Nas minhas caminhadas quase diárias,
seja o percurso feito num sentido ou noutro, é sempre o mesmo, por ser o melhor
e de piso mais plano e regular. Mais ou menos a meio do trajecto, passo por uma
casa desabitada onde dantes vivia, sozinha, uma velha senhora.
Por motivos que
não conheço bem, mas o diz-que-diz fez saber que os desentendimentos entre
os dois irmãos, quanto à partilha dos bens, estarão na base da lenta degradação
e abandono em que a casa se encontra.
Hoje, reparei que o matagal em que
se havia transformado o pequeno jardim foi retirado deixando a descoberto
vestígios de vidas já extintas. Interrompi a caminhada e parei junto ao portão
preso com arames.
O poço lá está junto à casa...e a corola avermelhada, de uma roseira morta, empresta algum pálido colorido ao verde dos fetos e das ervas.
Porém, a natureza, alheia e indiferente ao desleixo humano, lá
vai cumprindo a sua missão de fazer renascer o ciclo de vida que tem a seu
cargo. Pequenos rebentos começam a brotar
dos ramos que ainda há pouco, num olhar rápido, eu via secos e imaginava
mortos.
Mas o mais belo e surpreendente, foi
ver a resistente cameleira que, sem mimo nem cuidados, se encheu de lindas
camélias incentivada pelo cálido sol primaveril neste Inverno vestido de Primavera.
Registei o momento e segui em passo
mais vagaroso até casa. A imagem da velha senhora, sempre diligente e apressada,
seguiu comigo. Quando abri o meu portão e entrei no jardinzito, olhei à minha volta.
Um pensamento ensombrou o meu olhar.
Tomara que um dia os meus não se desentendam…
================================
************************
-------------------






.jpg)





