Vamos recordá-lo? Ei-lo:
terça-feira, 10 de outubro de 2023
SÓ PORQUE VALE A PENA RELEMBRAR E RECORDÁ-LA NO SEU CENTENÁRIO...
quinta-feira, 19 de maio de 2022
EM TEMPOS DE GUERRA...FALEMOS DE PAZ.
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Ontem, ao ver na RTP1, um episódio da série "Três Mulheres" que retrata a fase algo conturbada do pós Revolução e dos seus efeitos na vida de Natália Correia, Snu Abecassis e Maria Armanda (Vera Lagoa), lembrei-me de trazer um poema sobre a Paz, escrito pelo furacão feito de fogo e de lava, que foi esta Poetisa. Mulher desempoeirada e sem papas na língua. Falo de Natália Correia, obviamente!
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Natália Correia |
Ode À Paz
Pela verdade,
pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos,
pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa
passar a Vida!
quarta-feira, 3 de março de 2021
Poderia Ter Sido Eu....
....Mas foi Natália Correia quem escreveu, o texto e o poema.
Acho que a missão da mulher é assombrar, espantar. Se a mulher não espanta... De resto, não é só a mulher, todos os seres humanos têm que deslumbrar os seus semelhantes para serem um acontecimento.
Temos que ser um acontecimento uns para os outros. Então a pessoa tem que fazer o possível para deslumbrar o seu semelhante, para que a vida seja um motivo de deslumbramento. Chama-se a isso sedução, cumpri aquilo que me era forçoso fazer.
O meu primeiro contacto com as pessoas é de uma grande afabilidade. Quando as pessoas recusam essa afabilidade, então eu dou-lhes o que elas me pedem: irascibilidade.
Volto-lhes as costas, irascivelmente, mais nada.
Se é isso mau génio?...Talvez seja.
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Mas eu, suavizo a minha irascibilidade oferecendo-vos flores. |
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
Quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
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sábado, 12 de dezembro de 2020
Um Soneto Por Semana. # 9
domingo, 22 de maio de 2016
"Mãos Feridas Na Porta D'um Siilêncio"
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Estranhos Dias Treze.
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Imagem da Net. |
Ora foi num dia treze
Em seu bíblico lugar de dor
Minha mãe deu por completas
as letras de meu teor
Porque para acabar o mundo
era precisa a minha mão
do azul calafetado
caí nas facas do chão
Machucada de nascida,
da minha sofrida região
pus-me a levantar o mapa
em ponto de exclamação
Assim na câmara escura
de cada privada saliência
meus olhos se revelaram
negativos da ausência
Soube que o tempo é uma luva
antissética que o infinito
calça para joeirar
sem contágio o nosso trigo
daí o amor ser o meio
do homem dividido em dois
e a pior metade é estarmos
à espera de sermos depois
Soube que quando a amargura
nos gasta a pintura aparece
a cor que teriam os olhos
de um deus apócrifo se viesse
não refulgente ou teologal
tampouco suspensa espada
mas ocasional como vestir
uma camisa lavada
porque a vida é a ocupação
do único espaço disponível
para o possível amanhã
da nossa véspera impossível
e o sidéreo, adeus mistério
é um queijo de paciência
para a gulodice da terra
(e não perdi a inocência)
Soube coisas que sabê-las
foi eu ir ficando nua
como no apocalipse uma última
pedra vestida de lua
como no fim do mundo um lírico
verme a recomeçá-lo
a beber estrelas e peixes
pelo seu estreito gargalo
Como eu em amorosa
posição de cana erecta
a pescar no indizível
o sinónimo de poeta