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sábado, 19 de janeiro de 2019

Deveria Ser Diferente.

Foto Minha.
Escultura Tragédia do Mar - Matosinhos

Devia morrer-se de outra maneira.

Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, 
fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite para o ritual do Grande Desfazer:

 "Fulano de tal comunica ao mundo que vai transformar-se em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio."

E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir à despedida.


Apertos de mãos quentes.
Ternura de calafrio."Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento, numa lassidão de arrancar raízes… (primeiro, os olhos… em seguida, os lábios…depois os cabelos…) a carne, em vez de apodrecer,  começaria a transfigurar-se em fumo… tão leve…tão subtil…tão pólen…como aquela nuvem além (vêem?) - nesta tarde de Outono ainda tocada por um vento de lábios azuis...



“Devia Morrer-se de Outra Maneira” – de José Gomes Ferreira




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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

DÊEM-LHE ÁGUA, COITADINHA, QUE TEM SEDE A PUCARINHA!


Andava eu, há uns tempos atrás, nas minhas deambulações por essa Net afora, na pesquisa que faço regularmente, para satisfazer as exigências dos enigmas do amigo Rui Espírito Santo, autor do blog "COISAS DA FONTE", eis senão, quando me deparo com esta linda escultura de João Cutileiro. Acho, que pertencia a uma colecção que o escultor ia expor algures numa Vila do Minho.
Dou esta explicação, porque, mal bato com os olhos na estátua, o que foi que eu me havia de alimbrar? (como diria a grande Hermínia Silva) Pois, nada mais nada menos, do que este belo poema aprendido e decorado na escola da minha doce infância, e claro, da autoria de Afonso Lopes Vieira.
Ora vejam lá se ainda se lembram:


O Pucarinho

O Pucarinho de barro,
o pucarinho,
tem bochechas encarnadas,
tem as faces afogueadas;
dêem-lhe água, coitadinho,
que tem sede, o pucarinho!

*
O pucarinho de barro,
o pucarinho,
está ao pé da sua mãe,
sua mãe, bilha bojuda,
que tem como ele também
a carinha bochechuda!

* *
O pucarinho de barro,
o pucarinho,
se a água dentro lhe cai,
põe-se baixinho chiando;
parece que diz: - Ai, ai,
já a sede vai passando!

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Se se vai pelo caminho,
ao Sol ardente,
tem-se uma grande alegria
se dão de beber à gente
uma pouca de agua fria
que é dada num pucarinho!

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ESPERO QUE VOS TENHA AGRADADO ESTE MIMO.


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