Mostrar mensagens com a etiqueta EM TUDO HÁ POESIA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta EM TUDO HÁ POESIA. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

DOS MILAGRES.

 

A ÁGUA DE LOURDES


Se ergueis uma Capela à água milagrosa
Esse elixir divino
Então erguei também um templo à caparrosa
E outro templo ao quinino

Se a água faz milagres, o que eu vos não discuto,
E por isso a adorais,
Ajoelhemos então em face do bismuto
E doutras drogas mais.

Façamos da magnésia e clorofórmio e arnica
As hóstias do sacrário;
Transformemos o templo enfim numa botica,
E Deus num boticário.

Que a vossa água opere imensas maravilhas
Eu não duvido nada:
É o Espírito Santo engarrafado em bilhas,
É o milagre à canada.

Desde que se espalhou pelo Universo o eco
Do milagre feliz,
Tartufo nunca mais encheu o seu caneco
Em outro chafariz!

Autor: Guerra Junqueiro


********
Nota informativa: A água de Lourdes tornou-se associada a milagres em 1858, especificamente no dia 25 de Fevereiro, durante a nona aparição de Nossa Senhora a Santa Bernadette Soubirous na gruta de Massabielle, na França. Nesse dia, a Virgem Maria instruiu Bernadette a cavar o chão e beber da fonte que surgiu, tornando-se um local de curas. 

*************


A partir da minha única ida a Fátima,  na juventude.

A partir de 1917 também nós tivemos a nossa Aparição da Virgem Maria, em cima de uma azinheira.  Se acontecem milagres não se devem a beberagens de águas milagrosas. Apenas somos crentes na palavra das três  crianças que pastoreavam um rebanho de ovelhas e na mensagem ques lhes foi passada por aquela visão que lhes ofuscou a vista, num dia tenebroso de Inverno. Provavelmente, teriam havido relâmpagos e trovões e os pobrezinhos ficaram assustadíssimos. 

A partir daí a romaria de crentes passou a ficar dividida, fraternalmente, entre a cura pela água da gruta, em Lourdes e a oração e a penitência em Fátima. Tudo em prol da paz na Terra entre os homens de boa vontade.

Tudo o que escrevi são suposições minhas, uma vez que não estava nem num lugar, nem n'outro, quando tudo aconteceu. Também pelo que me ensinaram na catequese quando era criança e mais tarde fui lendo, ao longo da vida.

O que sei, é que a humildade de outrora se transformou numa enorme fonte de rendimento. Lá pela França não sei, penso que a água será gratuita.

Por cá é tudo pago a peso d'ouro e é um luxo que só visto...




domingo, 26 de maio de 2024

____CANTAR RECANTADO____

 


Obsessão

Dentro de mim canta, intenso,
Um cantar que não é meu:
Cantar que ficou suspenso,
Cantar que já se perdeu.

Onde teria eu ouvido
Esta voz cantar assim?
Já lhe perdi o sentido:
Cantar que passa perdido,
Que não é meu estando em mim.

Depois, sonâmbulo, sonho
Um sonho lento, tristonho,
De nuvens a esfiapar
E, novamente, no sonho
Passa de novo o cantar...

Sobre um lago, onde em sossego
As águas olham o céu,
Roça a asa de um morcego.
E ao longe o cantar morreu.

Onde teria eu ouvido
Esta voz cantar assim?
Já lhe perdi o sentido...
E este cenário partido
Volta a voltar, repetido,
E o cantar recanta em mim.

*************

Francisco José  Bugalho, in "Margens"

 26 de Julho 1905, Porto   
29 de Janeiro de 1949, Castelo de Vide

[ "O poeta da calma melancolia alentejana" ]

______________________________

quarta-feira, 21 de junho de 2023

OS CAMINHOS QUE PISAMOS

 




 

Quem caminhar, andar sempre, pisando terra batida, 
Se chove coberta de lama, com calor terra sofrida.
Se levar o Sonho na alma
E  caminhar com um objectivo
Sente sob os pés doridos que aquela terra que pisa
É tão plana, macia e leve 
Como esta calçada breve
Que outros caminhantes pisam. 



 





segunda-feira, 19 de junho de 2023

O QUE VÊEM OS TEUS OLHOS ?!

 🌟🌟🌟🌟

Imagem que captei a partir do meu terraço, no dia 15 -06-2023.
Eram 21h35m19seg.

*

Ver uma ave no céu não é coisa rara
Mas em forma de nuvem nunca vi
Ainda hoje eu estou em dúvida
Se vi ou se sonhei__
__ por isso, para saber, estou aqui.

Estou aqui para indagar
a outros olhos
se vêem o que eu vejo.

Uma nuvem no Céu a esvoaçar
qual avião parecendo querer aterrar
no horizonte de um (a)Mar
que me está longe.


💙💙💙💙💛💛💛💛


quinta-feira, 8 de junho de 2023

ESTAVA ZANGADO O CÉU QUE ONTEM ME COBRIA.

 _________Assim:__________




    ____Depois, foi clareando.____


---------------------------------------------

Quando a minha alma nasceu

Para onde olhou primeiro,

E viu tudo um nevoeiro,

Foi lá cima para o céu...

    Que a alma nunca lhe passa

De ideia a fonte da graça! 


Olhava da solidão,

Onde se sentia presa,

Com a natural tristeza

Dos ferros de uma prisão...

    À espera sempre da hora

Que lhe raiasse a aurora!


Bem a chamavam de cá

Sempre os cuidados do dia;

Ela, que nunca os ouvia,

Olhava, mas para lá...

    Donde ela mesmo viera,

Donde todo o bem se espera!


Um dia (nem eu sei qual,

Que em suma foi isso há tanto!)

Vê com uns olhos de espanto

Romper-se a névoa geral;

    E como um sol recortado

Nesse mar enevoado...


E dentro desse clarão,

Como em círculo de prata,

Que imagem se lhe retrata,

Fosse verdade ou visão?

    A mesma que ela apertava

Nos braços quando sonhava.


E hoje a minha alma, não sei

Se nessa névoa cerrada

Vê tal visão embrulhada

Ou nem já vestígios vê...

    Sei que se ainda me anima,

É de olhos fitos lá cima.


 "Amor Místico"   João de Deus, in "Campo de Flores"


Fotos minhas.




terça-feira, 28 de março de 2023

OLHAI, SENHORES!

 🌺 🌺  🌻  🌻 🌺 🌺

Olhai os lírios do campo, que não trabalham nem tecem, contudo,
 nem Salomão em toda a sua glória se vestiu com tanta magnificência.


Pedido

Ama-me sempre, como à flor do lírio
Bravo e sozinho, a quem a gente quer
Mesmo já seco na recordação.
Ama-me sempre, cheia da certeza  
De que, lírio que sou  da natureza,
Na minha altura eu brotarei do chão.


Poema de Miguel Torga
'in' Antologia Poética.


 🌺 🌺  🌻  🌻 🌺 🌺

segunda-feira, 13 de março de 2023

CHILREIOS E VOOS RASANTES.

------------------------------  


Embrenhei-me na floresta
 para desvendar um mistério
que muito me fascinava.
Como viveriam as aves? 
Como foram lá parar;
quem foi que as colocou ali...

A bela e livre passarada?

Aventureira  que sou fui indo
 de trilho em trilho, 
como se fosse entendida. 
Vi um pisco de peito ruivo, olho vivo e redondinho
Parei...fiquei encantada!

Fitámo-nos mutuamente e ali ficámos os dois
como que paralizados;
Ele, seguro no galho,
 talvez querendo ser gente;
Eu, querendo ser passarinho.
Murmurei-lhe palavras doces,
 fingindo voar baixinho.

Foi aí que o conquistei...
O pisco voou até mim,
e veio pousar no meu ombro. 
Bem perto do meu ouvido,
chilreou 
um canto doce...
diria até, com olhar algo atrevido! 

Fotos minhas - obtidas sem sair do recesso do meu Lar - 




-----------------------------------

--------------------

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

SORRISOS SÃOS EM MENTES LOUCAS.

 *******************************


Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura.

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio.

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício.

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola.

Que afinal o que importa não é haver gente com fome porque assim como assim ainda há muita gente que come.

Que afinal o que importa é não ter medo 
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente: Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo.

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra.

[Poema "Pastelaria" de  Mário Cesariny]




************************************
*******************

sábado, 3 de setembro de 2022

DOS SONHOS.

 🍁🍁🍁🍁🍁🍁




SONHOS (I)


Os corpos, abraçados, vão mudando de posição enquanto dormimos, olhando para aqui, olhando para acolá, a tua cabeça sobre o meu peito, a minha coxa sobre o teu ventre, e ao girarem os corpos vai girando a cama e giram o quarto e o mundo.

 «Não, não», explicas-me, julgando estar acordada. «Já não estamos aí. Mudámo-nos para outro país enquanto dormíamos»


Página 45

_________________________________________________________


 SONHOS (II)


   Eu contava-te histórias de quando era pequeno e tu vía-las acontecer na janela.

   Vias-me em miúdo a andar pelos campos e vias os cavalos e a luz e tudo se movia suavemente.

   Então apanhavas uma pedrinha verde e brilhante do peitoril da janela e apertava-la no punho. A partir desse momento eras tu quem brincava e corria na janela da minha memória e atravessavas, galopando, os prados da minha infância e do teu sonho, com o meu vento na tua cara.


Página 217


__________________________________________________________


 SONHOS (III)


Acordaste, agitada, a meio da noite:

   - Tive um sonho horrível. Conto-o amanhã, quando estivermos vivos. Quero que já seja amanhã. Porque não fazes do agora amanhã? Como gostaria que já fosse amanhã.



Página 261


_________________________________________________________________

Breve nota da autora do blog: Como se pode constatar pela numeração de páginas destes textos poéticos, não há uma sequência nem coordenação de temas, apesar do autor do livro - "DIAS E NOITES DE AMOR E DE GUERRA" - lhes atribuir o mesmo título.  Assim são feitas as nossas memórias. Voam, leves e soltas, ao sabor dos ventos que habitam na nossa alma. 




🍁🍁🍁🍁🍁🍁 🍁🍁🍁🍁🍁🍁

 


====================================




 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

RELÓGIO PARADO NÃO MARCA AS HORAS.

 *******************************
Foto minha.


O Relógio

Pára-me um tempo por dentro
Passa-me um tempo por fora.

O tempo que foi constante
No meu contratempo estar
Passa-me agora adiante
Como se fosse parar.
Por cada relógio certo
No tempo que sou agora
Há um tempo descoberto
No tempo que se demora.

Fica-me o tempo por dentro
Passa-me o tempo por fora.


Poema de José Carlos Ary dos Santos


******____*____******

terça-feira, 16 de novembro de 2021

UM JEITO SEDUTOR.

 

Foto minha.

Deixei a minha porta entreaberta para

quando na minha rua passasses

visses que estava à tua espera e

pudesses, enfim, entrar.

No seio da minha casa, no meu leito...


Passaste a assobiar uma canção em voga

Mãos nos bolsos, ar distante, jeito gingão.

Eu a espreitar-te pela fresta da janela encostada

Vi que nem olhaste e passaste ao lado do portão.


Fechei a minha entrada ao delírio, à fantasia.

Saí também para a rua vestida a preceito...

Passei por ti na esquina da minha rua

Fingi que não te vi, segui ladeira acima

Inventei um caminhar sedutor _ e depois,

_ depois?... Tomei- lhe o jeito!...


🎻 🎻 🎻 🎻 🎻




🎻 🎻 🎻 🎻 🎻

domingo, 12 de setembro de 2021

SER OU NÃO SER.

 



Eu faço versos de desalento

Já que essa dor a sinto no peito

Quis ser poeta mas sem talento

Vi que não sou,  não tive jeito!


Corre-me célere por entre rimas

O sangue ardente no fim da vida

Tu sentes pena porque me estimas

Por mim não chores não estou vencida.


Estou bem comigo não tenhas pena

Não sinto a angústia que já senti

Se meu pensamento me torna plena

Não sofras tu o eu que já sofri.


Penas sofro hoje por te perder

Sem te dizer em ardente leito;

o meu sentir...

 Porque poeta eu não sei ser___


___Não sou poeta, não tenho jeito!






____****___

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

SONHO VS VIDA.

 



"Sonhe com aquilo que deseja ser"

Disse-me Clarice* quando a encontrei

Mas como vou sonhar se eu quero viver

E aquilo que vivo não é o sonho 

que em vão procurei?


Navego num Rio que corre entre fragas

Nasci perto de outro que foi Odiana

Vou dourando a vida  fecho as minhas chagas

Navegando a eito conheci o Tejo 

- sou alentejana - 


É nas tuas margens, meu Douro lodoso

Que hoje sonho o Cante e o Fado canto

Com  meu coração sempre saudoso

Vivo entre três Rios em eterno pranto.

      *







quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Ah...A Poesia...

 Ah, Um Soneto...

Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear ...

No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.

Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.

Mas — esta é boa! — era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação? ...

Álvaro de Campos
(Heterónimo de Fernando Pessoa)

☆  ☆  ☆

Foto Janita


Já eu - Janita - falo de prisões e de evasões,
sejam plantas, gentes, 
corações
não existem amarras  
nem paixões
que possam prender quem tem
 a Liberdade como sua única forma de viver.

Assim és, assim sou, assim seremos até morrer!

   ☆   ☆  ☆  ☆   

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Em Tudo Existe Poesia...

 ...até na ameixa!


Fotos minhas.


Balada da Ameixa Seca.

Vai à mercearia e compra ameixa seca.                
P’ro intestino a ameixa é levada da breca.          

O mal do Ocidente – quem há que não o sinta? –
é não ter a tripa sempre limpa.

Com seus altos valores, o Ocidente
dá por demais ao dente, dá por demais ao dente.

Põe-me os olhos nos povos que só comem arroz:
dão melhores guerrilheiros do que nós.

«Noss’povo», ao contrário, come o que apanha à mão.
Até parece fome de muita geração!

E larga, já comido, o corpo em qualquer canto.
Sonha Terceiro Mundo e é Europa, entretanto.

Encostado ao sobreiro ou ao ficheiro,
«Noss’povo» já nada tem de marinheiro.

Sua tripa, represa, é trabalhosa.
Sua prosápia já só é má prosa.

Portugal-do-casqueiro à Europa-das-latas
manda cortiça, vinho, diplomatas.

  

 Espera contrapartidas: sol-e-vistas

é cartaz que atrai muitos turistas.


Mas com a ameixa seca – coisa pouca –
é que pode acordar sem amargos de boca.

Vai à mercearia e compra ameixa seca.
P´ro intestino a ameixa é levada da breca!

Poema de Alexandre O'Neill


* * * *  




 

 Estas são fresquinhas, deu-mas a vizinha

 Refrescam a boca, disse ela, ind'agorinha.

 

( E digo eu.)


😇

************************************************

***********************