sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Intervalo.....

 ...Para reflectir e decidir....

                                                     .....como querem usar a máscara.

                                                 



A decisão é vossa....  💪









quarta-feira, 28 de outubro de 2020

CHUVISCOS.

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Há em mim, uma parte de melancolia,

de tamanho igual à parte do aconchego,

nestes dias e noites de agonia

em que a chuva bate de mansinho,

nas minhas vidraças,

feitas de ansiedade e medo.


Sinto medo de tudo e de nada

medo de não ter tempo para te encontrar

de saber que existes

e fazes parte do meu enlevo.

Sejas tu só espírito, ou carne, 

invólucro d'uma alma nobre,

sem que sinta pressa

em desvendar o porquê

da minha sede, 

nascida no deserto do meu penar...


* * * * * * * * * * * * * * * * * 

* * * * * * * 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

O Feitiço Da Lua.

 



"O que haverá com a Lua que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira?"

Perguntou -(me)  Mário Quintana.


Gostaria de saber responder ao Poeta, mas na verdade não sei.

Pois se nem ele sabe, como saberia eu?


Acredito que o feitiço da Lua existe. 

Por isso nos espanta e deslumbra

a cada olhar.

Foi ela, 

a Lua feiticeira,

com todo o seu poder mágico,

neste fim de tarde,

triste, pardacento e enevoado,

me atraiu o olhar,

para que a visse sair do quarto,

crescendo, crescendo, ufana,

para me oferecer 

o seu lado mais atraente,

este

que vos trago. 




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Masculinidade E Doçura.

 .......................Para acompanhar os insones, até que adormeçam... e  possam acordar ao som de Poesia. Ofereço-vos:      

....dois Poemas na madrugada.


A Un General 


Región de manos sucias de pinceles sin pelo

de niños boca abajo de cepillos de dientes


Zona donde la rata se ennoblece

y hay banderas innúmeras y cantan himnos


y alguien te prende, hijo de puta,

una medalla sobre el pecho

Y te pudres lo mismo.


 Julio Cortázar

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Tradução

Região de mãos sujas de escovas sem pelos

de crianças de cabeça para baixo com escovas de dentes


Zona onde o rato se enobrece

e há inúmeras bandeiras e eles cantam hinos


E alguém te excita, filho da puta,

uma medalha ao peito.


E apodreces do mesmo jeito.

*

[tão actual...]

*

Para amenizar a crueza deste poema, deixo-vos com a voz, - máscula e tão doce, - de Cortázar  que declama:

 "Los Amantes". 

Também este poema envolto da crua realidade, mas que a voz do Poeta suaviza.




Quién los ve andar por la ciudad

si todos están ciegos ?

(...)

Los amantes rendidos se miran y se tocan

una vez más antes de oler el día.


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sábado, 24 de outubro de 2020

Tiranos E Revoluções.

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Revolução industrial,  satirizada pelo grande  Charlie Chaplin, 
 no filme "Tempos Modernos"
Fonte da imagem AQUI


REVOLUÇÃO


Pena que as revoluções

não as façam os tiranos

se fariam bem em ordem

durariam menos anos.


Liberdade sairia

como verba de orçamento

e se houvesse qualquer saldo

se inventava suplemento.


Pagamento em dia certo

daria para isto e aquilo

o que sobrasse guardado

de todo o assalto a silo


Mas o que falta aos tiranos

é só imaginação

e o jeito, na circunstância,

é mesmo a revolução.


Agostinho da Silva, 'in' Poemas.

       


Agostinho da Silva, foi um filósofo, poeta, ensaísta, professor, pedagogo e tradutor português.



Defendeu sempre a Liberdade, como a mais importante qualidade do ser humano. 

Nasceu no Porto a 13 de Fevereiro, 

 faleceu a 03 de Abril de 1994, em Lisboa.

[Quem não se lembra das suas imperdíveis "Conversas Vadias", transmitidas pela RTP, nos anos 90 ? ]


A foto do Professor Agostinho da Silva, retirei-a deste interessante site, aqui,  quem tiver um pouco de tempo, não perderá nada em aceder. Pelo contrário, só terá a ganhar, Ficará mais rico de conhecimentos ao saber mais factos acerca deste Homem extraordinário.

Espero que vos agrade.

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[ Li ontem, num blogue amigo, uma bela quadra por ele escrita e decidi voltar a homenagear esta figura ilustre da cultura portuguesa]

 


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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

O CÉU DA MINHA RUA.

 






Fotos captadas ontem às 17:37

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Nesta tarde,

sem frio que me faça

tiritar,

nem calor que me

sufoque,

saía do meu labor

levando o rosto

amordaçado, - triste mordaça esta, -

algo que sempre repudiei.

Embrenhada em pensamentos

sobre coisas 

que eu cá sei, ou talvez,

nem mesma eu saberei,

não sei para onde olhava

pra dentro de mim, talvez.


O percurso é curto e sempre igual

nesta rua que é a minha

lá seguia eu

sozinha

para o mesmo destino de sempre,

minha casa, ainda quente.

Não sei se foi uma voz

que  ouvi, longe, muito

longe, 

parecia chamar por mim

ergui os olhos ao céu -

meu Deus - o que é isto;

Lhe perguntei eu...


...e o Céu da minha rua

na tarde solitária e nua,

sem palavras, 

responde-me  assim...



...aqui é o Lugar, onde, um dia,

quando menos se esperar...

                                   ...nos iremos encontrar!


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Porque uma vez , não são vezes!............

 .........................Sai, na madrugada, um poema aviso para quem vê a dobrar:


"Edificante Poema Escrito em Portuñol"



Don Ramón se tomo um pifón:

bebia demasiado, Don Ramón!


Y al volver cambaleante a su casa,

avistó em el camino:

um árbol

y um toro...


Pero como veia duplo, Don Ramón

vio um árbol que era

y um árbol que no era,

um toro que era

y um toro que no era.

Y Don Ramón se subió al árbol que no era:

Y lo atropelo el toro que era.

Triste fim de Don Ramón!


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Autor:

Mário Quintana

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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Quer Ser Multimilionário?....

 .....   Pode ser que ao ritmo do Foxtrot, à moda dos loucos anos 20, seja desta vez. É ouvir e aprender como se faz...




Cheguei a pensar o bom que seria poder imigrar

Não tive coragem, faltou me a bagagem pra ir além mar

Sonhei que pra dar a volta ao mundo bastava ter fé

Comprei a taluda, joguei Totoloto e a "meia de pé"

Mas nada saiu e noites a fio sonhei em ganhar

Pensei na estratégia, sai da inércia pra me concentrar

O poder da mente deixou me contente, raspei um cartão

Ganhei um tesouro, mas era tão pouco, não dava pro pão

Um dia serei, multimilionário

Jogando certeiro, serei o primeiro a ganhar no café

Um dia serei o maior do bairro

Cruzei os dedinhos, que são tão fininhos, agora é que é

Tinha mais uns trocos, meti-me nos copos e fui apostar

Não sou derrotista, pois sou desportista e quero ganhar

Raspei devagar, na esperança de ver a bola a entrar

Gritei que era golo, saíram dois euros, vou ter de apostar

Pois quem muito insiste, nunca desiste, o importante é sonhar

Viver com a esperança de ir um dia a França ao shopping comprar

O que apetecer, um carro oferecer a quem muito amo

Se agora sair, vou ter de partir e volto pro ano

Um dia serei, multimilionário

Jogando certeiro, serei o primeiro a ganhar no café

Um dia serei o maior do bairro

Cruzei os dedinhos, que são tão fininhos, agora é que é

Um dia serei, multimilionário

Jogando certeiro, serei o primeiro a ganhar no café

Um dia serei o maior do bairro

Cruzei os dedinhos, que são tão fininhos, agora é que é...


👍

Boa  Sorte! 

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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

DO VOO, DA PENA E DA PLUMA.

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"Um passarinho cantando é, na maioria das vezes, um cavalheiro"

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Qual passarinho voando

que pousa de galho em galho

às janelas vou espreitando

e aprendo com o saber

dos que valem mais que eu valho.


Quanta sabedoria encontramos

ao espreitar pelas janelas

de gente que nunca vimos,

e em pasmo descobrimos

a verdade que habita nelas


Muito errado está quem pensa

que isto de andar sem cuidados

errante, de casa em casa,

pelas ruas virtuais,

não nos acrescenta nada.


Cá por mim já aprendi,

tanta coisa de valor

com os parentes dos outros:

aqueles que têm Primas, 

ricas em muito saber

e Avós e Tios que até fazem

das boas práticas louvor.


Se querem ter vida longa

de longevidade saudável

três práticas devem seguir:

pouca mesa, de cama só o razoável,

do sapato não façam poupança

e, durante o seu romper,

ver tudo o que vos rodeia

com poesia no olhar e um 

sorriso de bonança...


Esta que hoje vos escreve,

mesmo sem sair de casa,

fez da sapatilha seu guia

caminha quilómetros por dia,

sem açúcar, pouco sal, cama q.b.

sente-se tão leve, tão pluma...

                                                                    ...que teme que o vento a leve... 😋


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Para quem se lembrar da minha "Resolução de Outono", faço saber que esta é a notícia, que então prometi dar. Para quem se não lembrar, pode refrescar a memória AQUI  --------- A imagem e a citação, recolhi-as na Net.


B O A   S E M A N A .


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* * * * * 

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domingo, 18 de outubro de 2020

Vamos Lá Com Calma.....

...porque aqui vive gente de bem. Quem considerar isto de mau-gosto lembre-se que "a vida é séria demais para ser levada a sério" Choros e lamentostambém não resolve a vida de ninguém. Dito isto, passo a explicar que este é um postal para dispor bem, inócuo e inofensivo. Riam ou sorriam. Se fizerem cara feia, paciência.  Aqui, não se pretende rir de ninguém, nem das grandes nem das médias tampouco das pequenas. Apenas brincar.

Se achas que o Corona é mau, espera até apanhares a Carlsberg





Para provar o que foi escrito acima, oiçam e divirtam-te, tanto quanto eu me divirto ao ouvir a Tuna Académica Seistetos, da Universidade de Évora. 




Letra

[Quem quiser cantar esteja à vontade.]


Como era linda com o seu olhar sensual.
Até lhe chamavam menina das mamas grandes,
Quando passava retorquia o pessoal,
Aquelas mamas são umas coisas importantes! (Bis)

Eram tão grandes, belas, fartas e bonitas.
Todos os dias apareciam no jornal,
E o presidente da Câmara lá do sítio,
Quis fazer delas monumento nacional! (Bis)

Quando passava pela rua descuidada,
Os rapazes vinham todos à janelas.
E entre todos baixinho comentavam,
Bendito pai que fez uma filha daquelas! (Bis)

E as raparigas tábuas lisas que passavam,
Ficavam tristes a pensar nos seus peitinhos.
Quando ela olhava com vergonha disfarçavam,
E com as mãos tapavam os marmelinhos! (Bis)

Passaram dias e as meninas esperavam,
Só para ver se as suas maminhas cresciam.
Pois os rapazes para elas não olhavam,
Só mamas grandes é que os satisfaziam.

Apareceu a silicone certo dia,
E grandes seios era coisa que convinha.
E só não tinha um peito grande quem não c'ria
Mas mamas grandes ninguém tem como ela as tinha! (Bis)


Letra: Nuno Tirapicos/Seistetos
Música: Moda das Tranças Pretas
CD: Anda ká k’eu nãtalêjo

*

B O M  D O M I N G O

:)
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sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Um Soneto Por Semana. # 5

 


Terapia do Sorriso


Gosto de sorrir com pura alegria

Mandasse eu no mundo que me não entende

Lançava um decreto e tudo faria

Para que o sorriso nunca fosse ausente. 


Se algo me diverte rio com alarde

Não me fecho em copas não guardo o sorriso

Instantes alegres são ar que respiro e deles preciso

Assim eu sou e sempre serei seja cedo ou tarde


Sublime lenitivo para os males da alma

Sorrir até limpa o ressentimento

Eleva a auto-estima, relaxa e acalma


Pára de sofrer cessa esse tormento

Escolhe a alegria esquece qualquer trauma

E serás feliz a saborear esse teu talento.


Janita

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Nota da autora: que ninguém se lembre de botar defeito q'uisto deu-me uma trabalheira.


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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

As Palavras Que Nunca Trocámos.

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Quis falar-te 

da minha descoberta

daqueles dois pequenos míscaros

 - assim são conhecidos na região beirã - 

os cogumelos que tanto gosto.

Nunca comi iguais aos que comia,

carnudos e transbordantes da água

a saber ao sal da grelha.

 

Saborosa lembrança dos meus tempos de menina,

no meu querido Alentejo.


Gostaria tanto de contar-te, 

mas não contei

não me deste oportunidade.

Não deixaste que te dissesse

do meu assombro,

do meu deslumbramento,

pela descoberta daqueles 

dois pequenos e belos fungos

onde uma joaninha vermelha pousou.


Não te falei do medo que senti

temendo pela vida do pequeno e belo insecto.


Era ainda tão menina,

alguém me disse que no interior de tanta beleza, 

se podia esconder a morte, 

a dor e a tristeza.


Mas como? - me perguntei, então - 

se era ali que viviam os

pequenos duendes, 

das minhas histórias encantadas?


Ninguém me respondeu,

não  havia lá ninguém a não ser eu.


Tu não me deste ouvidos.

Chamaste-me parva e partiste,

sem dizer para onde.

Deixaste-me só

com mais uma história 

desse meu tempo de menina

que não te contei.

 

Retalhos da minha vida

que nunca soubeste e jamais te contarei.


[ A minha versão do que foi contado AQUI. ]


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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

The Next Day ...

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...e como hoje é para descansar, voltamos ao dia-após-dia,

à rotina e ao relax.

Deixo-vos com esta canção bem velhinha e sempre linda. 

Com tradução para dar para todos!

Alguém se lembra?




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terça-feira, 13 de outubro de 2020

O Meu Príncipe Está De Parabéns...

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...Enquanto a avó anunciava aqui a boa nova, o Príncipe banhava-se para o grande acontecimento a celebrar na intimidade do seio familiar, já que os tempos são de recolhimento e precaução.

                                                         





A Festa será por aqui. Todas as iguarias confeccionadas pela mão amorosa de sua Mãe, poderão os amigos/as da avó vir saborear aqui ao seu cantinho. Se quiserem poderão cantar-lhe os parabéns. Tanto a avó quanto o neto, ficar-vos-ão agradecidos.

                                                      

                                                   



Por enquanto, é tudo o que a orientadora da festa dispõe.

À medida que forem chegando novos dados sobre 

o evento real, a repórter de serviço

fará a apresentação com a 

devida ilustração.

O Aniversariante ficou devidamente resguardado na sala, 

enquanto os convidados - só adultos - festejaram no jardim.

( Como medida preventiva as crianças ficaram em casa com familiares)




Obrigada a Todos.


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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

É P'RÁ MANHÃ....

 


[Esta foto, publiquei-a pela primeira vez, quando comuniquei aos meus leitores e amigos que, tal como essas uvas em embrião se estavam a desenvolver no cacho, um pequeno bago de gente se estava a desenvolver no ventre de sua mãe. 
Ambos, seriam bagos inteiros quando viesse o tempo certo.
E assim, foi! ]


Foi neste passar lento das horas

dos dias e da semana após semana

que a pequena semente se fez gente

e depois de ser bago de gente

foi crescendo, crescendo,

entre a cuidadosa ternura e amor

dos que tem perto e o

deslumbramento irreprimível

a alegria esfuziante,

de quem o ama e vê de longe.

Amanhã se completarão

os trezentos e sessenta e cinco dias

dos muitos que se seguirão

mais adiante...


💓


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sábado, 10 de outubro de 2020

DA LIBERDADE.

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Além Tejo.


O Aquém-Tejo é bonito, 

tem belezas de encantar

mas o meu lugar favorito

fica bem pra lá do mar.


É tão lindo o Além-Tejo

com suas planícies douradas

tem ceifeiras que não vejo,

 por lá ceifaram dobradas.


Com o decorrer dos tempos

e com toda a evolução

já nada é como era,

 tudo sofreu transformação.


Houve mudanças bem vindas

que deram vida aos montados

houve ódios, houve partidas

muitos foram os inconformados


O homem foi substituído

no seu trabalho braçal

pelas máquinas ruidosas

e muitos passaram mal.


Aqueles que lá não viveram

sequer sentiram na pele

o sofrimento e a pobreza

falaram de barriga cheia

serviram-se da ignorância alheia 

e se autoproclamaram

 arautos em sua defesa.


Eu nasci no Alentejo

e dele sinto saudade.

Quem me dera ver o Tejo

e passar para além dele

ouvindo gritar: Liberdade!!







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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Um Soneto Por Semana. # 4


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Desta vez são dois sonetos.

Mas o meu não conta. É uma pálida réplica humorística.

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A Frouxidão No Amor É Uma Ofensa.


 A frouxidão no amor é uma ofensa,

Ofensa que se eleva a grau supremo;

Paixão requer paixão, fervor e extremo;

Com extremo e fervor se recompensa.


Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!

Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;

Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;

Em sombras a razão se me condensa.


Tu só tens gratidão, só tens brandura,

E antes que um coração pouco amoroso

Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.


Talvez me enfadaria aspecto iroso,

Mas de teu peito a lânguida ternura

Tem-me cativo e não me faz ditoso.


Soneto de Manuel Maria Barbosa du Bocage


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Não sei como é possível acontecer

Quem sinta na bondade frouxidão

Eu choro e desespero quando tal oiço dizer

Isso é maltratar alguém sem compaixão.


Sei que em tudo és diferente de mim

Se não ardo e se não gemo de paixão

Foi teu egoísmo que me tornou assim

Fogo que arde sem amor é chama sem coração.


Fica lá com tua fúria de raivoso garanhão

A ternura do meu peito é feita só de brandura

Como és homem de bravatas, praguejas sem ter razão.


Se minha gratidão te enfada, sai perto de mim, vai p'ra longe

Não quero teu fogo de palha bafiento e malcheiroso

Haverá quem me dê valor; e tu, vai pró Convento ser monge!!


😄


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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

O Outono do Meu Contentamento.

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Foto minha de um outro Outono 


Resolução de Outono.


Podia ter passado o resto da sua vida

a viver do mesmo modo rotineiro, 

insosso e sem brilho, como andava a viver desde aquele dia

que a marcou. Na memória, e nos hábitos do seu quotidiano

que, lenta e insidiosamente,

a foram afastando cada vez mais de si,

sem que isso fosse sinónimo 

de aproximação real de alguém.


Um acontecimento, tão natural, como 

naturais são os acontecimentos banais,

não premeditados nem intencionais,

mudou-lhe o modo e a forma de estar e encarar

a sua própria vida. E até a sua pessoa...

Ela, que nunca havia tomado uma resolução de fim-de-ano

e dizia a rir que a sua resolução seria não tomar resolução alguma,

tomou a sua resolução de Outono.


Tenho a certeza que vai passar a ver-se,

e a ver todos quantos a rodeiam, 

com um olhar menos tristonho.


Finalmente, voltou a encontrar-se.

O vislumbre de uma luz, ainda que ténue, mas brilhante

e promissora, sorri-lhe, 

ao fundo daquele longo e lúgubre túnel...




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terça-feira, 6 de outubro de 2020

Que Volte A Confiança E Todos Os Risos Se Iluminem.

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Esta ausência não foi por nós pedida,

este silêncio não é da nossa lavra,

já nem Pessoa conversa com Pessoa,

com o feitiço sempre imenso da palavra


Este tempo só é o nosso tempo

porque é nossa a dor que nos sufoca

e faz de cada dia a ferida entreaberta

do assombro que esquivando-se nos toca


Esta ausência é dos netos, dos filhos, dos avós,

é a casa alquebrada pelo medo,

é a febre a arder na nossa voz

por saber que o mal a magoa em segredo


Este silêncio é um sussurro tão antigo

que mata como a peste já matava;

vem de longe sem nada ter de amigo

com a mesma angústia que nos castigava


Esta ausência é uma pátria revoltada

que se fecha em casa sempre à espera

que a febre não a vença nem lhe roube

a luz mansa que lhe traz a Primavera


Esta casa somos nós de sentinela,

à espera que a rua de novo nos console

e que festeje debruçada à janela

a alegria que só nasce com o sol


Esta ausência mais tarde há-de ter fim,

por nada lhe faltar nem inocência;

que se escute o desejo de saúde

anunciando que vai pôr fim à inclemência


Que se abram as portas e as janelas,

que o medo, derrotado, parta sem destino

por ser esse o sonho colorido

que ilumina o riso de um menino.


José Jorge Letria 

(20 de Março de 2020)

domingo, 4 de outubro de 2020

LENGALENGA.

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Trago cansada

a memória...

Se guardo, 

não sei onde ponho.

Se ponho, guardo. 

 E depois

ando à procura 

das coisas,

 que nesta 

minha loucura,

guardo, ponho 

e não disponho.


Um lugar para

cada coisa

cada coisa em seu lugar

 - me dizia minha mãe -

E foi coisa que

 sempre fiz,

quando esta minha cabeça

lembrava onde as coisas

punha e sabia onde

as  guardava, sem

diz-que-diz, 

nem desdiz.


Os óculos são

prá cabeça

as meias para

os pés são,

as luvas, quando 

está frio, calço uma

em cada mão.

Isso quando minha 

memória, era esperta 

e atilada, 

agora anda

cansada, 

já não memorizo

 nada.


Se um dia eu

não aparecer

dois ou três dias seguidos

já sabem, perdi o rumo

esqueci onde pus o mapa

onde guardava o roteiro

deste Cantinho

Faz-Tudo...*


Fonte  desta bela Imagem, 

que não tem nada a ver com a palavra final do texto, 

embora faça parte da mesma Arte Circense. 

* Faz-Tudo = Sinónimo de Palhaço-Pobre, usado no Alentejo.

  [ Com todo o respeito e admiração que me merecem os artistas circenses. Especialmente, os palhaços, no desempenho da difícil Arte de fazer rir crianças e adultos. ]


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