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terça-feira, 15 de abril de 2025

A TODOS DESEJO UMA FELIZ SEMANA SANTA!

 
Fonte da imagem.










Na sequência do poema de Guerra Junqueiro, dedico, especialmente, esta publicação às mulheres do Médio Oriente. 
Judias, cristãs ou islamitas.  Vivam em Israel ou na Palestina. Em Jerusalém ou na Faixa de Gaza. Todas estão a sofrer, merecem a nossa compaixão e solidariedade.

BOA  PÁSCOA 

❤❤❤❤❤

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

DIVAGANDO SOBRE O TEMPO.

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Pôr-do-sol - Oferta do meu amigo Zé da Luz.


"O Tempo"


O despertador é um objeto abjeto.

Nele mora o Tempo. O Tempo não pode viver sem

[nós, para não parar.]

E todas as manhãs nos chama freneticamente como um velho

paralítico a tocar a campainha

atroz.

Nós

é que vamos empurrando, dia a dia, a sua cadeira de rodas.

Nós, os seus escravos.

Só os poetas

os amantes

os bêbados

podem fugir

por instantes

ao Velho… 

Mas que raiva impotente dá no Velho

quando encontra crianças a brincar de roda

e não há outro jeito senão desviar delas 

a sua cadeira de rodas!

Porque elas, simplesmente, o ignoram…

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Poema de Mário Quintana.

Considerado o “poeta das coisas simples”, Mário Quintana,

é reconhecido actualmente como um dos maiores nomes da literatura brasileira.


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quinta-feira, 21 de março de 2024

_______________CRAVOS HÁ MUITOS.

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Fonte da imagem

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Da braçada de cravos que trouxeste
Quando vieste
Minha linda,
Há um – o mais vermelho e mais ardente –
Que espera ainda ansiosamente
A tua vinda…

Só ele resta agora, entre os irmãos
Já desfolhados…
Só ele espera que piedosas mãos
– As tuas lindas mãos e os teus cuidados –
Lhe dêem, numa pouca d’água clara
E enganadora,
Uma ilusão da vida que animara
O seu vigor d’outrora…

Mas que outro está, da hora em que o cortaste
Ainda em botão!
Murcham-lhe as pétalas e tem curva a haste,
Num grande ponto de interrogação…

Voltado para a porta em que surgiste,
Na noite perturbante em que o trazias,
Parece perguntar porque partiste …
E porque não voltaste, há tantos dias!?…

🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹

Augusto Gil 
"A Fala De Um Cravo Vermelho"

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

AS COISAS FINDAS MUITO MAIS QUE LINDAS...ESSAS, FICARÃO!

 



MEMÓRIA

[Poema de Carlos Drummond de Andrade]


Amar o perdido

deixa confundido

este coração.


Nada pode o olvido

contra o sem sentido

apelo do Não.


As coisas tangíveis

tornam-se insensíveis

à palma da mão


Mas as coisas findas

muito mais que lindas,

essas ficarão.


❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤


sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

DA SAUDÁVEL LOUCURA.

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Gente Com Raça

Que gente louca
Que anda por aí à solta
Matando e morrendo
Por um pedaço de terra!
Que loucura é esta
De gente que coabita
Com seu irmão apátrida
Sem eira nem beira
Dormindo ao relento
Tendo como companheira
A lua cheia
E a berma da estrada
Como travesseira!
Gente cigana
Gente com raça
Que recomeça
Dia após dia
Nova caminhada
E se faz à estrada
Ao romper da aurora
Despido de tudo
Vestido de nada!
Gente cigana
Que parte contente
E que alegra a gente
Da minha cidade
Ao som da guitarra
Seu modo de vida
Gente excluída
Mas que não é diferente
De ti, meu irmão!...


 Poema da Poetisa Maria Noémia Ribeiro da Cunha 'in' "A Densidade do Silêncio"








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terça-feira, 21 de março de 2023

POR DETRÁS DO HORIZONTE

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Por mim, e por vós, e por mais aquilo

que está onde as outras coisas nunca estão,

deixo o mar bravo e o céu tranquilo:

quero solidão.


Meu caminho é sem marcos nem paisagens.

E como o conheces? - me perguntarão.

- Por não ter palavras, por não ter imagens.

Nenhum inimigo e nenhum irmão.


Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.

Viajo sozinha com o meu coração.

Não ando perdida, mas desencontrada.

Levo o meu rumo na minha mão.


A memória voou da minha fronte.

Voou meu amor, minha imaginação...

Talvez eu morra antes do horizonte.

Memória, amor e o resto onde estão?


Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.

(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!

Estandarte triste de uma estranha guerra...)


Quero solidão.


 "Despedida" de Cecília Meireles

[ Não minha, por enquanto.]


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domingo, 22 de janeiro de 2023

CHOVE EM BARCELONA.

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Roberto Bolaño
(Santiago do Chile, 28 de Abril de 1953 — Barcelona, 15 de Julho de 2003) 


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Roberto Bolaño fixou-se em Espanha no final da década de 70, depois de percorrer o México, África e vários países europeus. 
O motivo das viagens foram os oito dias preso por militar na resistência ao governo de Pinochet. 
Mas foi Barcelona que acolheu Bolaño até o ano da sua morte, em 2003. O início foi difícil: solidão, ilegalidade, falta de dinheiro. Trabalhou como lavador de pratos, camareiro, vigilante nocturno, estivador. Até que a literatura lhe proporcionou algum rendimento.
Foi em território espanhol que Bolaño se desenvolveu como escritor, produzindo desenfreadamente contos e romances. Sem abandonar a poesia. Aliás, Bolaño considerava-se, acima de tudo, um poeta.

[Créditos: Gustavo Petter]

***
Ahora paseas solitario por los muelles
de Barcelona.
Fumas un cigarillo negro por
un momento crees que sería bueno
que lloviese.
Dinero no te conceden los dioses
pero sí caprichos extraños.

Mira hacia arriba:
está lloviendo.

Barcelona, vista aérea.
Ao centro a Catedral da Sagrada Família.
Foto que me foi enviada por uma pessoa de família, mas não de sua autoria

****

Agora passeias pelas docas
de Barcelona.
Fumas um cigarro negro e por
um momento crês que seria bom
que chovesse.
Dinheiro não te concedem os deuses
mas sim caprichos estranhos.

Olha para cima:
está chovendo.

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terça-feira, 6 de setembro de 2022

O NOSSO INTERLÚDIO.

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Intermezzo


Hoje não posso ver ninguém:

sofro pela Humanidade.

Não é por ti.

Nem por ti.

Nem por ti.

Nem por ninguém.

É por alguém.

Alguém que não é ninguém

mas que é toda a Humanidade.


Poema de António Gedeão


 ❄️❄️❄️❄️❄️❄️❄️❄️ ❄️❄️❄️❄️❄️❄️❄️❄️


domingo, 28 de agosto de 2022

DA MIOPÍA E OUTROS DEMÓNIOS.

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Hoje os olhos são míopes

E eu um assassino dentro do teu corpo.

Há palavras de sangue caídas

Ao meu lado.

Mas sorvo mesmo assim essas imagens densas

Enquanto o esforço sobe o nevoeiro

E tu não te arrependes de me levares contigo

Atraiçoado.


Autor:
Armando Silva  Carvalho, in "O Amante Japonês".
Poesia Inédita Portuguesa

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quinta-feira, 19 de maio de 2022

EM TEMPOS DE GUERRA...FALEMOS DE PAZ.

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Ontem, ao ver na RTP1, um episódio da série "Três Mulheres" que retrata a fase algo conturbada do pós Revolução e dos seus efeitos na vida de Natália Correia, Snu Abecassis e Maria Armanda (Vera Lagoa), lembrei-me de trazer um poema sobre a Paz, escrito pelo furacão feito de fogo e de lava, que foi esta Poetisa. Mulher desempoeirada e sem papas na língua. Falo de Natália Correia, obviamente!

Natália Correia


Ode À Paz


Pela verdade, 

pelo riso, pela luz, pela beleza,

Pelas aves que voam no olhar de uma criança

Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,

Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,

Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,

Pelas flores que esmaltam os campos, 

pelo sossego dos pastos,

Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,

Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,

Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,

Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,

Pelos aromas maduros de suaves outonos,

Pela futura manhã dos grandes transparentes,

Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,

Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas

Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,

Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,

Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,

Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,

Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,

Abre as portas da História,

deixa

passar a Vida!


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💙💛

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quinta-feira, 24 de março de 2022

DAR ABRIGO AO ABANDONO.

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Ruína

 “Um monge descabelado me disse no caminho: Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: Digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo”. 

E o monge calou-se descabelado”.

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Poema de Manoel de Barros.
Poeta brasileiro.
Nasceu a 19 de Dezembro de 1916,
em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil.
Faleceu a 13 de Novembro de 2014,
em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Estas casas não são ruínas que o tempo e o abandono degradaram.
São casa destruídas por militares russos durante um 
bombardeamento em Mariupol, na Ucrânia.
Não sei se algum dia poderá nascer entre os seus escombros,
a palavra AMOR, um lírio ou qualquer outra flor.
Tenho esperança que algo de bom renasça, sim!

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💙💛




terça-feira, 11 de janeiro de 2022

SÃO LÁGRIMAS, SENHOR!

 



Deixo chorar a minh'alma
Quando a saudade me invade
Não sei se é da minha 
 infância
Se da mocidade
 perdida...

Talvez nem eu mesma saiba
Do que é que sinto
Saudade...

 

AQUI   Encontram o Autor da foto que captou a atracção da borboleta

                pela flor do cardo-asnil...

* * *  

AQUI    O devido crédito à fonte onde fui beber a informação sobre a flor.

 

Já esta flor é uma hortênsia minha


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terça-feira, 30 de novembro de 2021

"Um Bichinho Que Só Se Vê Ao Microscópio...

                                                  ... põe uma civilização de pernas para o ar."

 Disse o poeta, autor do poema:


Lisboa Ainda


Lisboa não tem beijos nem abraços
Não tem risos nem esplanadas
Não tem passos
Nem raparigas e rapazes de mãos dadas.


Tem praças cheias de ninguém
Ainda tem sol mas não tem
Nem a gaivota de Amália nem canoa.


Sem restaurantes, sem bares, nem cinemas
Ainda é fado ainda é poemas
Fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa.


Cidade aberta
Ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste
E em cada rua deserta,
ainda resiste.


 Manuel Alegre

(Março de 2020)


 




O bicho mau não és tu
Inofensivo caracol
Pois tudo aquilo que queres
É pôr teus pauzinhos ao sol.
 
Um ser calmo e solitário
Passeias-te lentamente
Procurando uma parceira
Ter crias como toda gente.

Tantas voltas dá o mundo
Onde é que isto vai parar?
Nas voltas das variantes
Ficamos de pernas p'ró ar.


Mas como disse o poeta 

Que faz a cidade grande

O povo nunca desiste

Mesmo andando lentamente

Assim como tu caracol

Vai seguindo sempre em frente

Dá luta ao bicho.

- Resiste! -



🐌🐌🐌🐌🐌🐌🐌



domingo, 15 de agosto de 2021

A COMOÇÃO DO CORONEL... COITADINHO!!

 "O Sonho" de Pablo Picasso

Eu que me comovo

Por tudo e por nada

Deixei-te parada

Na berma da estrada

Usei o teu corpo

Paguei o teu preço

Esqueci o teu nome

Limpei-me com o lenço

Olhei-te a cintura

De pé no alcatrão

Levantei-te as saias

Deitei-te no banco

Num bosque de faias

De mala na mão

Nem sequer falaste

Nem sequer beijaste

Nem sequer gemeste,

Mordeste, abraçaste

Quinhentos escudos

Foi o que disseste

Tinhas quinze anos

Dezasseis, dezassete

Cheiravas a mato

A sopa dos pobres

A infância sem quarto

A suor, a chiclete

Saíste do carro

Alisando a blusa

Espiei da janela

Rosto de aguarela

Coxa em semifusa

Soltei o travão

Voltei para casa

De chaves na mão

Sobrancelha em asa

Disse: fiz serão

Ao filho e à mulher.

Repeti a fruta

Acabei a ceia

Larguei o talher

Estendi-me na cama

De ouvido à escuta

E perna cruzada

Que de olhos em chama

Só tinha na ideia

Teu corpo parado

Na berma da estrada...

....Eu que me comovo

Por tudo e por nada.

Poema de António Lobo Antunes 




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domingo, 18 de julho de 2021

NO RESCALDO DOS DIAS.

  



Hoje, voltas o rosto à tua vida presente

Não suportas os olhares e o julgamento de quem possa pensar seres tu, o que não és.

Mas, se às vezes, sem querer, 

o teu olhar cruza 

com o meu _

Vejo no fundo dos teus olhos um lago sereno e profundo.  Aí, jaz a alma  agonizante, 

de uma Mulher que ainda respira, mas

já morreu.

 

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Nota:  O postal tem o meu nome porque fui eu que o fotografei  para participar numa rubrica de Bilhetes Postais. Tinha por título "Dia Do Postal Ilustrado". Quem quiser recordar pode clicar, aqui e aqui.   Creio que muitos de vós ireis gostar de rever os vossos Bilhetes Postais.


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terça-feira, 15 de junho de 2021

ENTRE A LUZ E A TORMENTA.

 

Foto minha


Às vezes entre a tormenta,
quando já humedeceu,
raia uma nesga no céu,
com que a alma se alimenta.

E às vezes entre o torpor
que não é tormenta da alma,
raia uma espécie de calma
que não conhece o langor.

E, quer num quer noutro caso,
como o mal feito está feito,
restam os versos que deito,
vinho no copo do acaso.

Porque verdadeiramente
sentir é tão complicado
que só andando enganado
é que se crê que se sente.

Sofremos? Os versos pecam.
Mentimos? Os versos falham.
E tudo é chuvas que orvalham
folhas caídas que secam.


 Fernando Pessoa, in "Cancioneiro".



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