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Fonte da imagem. |
terça-feira, 15 de abril de 2025
A TODOS DESEJO UMA FELIZ SEMANA SANTA!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
DIVAGANDO SOBRE O TEMPO.
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Pôr-do-sol - Oferta do meu amigo Zé da Luz. |
"O Tempo"
O despertador é um objeto abjeto.
Nele mora o Tempo. O Tempo não pode viver sem
[nós, para não parar.]
E todas as manhãs nos chama freneticamente como um velho
paralítico a tocar a campainha
atroz.
Nós
é que vamos empurrando, dia a dia, a sua cadeira de rodas.
Nós, os seus escravos.
Só os poetas
os amantes
os bêbados
podem fugir
por instantes
ao Velho…
Mas que raiva impotente dá no Velho
quando encontra crianças a brincar de roda
e não há outro jeito senão desviar delas
a sua cadeira de rodas!
Porque elas, simplesmente, o ignoram…
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Poema de Mário Quintana.
Considerado o “poeta das coisas simples”, Mário Quintana,
é reconhecido actualmente como um dos maiores nomes da literatura brasileira.
quinta-feira, 21 de março de 2024
_______________CRAVOS HÁ MUITOS.
___________Fonte da imagem
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024
AS COISAS FINDAS MUITO MAIS QUE LINDAS...ESSAS, FICARÃO!
MEMÓRIA
[Poema de Carlos Drummond de Andrade]
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
DA SAUDÁVEL LOUCURA.
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Gente Com RaçaQue gente loucaQue anda por aí à soltaMatando e morrendoPor um pedaço de terra!Que loucura é estaDe gente que coabitaCom seu irmão apátridaSem eira nem beiraDormindo ao relentoTendo como companheiraA lua cheiaE a berma da estradaComo travesseira!Gente ciganaGente com raçaQue recomeçaDia após diaNova caminhadaE se faz à estradaAo romper da auroraDespido de tudoVestido de nada!Gente ciganaQue parte contenteE que alegra a genteDa minha cidadeAo som da guitarraSeu modo de vidaGente excluídaMas que não é diferenteDe ti, meu irmão!...
Poema da Poetisa Maria Noémia Ribeiro da Cunha 'in' "A Densidade do Silêncio"
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terça-feira, 21 de março de 2023
POR DETRÁS DO HORIZONTE
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Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.
"Despedida" de Cecília Meireles
[ Não minha, por enquanto.]
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domingo, 22 de janeiro de 2023
CHOVE EM BARCELONA.
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Roberto Bolaño
(Santiago do Chile, 28 de Abril de 1953 — Barcelona, 15 de Julho de 2003) |
terça-feira, 6 de setembro de 2022
O NOSSO INTERLÚDIO.
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Intermezzo
Hoje não posso ver ninguém:
sofro pela Humanidade.
Não é por ti.
Nem por ti.
Nem por ti.
Nem por ninguém.
É por alguém.
Alguém que não é ninguém
mas que é toda a Humanidade.
Poema de António Gedeão
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domingo, 28 de agosto de 2022
DA MIOPÍA E OUTROS DEMÓNIOS.
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Hoje os olhos são míopes
E eu um assassino dentro do teu corpo.
Há palavras de sangue caídas
Ao meu lado.
Mas sorvo mesmo assim essas imagens densas
Enquanto o esforço sobe o nevoeiro
E tu não te arrependes de me levares contigo
Atraiçoado.
quinta-feira, 19 de maio de 2022
EM TEMPOS DE GUERRA...FALEMOS DE PAZ.
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Ontem, ao ver na RTP1, um episódio da série "Três Mulheres" que retrata a fase algo conturbada do pós Revolução e dos seus efeitos na vida de Natália Correia, Snu Abecassis e Maria Armanda (Vera Lagoa), lembrei-me de trazer um poema sobre a Paz, escrito pelo furacão feito de fogo e de lava, que foi esta Poetisa. Mulher desempoeirada e sem papas na língua. Falo de Natália Correia, obviamente!
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Natália Correia |
Ode À Paz
Pela verdade,
pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos,
pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa
passar a Vida!
quinta-feira, 24 de março de 2022
DAR ABRIGO AO ABANDONO.
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Ruína
“Um monge descabelado me disse no caminho: Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: Digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo”.
E o monge calou-se descabelado”.
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Nasceu a 19 de Dezembro de 1916,
Faleceu a 13 de Novembro de 2014,
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
SÃO LÁGRIMAS, SENHOR!
Deixo chorar a minh'almaQuando a saudade me invadeNão sei se é da minhainfânciaSe da mocidadeperdida...Talvez nem eu mesma saibaDo que é que sintoSaudade...
AQUI Encontram o Autor da foto que captou a atracção da borboleta
pela flor do cardo-asnil...
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AQUI O devido crédito à fonte onde fui beber a informação sobre a flor.
terça-feira, 30 de novembro de 2021
"Um Bichinho Que Só Se Vê Ao Microscópio...
... põe uma civilização de pernas para o ar."
Disse o poeta, autor do poema:
Lisboa Ainda
Lisboa não tem beijos nem abraçosNão tem risos nem esplanadasNão tem passosNem raparigas e rapazes de mãos dadas.
Tem praças cheias de ninguémAinda tem sol mas não temNem a gaivota de Amália nem canoa.
Sem restaurantes, sem bares, nem cinemasAinda é fado ainda é poemasFechada dentro de si mesma ainda é Lisboa.
Cidade abertaAinda é Lisboa de Pessoa alegre e tristeE em cada rua deserta,ainda resiste.
Manuel Alegre
(Março de 2020)
O bicho mau não és tu
Inofensivo caracol
Pois tudo aquilo que queres
É pôr teus pauzinhos ao sol.
Um ser calmo e solitárioPasseias-te lentamenteProcurando uma parceiraTer crias como toda gente.
Tantas voltas dá o mundoOnde é que isto vai parar?Nas voltas das variantesFicamos de pernas p'ró ar.
Mas como disse o poeta
Que faz a cidade grande
O povo nunca desiste
Mesmo andando lentamente
Assim como tu caracol
Vai seguindo sempre em frente
Dá luta ao bicho.
- Resiste! -
🐌🐌🐌🐌🐌🐌🐌
domingo, 15 de agosto de 2021
A COMOÇÃO DO CORONEL... COITADINHO!!
Eu que me comovo
Por tudo e por nada
Deixei-te parada
Na berma da estrada
Usei o teu corpo
Paguei o teu preço
Esqueci o teu nome
Limpei-me com o lenço
Olhei-te a cintura
De pé no alcatrão
Levantei-te as saias
Deitei-te no banco
Num bosque de faias
De mala na mão
Nem sequer falaste
Nem sequer beijaste
Nem sequer gemeste,
Mordeste, abraçaste
Quinhentos escudos
Foi o que disseste
Tinhas quinze anos
Dezasseis, dezassete
Cheiravas a mato
A sopa dos pobres
A infância sem quarto
A suor, a chiclete
Saíste do carro
Alisando a blusa
Espiei da janela
Rosto de aguarela
Coxa em semifusa
Soltei o travão
Voltei para casa
De chaves na mão
Sobrancelha em asa
Disse: fiz serão
Ao filho e à mulher.
Repeti a fruta
Acabei a ceia
Larguei o talher
Estendi-me na cama
De ouvido à escuta
E perna cruzada
Que de olhos em chama
Só tinha na ideia
Teu corpo parado
Na berma da estrada...
....Eu que me comovo
Por tudo e por nada.
domingo, 18 de julho de 2021
NO RESCALDO DOS DIAS.
Hoje, voltas o rosto à tua vida presente
Não suportas os olhares e o julgamento de quem possa pensar seres tu, o que não és.
Mas, se às vezes, sem querer,
o teu olhar cruza
com o meu _
Vejo no fundo dos teus olhos um lago sereno e profundo. Aí, jaz a alma agonizante,
de uma Mulher que ainda respira, mas
já morreu.
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Nota: O postal tem o meu nome porque fui eu que o fotografei para participar numa rubrica de Bilhetes Postais. Tinha por título "Dia Do Postal Ilustrado". Quem quiser recordar pode clicar, aqui e aqui. Creio que muitos de vós ireis gostar de rever os vossos Bilhetes Postais.
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terça-feira, 15 de junho de 2021
ENTRE A LUZ E A TORMENTA.
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Foto minha |
Às vezes entre a tormenta,quando já humedeceu,raia uma nesga no céu,com que a alma se alimenta.E às vezes entre o torporque não é tormenta da alma,raia uma espécie de calmaque não conhece o langor.E, quer num quer noutro caso,como o mal feito está feito,restam os versos que deito,vinho no copo do acaso.Porque verdadeiramentesentir é tão complicadoque só andando enganadoé que se crê que se sente.Sofremos? Os versos pecam.Mentimos? Os versos falham.E tudo é chuvas que orvalhamfolhas caídas que secam.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro".
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