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sexta-feira, 26 de maio de 2017

RELÍQUIAS.

Dos cinco filhos do Mestre Francisco Favinha - fotógrafo de profissão - foi a filha mais nova que lhe herdou o talento, o gosto pela Arte e o negócio, ao qual deu continuidade. Todas as fotos que aqui vos tenho mostrado, da minha infância,  foram tiradas por ele.  Umas no seu estúdio, e aquela em que - juntamente com a minha mana - fui madrinha de casamento de uma prima, em substituição de minha Mãe, sua madrinha de baptismo.
Essa, foi tirada na escadaria da Igreja de São Salvador ( que já conhecem). Os Favinha foram meus vizinhos, desde que me conheci por gente, até irmos morar para a casa do meu Avô. A futura fotógrafa, e eu, fomos sempre grandes amigas e colegas de escola. A nossa amizade acompanhou-nos enquanto fomos crescendo, até que, tinha eu doze anos, a vida nos separou. Nunca deixei de a visitar sempre que ia à terra.  Assim foi até aos dias de hoje. Pois a minha amiga Lena, cujo negócio deixou de ser o que era, pelos motivos óbvios, andou a procurar nos arquivos do pai e descobriu negativos de tempos idos. Revelou as fotos e fez uma exposição de relíquias. Entre essas relíquias do passado encontrou uma que vale uma vida. A nossa. Uma foto de meninas que frequentavam a Escola Primária Feminina. Entre elas estamos nós. Tive dificuldade em me reconhecer, já a Lena, identifiquei-a de imediato. 



A minha amiga é a primeira menina que se encontra na primeira fila, à esquerda, a contar de baixo, e a única que não olhou para a câmara. E eu? Alguém me reconhecerá?
Como pista direi que sempre gostei de franja, tanto quanto abominava os laçarotes no cabelo. Detestava aqueles repolhos que as pobres crianças eram obrigadas a equilibrar na cabeça. A minha querida Mãe, sabendo disso, nunca me forçou a tal sacrifício. 
Ah...também estou na mesma fila e não tenho o rosto moreno. Há uma menina que está a meu lado, que nunca esqueci, porque ser uma criança tão sábia e inteligente, como se fosse uma sábia anciã. Esteve poucos meses connosco. Não era da terra. Fiz-lhe companhia na sala de aula, muitas vezes, durante o recreio, por lhe ser  impossível correr. Foi a melhor recordação que trouxe dos meus tempos de menina. Obrigada, Lena!

Então? Quem adivinha qual destas meninas, sou eu? :)