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sábado, 28 de agosto de 2021

Maria Antonieta Conta...

 ...como aprendeu a gostar de grelos.


Maria Antonieta é uma velha amiga que conheço desde os tempos de juventude. Contou-me ela, certo dia, num dos nossos momentos de desabafos e lembranças mútuas que, sempre teve boa boca tudo o que fosse comestível marchava. Desde pequena que era assim. Caldo verde com carapauzinhos fritos e ervilhas estufadas com ovos escalfados eram, no entanto, os seus pratos preferidos.
Só havia algo que nunca conseguiu tragar: grelos. Fossem de couve ou de nabo. De nabos, então, com aquele sabor acre, azedo, nem pensar…Davam-lhe  volta ao estômago e não havia nada a fazer.

Pois num belo dia em que acompanhou uma sua prima-irmã, que andava a mudar de casa, lá para os lados de Benfica, após muitas voltas e reviravoltas, idas à mercearia do bairro pedir caixas de cartão, embalar roupas de cama, embrulhar louça em papel de jornal, ouvir os monólogos da prima; - isto vai para o lixo, isto vou dar à minha vizinha… ai não é bom de mais, vou mas é ficar com isto e mais tarde resolvo.

Sobe e desce escadas…quando chegou ao entardecer é que se lembraram que desde o frugal dejejum não havia entrado nas suas bocas qualquer espécie de alimento. Maria Antonieta sentia a barriga colada às costas. 
Na casa, prestes a ficar devoluta, a despensa estava vazia. Contou-me ela que a vontade de comer passou a fome, fome mesmo, daquela de esganar.

Lembrou-se a prima de ir ver se na mercearia haveria algo que pudessem cozinhar, já que naquele tempo não existiam restaurantes de take away. Ficou Maria Antonieta em casa a embalar os últimos trastes. Quando se sentou à mesa, improvisada, que em tempos normais servia para passar roupa a ferro, viu sair das mãos da prima uma fumegante travessa de batatas cozidas, um chouriço de carne cortado em rodelas grossas e algo verde e de cheiro pouco apetecível: os malfadados grelos.
Nesse dia forçou-se a comê-los pois não quis dizer que não gostava, e, a partir desse jantar, que lhe soube como o melhor manjar que só sabe dar valor quem já sentiu fome, dizia e garantia Maria Antonieta, que nem na noite de Consoada dispensava uma boa e fumegante travessa de grelos cozidos a acompanhar o bacalhau.
Poderia faltar o peru, grelos; nunca!

Quando hoje fui fazer a minha caminhada, que já não fazia há mais de uma semana, não pude deixar de pensar na Maria Antonieta e nesta passagem da sua vida, quando vi que aquele campo de cultivo, onde apenas uma semana atrás verdejava algo que me parecia erva, estava agora repleto de verdes e tenros grelos…

E vós, como ides de apetência por hortaliça ácida?

POSTAL  REEDITADO 
 
Podeis  rever os mesmos grelos... AQUI
(agora não é tempo deles)



domingo, 9 de agosto de 2020

As Duas Irmãs.

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Desde o retiro, a que a pandemia viral a isso obrigou, foi o primeiro encontro físico entre as duas irmãs.
O peso do isolamento foi sendo atenuado, ao longo dos meses, por esse milagre de aproximação entre  amigos e familiares chamado WhatsApp.
Uma maravilha da tecnologia informática, diziam-se ambas, mutuamente, acenando afirmativamente com a cabeça.
Nesse pormenor estiveram sempre de acordo.

Tocados os cotovelos, no cumprimento mais próximo que mandava  a precaução e o bom senso, vieram as perguntas e respostas acerca das gentes da 'nossa' terra.
A irmã mais velha, também a mais faladora e que sempre tinha mais para contar, explanava longamente factos sabidos por outras fontes.
- Coitado do C., disse-me ele ontem por telefone que agora nas horas de maior solidão nunca houve uma boa alma que lhe batesse à porta para uma palavra de conforto.
- Ah, estivéssemos nós lá, - lamentaram ambas, em uníssono, num lamento sincero.

Comida a açorda de bacalhau com ovos escalfados e tudo o mais a que tinham direito, com o saborzinho bom da terra natal, chegou a vez das lembranças mútuas. 
Curiosamente, a irmã mais velha não se lembrava de quase nada que a mais nova recordava com tanta precisão.

- Lembras-te daquela altura em que eu quis comungar, na missa de domingo, pela primeira vez, acho que teria uns sete anos,  e não o podendo fazer sem ir previamente ao «confesso»,  te perguntei o que devia dizer ao senhor padre?
- Verdade? 
- Então não te lembras que escreveste num papel os pecados que eu tinha de confessar?! 

De todos os pecados que lhe foram imputados lembrava-se ainda de três:

1-Tenho dito palavras feias
2-Tenho desobedecido aos meus pais
3-Tenho batido nas minhas amigas.

Enquanto conduzia no regresso a casa, a irmã mais nova sentiu-se finalmente perdoada pelos pecados que a sua irmã  lhe havia imputado e ela não tinha ideia alguma de ter cometido.

E, pasmem, a verdadeira pecadora, não se lembrava de nada...







sexta-feira, 26 de junho de 2020

Verão. [ Com Adenda. ]


SEM PEVIDES... :)



Verão, esta bela estação
que me traz a água doce 
da melancia. 

A cor vermelha do fruto 
rubro que sacia minha sede 
e me delicia.

Me refresca a garganta
e me traz a ternura de suaves lembranças
da inocência perdida
que  minha memória
acaricia.



* * * * * * * * * * * * *


Adenda: 
Perante o pasmo geral, acerca da melancia sem pevides, cumpre-me informar que a novidade me chegou vinda dos Países Baixos. O Noah, que adora comer, pode assim regalar-se sem correr o risco de se engasgar.
Ora, nós, portugueses, não somos inferiores a nenhum outro povo, vai daí, fui em demanda da dita cuja e também eu me deliciei...

Fazei vós o mesmo!!

:)


* * * * * * * 
* * * * * 



segunda-feira, 11 de maio de 2020

Quem Não Teve Já Treze Anos?


Não foi logo naquele momento que me lembrei, foi só hoje, ao voltar lá, ao blog da Graça Sampaio, que me ocorreu que também tinha uma fotografia dos meus treze anos.

Ai, quem me dera/ Ser agora adolescente
Não saber o que sei hoje/ Fazer fé em toda a gente…



Que diferença entre uma época e outra...Que abismo entre a bela jovem, neta da minha amiga e a menina que sorriu porque a mandaram sorrir,- para ficar bem no retrato -  quase recém-chegada da província, e, crente naquele soberbo mundo novo onde se vendia frango assado com batatas fritas, se trazia a travessa de inox para casa, mediante o pagamento de já nem sei quanto, tipo contra reembolso, por ainda ninguém  saber o que eram tupperwares. 

Mas, treze anos são treze anos, motivo de orgulho em qualquer época.... Por já ter quase idade para namorar, não com o Pedro gaiteiro que nem sabia quem era, mas para ir dançar na Sociedade Recreativa. Na cabeça, todo um mundo de sonhos tolos, cheia de esperança de ser feliz e encontrar um grande, grande amor...





    
E vós? Também tendes uma fotografia dos vossos treze anos?
Então, bora lá mostrar ao pessoal.  :)


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Já houve um Amigo - o Kok - a mostrar-nos como era giraço nos seus treze anos.
Quem será o segundo?
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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Doce Sedução de Outono.





É fruto de Outono, sedutor,
é lembrança
Da minha distante
 infância.
Em que pela árvore trepava.
E sentada no ramo
 mais alto
 nos bagos rubros
 encontrava
o açúcar, o mel que me faltava.





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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Après Toi. [ Depois de Ti ]

Hoje lembrei-me desta canção e da cantora Vicky Leandros que, em representação do Luxemburgo, ganhou o Festival da Eurovisão em 72, creio. Houve imensas versões, mas nunca nenhuma se pode comparar ao original. Lembram-se?
A memória prega-nos cada partida...Andei todo o santo dia com a canção a martelar-me na cabeça...


                                           

Depois de ti
Terei lágrimas nos olhos
As mãos vazias, o coração sem alegria…

Contigo
Aprendi a rir
E as minhas gargalhadas
só me chegam por ti…

[ ...até parece...!!! ]



Flor de maracujá - do meu quintal.



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domingo, 10 de fevereiro de 2019

O Porto Aqui Tão Perto.

A Fotografia é Minha -  Mas não fui eu que fotografei... :)
Já por aqui apareceu há cerca de dois anos. Alguém se lembra?

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Vá comboio, meu comboio
carrega na velocidade
pára só quando chegarmos
à cidade

Olá cidade do Porto
a lágrima ao canto do olho
estava fechada há que tempos
com um ferrolho
Custou tanto cá chegar
mil e uma peripécias
quando menos se espera
o diabo tece-as

Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o Porto
aqui tão perto

Mal chegado, vislumbrei
dois amigos do alheio
vasculhando a minha caixa
do correio
Ah, tratantes, apanhei-vos
com a boca na botija
com certeza não esperam
que eu transija

Não é nada do que pensas
Viemos trazer-te um recado
Que nos foi entregue
Por um embuçado

Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o Porto
aqui tão perto

Dizia assim o recado
no Palácio há variedades
se lá fores, verás que vais
matar saudades

Eu, matar, não gosto muito
mas saudades, é diferente
é como matar pulgas
alivia a gente.
Cheguei lá e deparei
com uma mulher embuçada
intimei-a: Pára lá
com essa tourada

Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o Porto
aqui tão perto



Desembuça-mos, vá lá
e já agora, desembucha
com esse capuz, mais pareces
uma bruxa.
Diz-me o que fazes aqui
canto ali com as atracções
no conjunto do "Godinho
e os seus Godões"

Já te topo, há quanto tempo
te não punha a vista em cima
diz-me lá
se és ou não és
a Etelvina

Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o Porto
aqui tão perto

Sou a Etelvina, sim senhor
não me digas, Etelvina
que andas assim por andares
clandestina.
Clandestina? Não estás bom
Eu fugida? Nem se pense
Este fato é só p´ra aumentar
o suspense

Sou cantora no conjunto
e aparecemos embuçados
e ficam os espectadores
arrepiados

Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o Porto
aqui tão perto

Mas na vida é bem diferente
ando de cara descoberta
com a cabeça e os sentidos
bem alerta.
Já vi tantas injustiças
falo de dentro de mim
e o que me sai cá de dentro
sai-me assim:

Faço música p´ró povo
e tu, povo, retribóis
e tu me inspiras sustenidos
e bemóis

Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o Porto
aqui tão perto

E eu também faço o mesmo
com o que o povo me dá
gratuito o dó-ré-mi
e mais o lá
Lá fiquei a noite toda
numa de improvisação
a regenerar o corpo
e o coração

Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o Porto
aqui tão perto.

* * * * 
Música e letra de Sérgio Godinho.

* * * 


Nota: Peço a Todos  que ouçam o vídeo até ao final e  vão acompanhando /cantando, com a leitura da letra, Ok?  Não se aceitam recusas nem reclamações!  Agradecida!

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Adenda:

Como acabo de verificar que a fotografia já foi identificada pelo nosso 

Mestre Rui  Espírito Santo

Ficou dada a resposta à minha pergunta.

Efectivamente, a foto já havia sido publicada

AQUI

:)
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Jani...Dos Quinze Anos.


Não se chamava Nini
Nem vestia de organdi
Mas sonhava…
Sonhava
Foram sonhos sem fim
Esperando ser feliz
E cantava
Cantava…
Gostava de ir aos bailes
Dançar e saltitar
Qual pluma alegre
E não havia outra igual
De sorriso espontâneo
E olhar puro
Com pouco se alegrava
E dançava…



Veio o tempo de crescer
E hoje é só recordar
Os quinze anos
E a alegria de viver
Se tudo
É já passado
É feliz quando recorda
Foi tempo de aprender
Saber o que é sofrer
Os anos passam
E a menina doce
De sorriso alegre
De um tempo
Passado
Sabe que o bonito sonho
Que um dia foi
Sonhado
Continua a ser só seu
E isso nunca lhe
poderá ser roubado…


:)









quarta-feira, 30 de maio de 2018

PARA SORRIR...SEM PRECONCEITOS.



A professora pediu aos alunos que escrevessem uma redacção que terminasse com a frase "Mãe... Só há uma".

No dia seguinte, ela chama o Zezinho ( rubro e branco) para ler a sua composição e o garoto começa assim:

“Eu estava doentinho, espirrando, tossindo, febril, não conseguia comer nada, não podia brincar, nem vir à escola. Então, de noite, a mamã esfregou Vick Vaporub no meu peitinho, deu-me um leitinho quente com um comprimidinho, cobriu-me, eu dormi e, no dia seguinte, acordei bonzinho e feliz.
Mãe... só há uma.”

A classe toda aplaudiu, a professora elogiou e deu nota dez ao Zezinho.

Chamou o Toninho (azul e branco) que foi logo lendo a dele, com segurança na voz.

“Eu tinha prova de Conhecimentos Gerais no dia seguinte, não sabia nada, não conseguia decorar nada, comecei a chorar, achando que ia tirar zero. Aí, a minha querida mãe, sentou-se ao meu lado, pegou no livro, explicou-me tudo como deve ser, pegou na minha lição e eu fui dormir sossegado. Quando acordei senti que sabia tudo, vim à escola, fiz a prova e tirei 10.
Mãe... só há uma.”

A classe, emocionada, aplaudiu o Toninho. A professora deu nota dez, também.

De seguida chamou o Wandergleidson Júnior (verde e branco) que, titubeante, foi lendo a dele.

“Eu cheguei em casa a minha mãe, que estava na cama com um fulano, que não conheço, diferente do gajo da semana passada, gritou-me, quando me ouviu chegar:- Wandergleidson, seu vadio safado, vai ao frigorífico e traz-me duas cervejas. Aí, eu abri o frigorífico, olhei lá dentro e gritei pra ela:
Mãe... só há uma!”

***

Pensavam que era a das bolachas?... Não é não!!  

Fiquem a ler, e a sorrir, - espero - que eu vou ali e volto já. Entretanto, ofereço-vos mais esta recordação do meu quintal:

Uma camélia; da cameleira onde os melros fizeram o ninho...:)





Um abraço e até já!!


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