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domingo, 17 de novembro de 2019

São das Pequenas Coisas Que Se Constrói Uma Vida.


"Título sugestivo. Mas pela experiência que as minha leituras
de G.G. Marquez, já me conferiram,
 este será 'mais' um bom e delirante livro

de pequenas situações, porque afinal,
são das pequenas coisas

que se faz uma vida."




Escreveu esta dedicatória num livro do autor referido acima, e me foi oferecido num Natal já distante, o meu filho, então estudante  na Universidade do Minho.

Foi sendo a sua vida construída aos poucos, feita de pequenos/grandes sucessos e algumas frustrações, mas, mercê da sua força de vontade, persistência e determinação - a tal resiliência, hoje tão em voga - conseguiu alcançar  os seus objectivos pessoais e profissionais. Não foi fácil, sofreu reveses, mas a luta tornou-o mais forte.

Quando eu, hoje, ao tentar colocar alguma ordem na desordem em que convivem livros já lidos e relidos, com outros meio-lidos ou ainda por ler, encontrei esta preciosidade, já de folhas amarelecidas pelo tempo. 
Comovi-me com a lembrança desse Natal distante, em que as esperanças dos meus filhos em alcançar os seus objectivos, eram as minhas esperanças, e a sua luta era a minha luta.

Comovi-me também com a desventura da pobre e jovem Cândida Erêndira - que continuou a correr, com o colete de ouro, mais além dos ventos áridos do deserto e dos entardeceres de nunca acabar. Jamais se voltou a ter a menor notícia dela nem se encontrou o vestígio mais ínfimo da sua desgraça. 

Tampouco por aqui se encontrará. Talvez, um dia, quando os meus descendentes forem remexer nas caixas empoeiradas, cheias de velhos livros, no sótão, encontrem, feita em pó, cinza e nada, a Velha e Desalmada Avó, que deu origem à Incrível e Triste História
escrita pelo autor de «Cem Anos de Solidão.».




quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Já Fui Feliz Aqui. [ L ]




Se houver alguém a quem possa parecer difícil que se possa ser feliz com a leitura de um livro, garanto eu que não é! Eu fui muito feliz com a leitura e, sobretudo, com a aquisição deste, há muito, muito tempo atrás. 

Como curiosidade - se isso não vos parecer muita presunção da minha parte -, há como que uma predestinação de falar sobre este livro de cinco em cinco anos.

Se não acreditam vejam, e já agora leiam a história, AQUI  publicada pela primeira vez, vai para dez anos, e passados cinco anos AQUI.

Ora, se fizerem a conta constatam que, agora,  passaram mais cinco anos.
Pura coincidência, é certo, mas lá que me dá que pensar, isso dá!





domingo, 8 de janeiro de 2017

Os Velhos Marinheiros ou...

...A Completa Verdade sobre as Discutidas Aventuras do Comandante Vasco Moscoso de Aragão, Capitão de Longo Curso.




 Deste seu personagem diz o autor:


« (…) O Comandante Vasco Moscoso de Aragão prova, no romance que lhe dediquei, que o homem é capaz de comandar o seu destino. A figura do comandante e sua história nasceram de uma lembrança de infância: era vizinho de um tio meu, em Salvador, um comerciante aposentado, imaginoso contador de acontecidos, conhecedor dos factos da história do Brasil e da história universal, mentiroso de grande categoria.
       Nos domingos, eu vinha do internato dos jesuítas, almoçar em casa de meu tio – passava as manhãs ouvindo o comerciante contar factos históricos de mentir; afirmava ter sido marinheiro na sua juventude, tendo percorrido os sete mares, naufrágios, tempestades, rixas, amores.»


Suponho que a maioria, senão a totalidade, dos visitantes e amigos deste meu Cantinho, já tenham lido este romance de Jorge Amado que ocupa lugar de grande destaque na trajectória literária do escritor. 

Aproveitando o dia soalheiro e ocioso, resolvi dar uma arrumação nos meus livros, e  decidir quais os que iriam subir ao sótão, para o merecido repouso e descanso das minhas mãos sempre inquietas e invasivas.

Afinal, este, que foi o primeiro a ser posto de lado, ainda vai ficar no piso de baixo e na prateleira da estante onde se encontrava. Ah, como é difícil separarmo-nos das nossas antigas viagens e sonhos...:)





segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Somos Solidão!...

                                           
                                                                               

Parabéns, Zé Manel! 

Hoje lembrei-me de ti e dos teus "Rabiscos", com muita saudade.

Quem em teus olhos seja sempre Vida!

Beijos meus.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

"VINHO MÁGICO"

Esta deliciosa história é-nos contada por uma garrafa de “Fleurie 1962”, um vinho vivo e tagarela, alegre e um pouco impertinente, com um acentuado sabor a amoras.

Livro e foto minha! 


Jay  Mackintosh, em tempos um escritor de sucesso, encontra-se em crise, leva uma vida sem sentido e entrega-se à bebida.

Até ao dia em que abandona Londres e se instala em França, na aldeia de Lansquenet ( a mesma aldeia que serviu de cenário a “Chocolate”, o primeiro romance de Joanne Harris ).

A partir daí a sua vida vai modificar-se, por acção da solitária Marise – que esconde um terrível segredo por detrás das persianas sempre fechadas - e das recordações que guarda de Joe, um velho muito especial, que lhe ofereceu essa garrafa de propriedades invulgares e misteriosas…


Ainda não leram? Então, leiam! Será mais uma excelente companhia durante as vossas férias deste verão… J





quinta-feira, 9 de abril de 2015

O Tejo, o Douro e o Guadiana.

Imagem DAQUI
 
O rio Douro corre quase sempre num leito apertado em altas montanhas, como se tivesse aberto caminho apressadamente, rompendo todos os obstáculos. Mesmo junto à cidade do Porto passa em rápida corrente, ansioso por chegar à foz.
Imagem DAQUI
 
O Tejo, ao entrar em Portugal, parece retardar a marcha para contemplar as campinas que lhe bordam as margens. Em frente da cidade de Lisboa, espraia-se à vontade, e é difícil distinguir onde acaba o rio e começa o mar.
 
Imagem DAQUI
 
O Guadiana, em quase todo o percurso, desliza entre aprazíveis campos, tranquilamente. Ao chegar a Vila Real de Santo António, parece que parou a contemplar maravilhas, e é o Oceano que o vem ali buscar.
Estas diferenças entre os três rios inspiraram ao nosso povo uma graciosa lenda.
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Lá quase da outra banda da Espanha, nasceram três irmãos em serranias agrestes. Mal abriram os olhos para o céu, viram passar as nuvens e perguntaram-lhes de onde vinham.
­- Vimos do mar, que é nosso pai e vosso avô— responderam elas.
-- E é lindo o mar?
-- Tão lindo que, de dia tem a cor do céu, e, de noite, parece ter ainda mais estrelas do que o firmamento
-- E é grande?
-- Tamanho que todos os rios a correr nunca o enchem, e todas as nuvens a beber-lhe a água não o esgotam nunca.
-- Havemos de ir ver o mar…
Combinaram os três que, na manhã seguinte, abalariam a caminho do Atlântico.
O Guadiana mal dormiu durante a noite, a sonhar com o avô. E, madrugador, apenas o sol doirou o cimo da sua montanha, esfregou os olhos e começou a caminhada. Como tinha tempo foi escolhendo os caminhos mais belos e deleitosos. Dizia consigo: -- Vamos vendo, e o mar que espere!
O Tejo acorda depois, e dá pela falta de um dos irmãos. Põe-se a correr veloz, para não chegar tarde, e quase não escolhe caminho. Mas, ao entrar em Portugal, pensa lá consigo que já deve ter muito avanço, e, então, lembra-se de gozar as campinas e até de se espreguiçar por largas margens, antes de se lançar nos braços do avô.
O Douro, esse, deixou-se adormecer. Já o Sol ia alto, quando acordou estremunhado e se viu só. Nem esfregou os olhos: Ele aí vai por montes e vales, furando por desfiladeiros, saltando por penedias, de precipício em precipício, na ânsia de chegar. Nem quer saber das belezas que dos cimos espreitam.
E, assim, foi ele quem, sujo e enlameado, chegou primeiro.  
 
 
 
Nota: Texto transcrito deste livro, que tive a sorte de reencontrar, à venda numa estação dos CTT, numa edição recente de alguns dos meus livros de leitura do ensino primário. Um tesouro inestimável!
Tenho a certeza que muitos de vós também se lembram destas preciosas lições, em prosa e em verso...
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

FICÇÃO E REALIDADE.


 
Só a perseguição genial e aterradora de um psicopata revelou quão sós, impotentes e desprotegidos podemos estar.
 
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"Estou lá, mesmo no centro de tudo. Invisível. Fico à sua frente e ela sorri-me de um modo muito próprio, franzindo os olhos. Ri-se das minhas piadas. Põe a mão no meu ombro. Deu-me um beijo na cara: um beijo doce, seco, que queimou a pele. Deixa que os seus olhos se encham de lágrimas e não as limpa. Já não confia em muitas pessoas, mas confia em mim. Sim, confia totalmente em mim. Enquanto estou com ela não posso rir-me. As gargalhadas avolumam-se dentro de mim, como uma bomba.

É forte, resistente; verga mas não quebra. Não desmoronou. Mas eu sou forte. Sou mais forte do que ela, mais forte do que qualquer pessoa. Sou mais esperto, mais esperto do que aqueles parvos que farejam à procura de pistas que não existem. E sou paciente. Consigo esperar o tempo que for preciso. Observo e espero e, dentro de mim, rio-me."
 
Este é um dos pensamentos bastantes frequentes de uma personagem, deste  livro que  li há uns anos atrás e hoje me apeteceu reler na diagonal, ou seja, folheando-o e relendo as partes em que este assassino, aparentemente inofensivo, se revela a nós, leitores, através dos seus pensamentos calculistas, mas que as futuras vítimas descobrem tarde demais. O propósito porque o fiz nem sequer tem qualquer interesse especial. Tão pouco tem qualquer relação com psicopatas. Apenas me pus a pensar no perigo que significa quando imaginamos erradamente conhecer alguém, que tem o condão de nos deixar com a sensibilidade "à flor da pele"!
 
                                                                 

 
 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

"A Carta de Pequim" by Pearl Buck.



Como constatei que, para além de mim, mais nenhum blogger leu este livro, ou se o leu, ele não consta como favorito na lista de preferências de qualquer dos  bloggers  que habitam a blogosfera,  vou tentar fazer-lhes um  breve resumo.
 
E, tal como à mulher de César não basta ser séria, também a mim não basta dizer que este foi o primeiro livro que  li desta autora, e que o tenho há mais de 40 anos. Como tal, tenho que o demonstrar, ilustrando o post com estas imagens! Posso dizer-vos que o considero a minha jóia da coroa.:)
 

 
Conta a história de dois jovens, ela norte-americana,  ele de ascendência chinesa por parte da mãe e americano pelo lado paterno, que se apaixonam, casam e vão viver para Pequim.
A vida deles lá é bastante atribulada, devido à Revolução e à consequente ditadura comunista. Mais tarde, e já com um filho, ela é obrigada a voltar para a América, mas ele é forçado, pelo regime, a continuar na China.
Os anos passam e ela vê-se confrontada com o drama de educar um filho, chinês/ americano, num meio rural onde o preconceito racista estava fortemente arreigado no espírito das pessoas. Para além disso, é o próprio rapaz que renega fortemente o seu lado chinês. Até que um dia ela recebe uma carta do marido, vinda de Pequim, onde ele lhe comunica ter sido intimado a escolher outra mulher. Já não bastava ele jurar lealdade ao regime, tinha de repudiar todo o seu lado estrangeiro e, só dessa forma, poderia ter alguma garantia de continuar vivo.
Nesta imagem já pode ver-se melhor a "idade" do livro, creio!

No final, acaba por ser morto quando tentava evadir-se do país para se juntar aos amores da sua vida: a mulher americana e o filho de ambos.
Será que fiz bem em contar esta parte? :(
Este é um romance escrito de forma simples e sem grandes pretensões, mas que me marcou profundamente, quiçá, por ser ainda muito jovem e sonhadora!
Esta fabulosa escritora, viveu muitos anos na China e grande parte da sua obra é dedicada à vida e à cultura deste povo. Depois deste maravilhoso livro, adquiri e li,  mais tarde,  a trilogia "Terra Bendita", "Os Filhos de Wang Lung" e "Casa Dividida". Muitos mais, de sua autoria, se seguiram!
Este post é uma reedição de uma das minhas primeiras publicações, com algumas adições ao texto e ilustrado com as fotos.
Não tenho muito jeito para descrever literatura nem filmes, já que não sou jornalista nem escritora, assim como tenho consciência que  tampouco sou dotada de grande capacidade para a escrita, pese embora o meu gosto em escrever.:)

 
 
 
 
 
 
 
 

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sonhos Possíveis...!

Ver um sonho concretizado é algo que me deixa num estado de puro encantamento. Tive hoje a alegria de sentir que um sonho, fruto de muito trabalho, esforço e dedicação, se materializou! Eu já o sabia, mas ainda não tinha sentido, nas minhas mãos, a prova palpável e concreta disso.
Refiro-me ao livro da autoria de Rogério Pereira, do blog "Conversa Avinagrada", que tenho, aqui, na minha frente.  Acompanhei grande parte desse trajecto literário, partilhado pelo autor com tantos amigos que o acompanharam e incentivaram a seguir em frente, quando surgiam alguns - raros - momentos de desânimo.
Parabéns Rogério! Pelo sonho tornado realidade.

O meu muito OBRIGADA, pela linda dedicatória e por ter incluído algumas palavras minhas no seu Prefácio.

"Almas Que Não Foram Fardadas" é  o testemunho vivo, contado na primeira pessoa, de acontecimentos verdadeiramente emocionantes, vividos em Angola durante a guerra colonial, que aconselho vivamente os meus leitores e amigos a não perder.



"No Silêncio dos Olhos"


Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?



Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?

José Saramago
 in Os Poemas possíveis

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

LEVIATHAN...E COINCIDÊNCIAS...

Foi durante o ano de 1996 que tive o meu período  Paul Auster! As minhas leituras foram sempre muito pragmáticas. Leio um livro de determinado autor e durante meses, já para não dizer anos, não sinto apetência por mais nenhum. E vou lendo e lendo sempre o mesmo autor até quase à exaustão. Já assim foi com Gabriel Garcia Marquez, Joanne Harris, Patrick Redmond, Jorge Amado, Elisabeth George e tantos outros. Quantas e quantas tardes de sábado passei na FNAC, de um Centro Comercial bem conhecido da cidade do  Porto, a procurar novos romances do autor eleito, no momento. Depois que a Net e os blogues entraram na minha vida a leitura passou para segundo plano.
Contrariamente àquilo que possa parecer não venho falar de literatura apenas. Hoje ao arrumar uns livros na prateleira de uma estante, soltou-se uma folha com algumas anotações de dentro do romance Leviathan do escritor acima referido. Costumo anotar alguns parágrafos ou frases quando elas vêm de encontro a algo que se enquadra na minha própria vida ou por qualquer motivo me deslumbram especialmente.  Da página 120 retirei esta frase: "Diz-se que uma máquina fotográfica pode roubar a alma a uma pessoa".

Da página 30 anotei um parágrafo que me fez lembrar de uma das minhas aventuras mais ousadas e solitárias de toda a minha vida. Tudo isto com uma data: 02/ 09/ 96 a 08/09/96.

 "Não foi por pensar que podia realizar alguma coisa lá, mas porque sabia que não seria capaz de viver consigo mesmo se não fosse." 

E fui pois, e li exaustiva e teimosamente Paul Auster e ouvi Nat King Cole e vi o Templo de Diana e  a Capela dos Ossos... Sozinha...mas fui! Ai...Évora...Évora!


A Máquina Fotográfica
É na câmara escura dos teus olhos
Que se revela a água
Água imagem, água nítida e fixa
Água paisagem
Boca, nariz cabelos e cintura
Terra sem nome
Rosto sem figura
Água móvel nos rios
Parada nos retratos
Água escorrida e pura
Água viagem trânsito hiato.
Chego de longe. Venho em férias. Estou cansado.
Já suei o suor de oito séculos de mar
O tempo de onze meses de ordenado
Por isso, meu amor, viajo a nado
Não por ser português mal empregado
Mas por sofrer dos pés e estar desidratado.

Chego. Mudo de fato. Calço a idade
Que melhor quadra à minha solidão
E saio a procurar-te na cidade
Contrastada violenta negativa
Tu a única sombra murmurada
Única rua mal iluminada
Única imagem desfocada e viva.
Moras aonde eu sei.
É na distância
Onde chego de táxi.
Sou turista
Com trinta e seis hipóteses no rolo
Venho ao teu miradouro ver a vista
Trago a minha tristeza a tiracolo.
José Carlos Ary dos Santos
Imagens da NET


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