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segunda-feira, 26 de agosto de 2024

............UFA!.........COM ADENDA...PARA OS MAIS DISTRAIDOS!

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Dois já cá cantam e outros hão-de vir, mas não por agora!
Esta escritora, que por sinal é médica, vive com a família e um gato (preto) numa casa centenária de três andares, cujos degraus das velhas escadas, rangem a cada passo, esgota-me as poucas forças anímicas que ainda me restam. 

Vá lá que neste último que li, "A Criada", o final veio compensar o suspense, a raiva e a sensação de impotência que senti perante uma situação terrivelmente macabra e injusta.
O que lhe aconteceu - a ele, ao sádico psicopata - ultrapassou em muito, tudo o que ele fez a cada uma das suas vítimas. 
Ah, mas ver um tirano cruel, provar do próprio veneno, bebê-lo até à última gota, deu-me um prazer tal que me pergunto se isto não será igualmente um prazer sádico...e condenável.
 Se for, paciência...temos pena!!


Eu, uma sua leitora portuguesa, agradeço-lhe cara Freida, ter feito este meu cansado coração  palpitar a um ritmo assustador. Dê-me, por favor, algum tempo para me recompor, e prometo que um terceiro livro irá engrossar  esta coleção de super, super suspense...Bolas! A sra. tem uma imaginação tão habilmente criminosa que até assusta.
Lá está, como nós, tugas, dizemos por cá: quem vê caras não vê corações . Tão bem falante, tão bonzinho, tão generoso e vai-se a ver... 


😲 😲 😲 



ADENDA: ACRESCENTO ESTA FOTO PARA ESCLARECER QUE, POR UM  LAMENTÁVEL LAPSO DA MINHA PARTE, NÃO DISSE QUE O ESTILO  LITERÁRIO É DE SUSPENSE E MISTÉRIO, NÃO UM ROMANCE LAMECHAS DE AMOR. 🥱

ALIÁS, SEGUNDO REZA UMA FRASE NA CONTRACAPA:

"MISTERIOSO, INTENSO E VICIANTE COMO UM VERDADEIRO THRILLER  DEVE SER"   🙄 🧐 
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domingo, 9 de novembro de 2014

"Abraço"




"A grande força está no modo como narra histórias que se dobram para dentro da sua própria loucura e no fio puríssimo de luz com que as vai resumindo e salvando do esquecimento."

Citação: Eduardo Prado Coelho.



Iniciei a leitura deste livro, que me está a absorver quase todo o tempo que tenho livre. JLP escreve sobre si próprio, neste livro, com invulgar desassombro. Num intimismo, rente à pele, não se esquece do leitor, abraçando-o!
Com um abraço, vos deixo por algum tempo, mas voltarei com notícias acerca deste escritor alentejano.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

"Os Ciganos"



Quem melhor do que o seu neto, Pedro Sousa Tavares, filho primogénito de Miguel S. Tavares, que completou o livro que a Avó deixou inacabado, para  homenagear esta grande figura da Literatura Portuguesa?
Completaria, hoje, noventa e cinco anos de idade!

Obrigada, pelo imenso e maravilhoso espólio que nos deixaste, Sophia!




                                                                              

 
 
 


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

As Gordas Almas da Nossa Terra.

Camilo Castelo Branco


"Foi vagarosa a saída da primeira edição deste livro. É óbvia e, ao mesmo passo, desconsoladora a explicação. A novela não perdeu por mal escrita; mas por mal pensada. A incorrecção é o castigo de quem escreve muito à pressa para ir acabando mais devagar. Em Portugal é preciso isto.
O defeito deste livro é a superabundância de virtudes de enfastiar leitores que as exercitam iguais e maiores, todos os dias.
Ainda bem.
Quem quiser voga e fama pinte e salpique de sangue e lama os seus painéis. Ganhar a curiosa atenção dos leitores somente é permitido a quem lhes dá notícias de coisas não sabidas nem experimentadas.
A virtude é o ranço destas gordas almas da nossa terra.
Relatem-se crimes de cafrarias em linguagem de cafre."

Isto, escreveu CAMILO CASTELO BRANCO em 1868 no prefácio da segunda edição do seu romance O BEM E O MAL. Não conhecendo eu outras razões, para além das apontadas pelo escritor, não poderei escrever sobre o assunto. Nota-se, no entanto, uma grande amargura nas suas palavras. Provavelmente devido à relutância por parte das editoras, uma vez que o escritor retrata, com grande crueza e realismo, a eterna luta entre o Bem e o Mal. 
A propósito de cafrarias ( aqui em sentido figurado; selvajaria ) lembrei-me deste poema de um poeta seu contemporâneo. Embora, neste caso, a referência seja feita às regiões do Sul de África habitadas pelos Cafres ( povo Banto).



António Gomes Leal
O Selvagem
Eu não amo ninguém. Também no mundo
Ninguém por mim o peito bater sente,
Ninguem entende meu sofrer profundo,
E rio quando chora a demais gente.

Vivo alheio de todos e de tudo,
Mais callado que o esquife, a Morte e as lousas,
Selvagem, solitário, inerte e mudo,
- Passividade estupida das Cousas.

Fechei, de há muito, o livro do Passado
Sinto em mim o desprezo do Futuro,
E vivo só commigo, amortalhado
N'um egoismo bárbaro e escuro.

Rasguei tudo o que li. Vivo nas duras
Regiões dos crueis indifferentes,
Meu peito é um covil, onde, às escuras,
Minhas penas calquei, como as serpentes.

E não vejo ninguém. Saio somente
Depois de pôr-se o sol, deserta a rua,
Quando ninguém me espreita, nem me sente,
E, em lamentos, os cães ladram à lua...

António Gomes Leal, in "Claridades do Sul"
Poeta e Crítico Literário

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