto e o mundo.

 «Não, não», explicas-me, julgando estar acordada. «Já não estamos aí. Mudámo-nos para outro país enquanto dormíamos»


Página 45

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 SONHOS (II)


   Eu contava-te histórias de quando era pequeno e tu vía-las acontecer na janela.

   Vias-me em miúdo a andar pelos campos e vias os cavalos e a luz e tudo se movia suavemente.

   Então apanhavas uma pedrinha verde e brilhante do peitoril da janela e apertava-la no punho. A partir desse momento eras tu quem brincava e corria na janela da minha memória e atravessavas, galopando, os prados da minha infância e do teu sonho, com o meu vento na tua cara.


Página 217


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 SONHOS (III)


Acordaste, agitada, a meio da noite:

   - Tive um sonho horrível. Conto-o amanhã, quando estivermos vivos. Quero que já seja amanhã. Porque não fazes do agora amanhã? Como gostaria que já fosse amanhã.



Página 261


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Breve nota da autora do blog: Como se pode constatar pela numeração de páginas destes textos poéticos, não há uma sequência nem coordenação de temas, apesar do autor do livro - "DIAS E NOITES DE AMOR E DE GUERRA" lhes atribuir o mesmo título.  Assim são feitas as nossas memórias. Voam, leves e soltas, ao sabor dos ventos que habitam na nossa alma. 




🍁🍁🍁🍁🍁🍁 🍁🍁🍁🍁🍁🍁

 


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terça-feira, 30 de agosto de 2022

MARIA PADILHA.

 💙 💛 💚 💜 💙 💚 💛 💜


Livro que ando a ler e irei partilhando algumas passagens
com os meus estimados leitores.


INTRODUÇÃO À TEOLOGIA (I)


    Naqueles dias descobri Maria Padilha.

Ela nascera nas favelas do Rio e, em poucos anos, invadiu os bairros pobres do norte da cidade.

   Tinha o tamanho de uma mulher.

   Vestia meias de seda e uma saia muito curta, com uma racha que lhe mostrava a liga e lhe despia as coxas, e uma blusa justa, meio aberta, por onde lhe saltava o peito. Estava coberta de pulseiras e de colares que os fiéis lhe ofereciam. E entre os dedos de longas unhas vermelhas segurava um cigarro americano com filtro. 

   A figura de cera de Maria Padilha guardava as portas das lojas de umbanda. Mas onde ela realmente vivia era nos corpos das suas sacerdotisas dos terreiros. Maria Padilha entrava nessas mulheres e, a partir delas, ria-se às gargalhadas, bebia, fumava, respondia às consultas, dava conselhos, desfazia maus-olhados e até era capaz de seduzir o Diabo para conseguir que ele ajudasse quem estivesse a precisar.

   Maria Padilha, deusa maldita, puta divinizada, encarnava nas mulheres que eram, na vida real, putas profissionais. Elas encarnavam-se a si próprias, de certa forma, mas ao contrário. Cada cerimónia era um ritual de dignidade.

   Achavam que eu era uma cabra? Sou uma Deusa!

                              💙 💚 💛 💜

[Texto transcrito do livro "DIAS E NOITES DE AMOR E DE GUERRA" da autoria de Eduardo Galeano.]
Tradução de Helena Pitta.
Página 58

ADENDA: Obra nascida da repressão no Uruguai, escrita durante o exílio do autor "Dias e Noites de Amor e de Guerra" é um poderoso testemunho do quotidiano em tempos de fascismo, da máquina do medo que silencia os povos e da coragem de quem recusa calar-se. Os Contos e as crónicas de Eduardo Galeano são o espelho da sua própria vida: belos mas assombrosos, heterogéneos mas nunca dispersos. Celebração da vitalidade e perseverança de um Continente inteiro, em linhas de uma invulgar sensibilidade histórica e mestria expressiva, esta obra resgata do esquecimento, companheiros, amantes e desconhecidos, os mortos e os vivos, pessoas de todas as matizes que sofreram a diáspora, penúria e repressão dos «anos de chumbo» da América Latina.



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quarta-feira, 13 de julho de 2022

"De Memória nos Fazemos"... *

 

...diz, Violante Reis Saramago Matos.



Quando me apercebi da entrevista já esta ia adiantada. Ainda assim, consegui gravar pouco mais de sete minutos de uma conversa deliciosamente lúcida, desassombrada e de uma dignidade e tranparência que me desvaneceu. 

Gravei para poder rever mais tarde, mas agora, quando estava a fazê-lo, decidi partilhar com os meus leitores e amigos. Sobretudo, para os que não vêem TV  a esta hora. Também não tenho por hábito, contudo, ainda bem que liguei o aparelho e me sentei a descansar. Conhecer o Nobel português da Literatura, através dos olhos e do coração da sua única filha, valeu por quaisquer crónicas que sejam escritas por quem quer que seja.  Falo por mim e pela boa impressão que esta grande senhora me causou, óbvio.




* Título do livro de Violante Saramago que desejo ler, e recomendo.


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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

HÁ SEMPRE UM AMANHÃ

 Li este livro há muitos anos.
  A cada passo me deparo com frases ou poemas, escritos por pessoas que vivem fases de desânimo, sem esperança no futuro. 
Eu própria me sinto muitas vezes assim...


...É nessas alturas que me lembro deste romance maravilhoso, escrito por uma romancista brilhante, que me acompanhou nas diversas fases da minha vida.

*  *  *  *

Recomeçar permanentemente o itinerário da Vida, é um dever e um direito de todo o ser humano.
Só assim valerá a pena vir ao mundo, ter nascido...







quarta-feira, 6 de outubro de 2021

"À Flor da Pele"

 


Comprei este livro em Outubro de 2002, como poderão ver na foto que se segue, mas não o comprei para enfeitar a estante. Li-o sofregamente como de resto fazia sempre que comprava ou me ofereciam livros. Foram tempos em que os blogues ainda não faziam parte da minha vida...absorvendo-me as ideias e o tempo. Mas, como quem corre por gosto nunca se cansa, cá vou continuando e, embora não tenha deixado a leitura de parte, leio muito menos. Em contrapartida, tenho aprendido a partilhar as coisas que me encantam e a não me envergonhar de exteriorizar os meus sentimentos, além de ir  espalhando beijos e abraços,  ah - os abraços - como diria um bloguer do meu blogobairro. 😊 Coisa antes para mim impensável, tratando-se de pessoas que nunca vi na vida,(algumasnem sequer por fotografia, imagine-se!... 



Vou dar-vos um cheirinho do enredo. Coisa pouca, mas suficiente para suscitar o interesse dos leitores que apreciem  este género literário, pleno de mistério e suspense.

*   *   *

Zoe, é uma jovem professora atraente, recém-chegada à grande cidade.  

Jennifer, é uma ex-manequim actualmente transformada em mãe e esposa modelo. 

Nadia, é uma mulher irrepreensível e livre, animadora de grupos de crianças.

Vivendo em lugares diferentes de Londres, debatendo-se com os seus problemas e acalentando sonhos próprios, estas três mulheres têm apenas uma coisa em comum: um potencial assassino que as persegue, sádica e doentiamente.

À medida que o calor do Verão se vai começando a sentir, estas mulheres começam a receber cartas revelando que estão a ser observadas, estudadas, amadas...até à morte.

Todas elas, a princípio, dirão que as cartas são ridículas, depois incomodativas, depois aterradoras e, finalmente, subjugantes...

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Perguntar-se-hão os mais curiosos, porque razão veio este livro à baila e não qualquer um outro? Simples, porque o retirei hoje da prateleira mais alta desta estante e, tenciono voltar à sua leitura. Porque razão hei-de comprar livros se tenho em casa alguns de que já não me lembro bem de todos os pormenores da história? É que dezanove anos, não são dezanove dias...

Há um outro pormenor curioso acerca do nome dos autores, que só esclareço caso haja algum leitor/a interessado e eventualmente o não saiba.


FIQUEM   BEM   E   SEJAM   FELIZES...!! 


❤ ❤ ❤



sábado, 2 de outubro de 2021

SÓ VIVENDO SE APRENDE A VIVER.

 

Fonte  da foto.

"Naquela tarde, em véspera de jogo, Jujú Chuteirinho convocou-me. O seu semblante era sério, solene. Manuseava um varapau como se fosse uma lapiseira gigante.

   - Estás a ver a pequena área?, perguntou fazendo uns rabiscos na areia.

  Os rabiscos complicaram-se ilustrando, enquanto falava, a minha evolução caótica pelo relvado. depois, voltou a reforçar o traço num pequeno quadrado:

   - Faz de conta que a pequena área é uma miúda . Sim, uma miúda, uma gaja. É preciso descascá-la, acariciá-la, beijá-la. Mas, depois... depois...

  - Sim, depois?, inquiri eu, meio adormecido pelo riscar da madeira na areia.

  - Depois..., depois pergunto eu: Depois, no momento decisivo, é preciso o quê?

Era óbvia a alusão do Mestre Jujú, o melhor treinador de todos os tempos. Para mim, porém, a metáfora tinha-me escapado. O amor não tem «depois». O amor é o tempo inteiro consumindo-se no instante.

Uma vez mais a poesia me tinha fintado. Pode haver um Mister para as artes da bola. Mas o único treinador para as lides da Vida, somos nós mesmos."


Curto excerto do conto "Fintado  Por Um Verso" um dos que fazem parte deste livro.


Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955. Foi jornalista e professor. Actualmente, é biólogo e escritor.

Em 2011 venceu o Prémio Eduardo Lourenço, que se destina a premiar o forte contributo de Mia Couto para o desenvolvimento da Língua Portuguesa.

Em 2013 foi galardoado com o Pémio Camões e em 2014 com o Prémio norte-americano Neustadt.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

ARREPENDO-ME....

 ........por me ter adentrado nos recantos mais recônditos do sótão, em demanda das "Vinhas...da Ira"

Ao abrir caixas e caixotes de velhos livros cheios de ácaros, encontrei vários dos meus autores preferidos.

GGM, Jorge Amado, Pearl Buck, Erico Veríssimo,  Hemingway, Eça de Queiroz, Camilo... dois livros de António Damásio.

 De Steinbeck, só encontrei A Leste do Paraíso. 

Arrependo-me...

.... porque fui remexer em lembranças que me surgiam na forma de pequenas notas por mim manuscritas, pensamentos e mágoas, que me apeteceu destruir, mas voltei a guardar para serem encontradas, um dia, por alguém que não eu, ou então, destruidas sem que sejam lidas.

Arrependo-me....

.... porque encontrei um par de pequenas botas de criança e umas sandalinhas minúsculas, uma gaiola para grilos, um pianinho, bonecas, livros infantis, carrinhos em miniatura e...a colecção de latas de bebidas de tudo quanto havia, até de Israel, onde a avó foi em passeio, e se lembrou da colecção que o neto fazia...

Cada um seguiu o seu caminho, e ninguém se quis desfazer das lembranças... 

Deitei tudo para uma das buracas laterais e desci as escadas com a Françoise Sagan,  à Trela...



                                                    Este, pelo aspecto, sem ácaros.

                                               Irei ler e depois conto-vos como foi....


                                                       

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domingo, 21 de junho de 2020

Diploma De Inocência.



Tante Mien é toda em redondos e os cinquenta e dois anos pesam-lhe por todo o corpo, com excepção talvez do rosto, cuja pele guarda certa frescura, e dos olhos que, mau grado um consumo moderado mas constante de vieux e citroentje,* brilham ainda como que a denunciar por detrás deles uma vivacidade e uma malícia a que a lentidão dos gestos, e a banalidade da sua conversa, provavelmente servem de capa.

Boa dona de casa e péssima cozinheira, a rotina dos seus dias é invariável, quebrada somente por duas semanas de férias no Inverno  -  sozinha, em Rimini – e duas semanas no Verão com oom Bertus em Torremolinos.

A diferença entre essas duas vilegiaturas mediterrânicas parece residir apenas no facto de que, ao voltar da Itália, inevitavelmente se afirma revigorada (« Sinto-me outra! »). Como ou por que razões nunca ela o disse, nem ninguém ainda lho perguntou.

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 * Citroentje é um curioso eufemismo que, à letra, significa «limãozinho», mas designa simplesmente a genebra aromatizada com limão e adoçada com açúcar. Permite bebedeiras genuínas, mas dá a quem a bebe um diploma de inocência. Como cognac é termo registado e protegido por lei, vieux é a designação do comércio holandês para o conhaque a que não pode dar o nome original. Sem primar pela qualidade, o seu preço é razoável. Note-se que cerca de 80% do custo de cada garrafa de bebidas de elevado teor alcoólico reverte para o fisco.


A minha leitura de momento


Nota: Texto e nota explicativa do autor, transcritos do livro que a imagem documenta. A foto do moinho - como sabe a maioria dos que me visitam - é minha, ou seja, foi-me enviada por gente minha. Bem como a de cabeçalho. :)



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domingo, 17 de novembro de 2019

São das Pequenas Coisas Que Se Constrói Uma Vida.


"Título sugestivo. Mas pela experiência que as minha leituras
de G.G. Marquez, já me conferiram,
 este será 'mais' um bom e delirante livro

de pequenas situações, porque afinal,
são das pequenas coisas

que se faz uma vida."




Escreveu esta dedicatória num livro do autor referido acima, e me foi oferecido num Natal já distante, o meu filho, então estudante  na Universidade do Minho.

Foi sendo a sua vida construída aos poucos, feita de pequenos/grandes sucessos e algumas frustrações, mas, mercê da sua força de vontade, persistência e determinação - a tal resiliência, hoje tão em voga - conseguiu alcançar  os seus objectivos pessoais e profissionais. Não foi fácil, sofreu reveses, mas a luta tornou-o mais forte.

Quando eu, hoje, ao tentar colocar alguma ordem na desordem em que convivem livros já lidos e relidos, com outros meio-lidos ou ainda por ler, encontrei esta preciosidade, já de folhas amarelecidas pelo tempo. 
Comovi-me com a lembrança desse Natal distante, em que as esperanças dos meus filhos em alcançar os seus objectivos, eram as minhas esperanças, e a sua luta era a minha luta.

Comovi-me também com a desventura da pobre e jovem Cândida Erêndira - que continuou a correr, com o colete de ouro, mais além dos ventos áridos do deserto e dos entardeceres de nunca acabar. Jamais se voltou a ter a menor notícia dela nem se encontrou o vestígio mais ínfimo da sua desgraça. 

Tampouco por aqui se encontrará. Talvez, um dia, quando os meus descendentes forem remexer nas caixas empoeiradas, cheias de velhos livros, no sótão, encontrem, feita em pó, cinza e nada, a Velha e Desalmada Avó, que deu origem à Incrível e Triste História
escrita pelo autor de «Cem Anos de Solidão.».




quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Já Fui Feliz Aqui. [ L ]




Se houver alguém a quem possa parecer difícil que se possa ser feliz com a leitura de um livro, garanto eu que não é! Eu fui muito feliz com a leitura e, sobretudo, com a aquisição deste, há muito, muito tempo atrás. 

Como curiosidade - se isso não vos parecer muita presunção da minha parte -, há como que uma predestinação de falar sobre este livro de cinco em cinco anos.

Se não acreditam vejam, e já agora leiam a história, AQUI  publicada pela primeira vez, vai para dez anos, e passados cinco anos AQUI.

Ora, se fizerem a conta constatam que, agora,  passaram mais cinco anos.
Pura coincidência, é certo, mas lá que me dá que pensar, isso dá!





domingo, 8 de janeiro de 2017

Os Velhos Marinheiros ou...

...A Completa Verdade sobre as Discutidas Aventuras do Comandante Vasco Moscoso de Aragão, Capitão de Longo Curso.




 Deste seu personagem diz o autor:


« (…) O Comandante Vasco Moscoso de Aragão prova, no romance que lhe dediquei, que o homem é capaz de comandar o seu destino. A figura do comandante e sua história nasceram de uma lembrança de infância: era vizinho de um tio meu, em Salvador, um comerciante aposentado, imaginoso contador de acontecidos, conhecedor dos factos da história do Brasil e da história universal, mentiroso de grande categoria.
       Nos domingos, eu vinha do internato dos jesuítas, almoçar em casa de meu tio – passava as manhãs ouvindo o comerciante contar factos históricos de mentir; afirmava ter sido marinheiro na sua juventude, tendo percorrido os sete mares, naufrágios, tempestades, rixas, amores.»


Suponho que a maioria, senão a totalidade, dos visitantes e amigos deste meu Cantinho, já tenham lido este romance de Jorge Amado que ocupa lugar de grande destaque na trajectória literária do escritor. 

Aproveitando o dia soalheiro e ocioso, resolvi dar uma arrumação nos meus livros, e  decidir quais os que iriam subir ao sótão, para o merecido repouso e descanso das minhas mãos sempre inquietas e invasivas.

Afinal, este, que foi o primeiro a ser posto de lado, ainda vai ficar no piso de baixo e na prateleira da estante onde se encontrava. Ah, como é difícil separarmo-nos das nossas antigas viagens e sonhos...:)





segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Somos Solidão!...

                                           
                                                                               

Parabéns, Zé Manel! 

Hoje lembrei-me de ti e dos teus "Rabiscos", com muita saudade.

Quem em teus olhos seja sempre Vida!

Beijos meus.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

"VINHO MÁGICO"

Esta deliciosa história é-nos contada por uma garrafa de “Fleurie 1962”, um vinho vivo e tagarela, alegre e um pouco impertinente, com um acentuado sabor a amoras.

Livro e foto minha! 


Jay  Mackintosh, em tempos um escritor de sucesso, encontra-se em crise, leva uma vida sem sentido e entrega-se à bebida.

Até ao dia em que abandona Londres e se instala em França, na aldeia de Lansquenet ( a mesma aldeia que serviu de cenário a “Chocolate”, o primeiro romance de Joanne Harris ).

A partir daí a sua vida vai modificar-se, por acção da solitária Marise – que esconde um terrível segredo por detrás das persianas sempre fechadas - e das recordações que guarda de Joe, um velho muito especial, que lhe ofereceu essa garrafa de propriedades invulgares e misteriosas…


Ainda não leram? Então, leiam! Será mais uma excelente companhia durante as vossas férias deste verão… J





quinta-feira, 9 de abril de 2015

O Tejo, o Douro e o Guadiana.

Imagem DAQUI
 
O rio Douro corre quase sempre num leito apertado em altas montanhas, como se tivesse aberto caminho apressadamente, rompendo todos os obstáculos. Mesmo junto à cidade do Porto passa em rápida corrente, ansioso por chegar à foz.
Imagem DAQUI
 
O Tejo, ao entrar em Portugal, parece retardar a marcha para contemplar as campinas que lhe bordam as margens. Em frente da cidade de Lisboa, espraia-se à vontade, e é difícil distinguir onde acaba o rio e começa o mar.
 
Imagem DAQUI
 
O Guadiana, em quase todo o percurso, desliza entre aprazíveis campos, tranquilamente. Ao chegar a Vila Real de Santo António, parece que parou a contemplar maravilhas, e é o Oceano que o vem ali buscar.
Estas diferenças entre os três rios inspiraram ao nosso povo uma graciosa lenda.
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Lá quase da outra banda da Espanha, nasceram três irmãos em serranias agrestes. Mal abriram os olhos para o céu, viram passar as nuvens e perguntaram-lhes de onde vinham.
­- Vimos do mar, que é nosso pai e vosso avô— responderam elas.
-- E é lindo o mar?
-- Tão lindo que, de dia tem a cor do céu, e, de noite, parece ter ainda mais estrelas do que o firmamento
-- E é grande?
-- Tamanho que todos os rios a correr nunca o enchem, e todas as nuvens a beber-lhe a água não o esgotam nunca.
-- Havemos de ir ver o mar…
Combinaram os três que, na manhã seguinte, abalariam a caminho do Atlântico.
O Guadiana mal dormiu durante a noite, a sonhar com o avô. E, madrugador, apenas o sol doirou o cimo da sua montanha, esfregou os olhos e começou a caminhada. Como tinha tempo foi escolhendo os caminhos mais belos e deleitosos. Dizia consigo: -- Vamos vendo, e o mar que espere!
O Tejo acorda depois, e dá pela falta de um dos irmãos. Põe-se a correr veloz, para não chegar tarde, e quase não escolhe caminho. Mas, ao entrar em Portugal, pensa lá consigo que já deve ter muito avanço, e, então, lembra-se de gozar as campinas e até de se espreguiçar por largas margens, antes de se lançar nos braços do avô.
O Douro, esse, deixou-se adormecer. Já o Sol ia alto, quando acordou estremunhado e se viu só. Nem esfregou os olhos: Ele aí vai por montes e vales, furando por desfiladeiros, saltando por penedias, de precipício em precipício, na ânsia de chegar. Nem quer saber das belezas que dos cimos espreitam.
E, assim, foi ele quem, sujo e enlameado, chegou primeiro.  
 
 
 
Nota: Texto transcrito deste livro, que tive a sorte de reencontrar, à venda numa estação dos CTT, numa edição recente de alguns dos meus livros de leitura do ensino primário. Um tesouro inestimável!
Tenho a certeza que muitos de vós também se lembram destas preciosas lições, em prosa e em verso...