"Longe o marinheiro tem
Uma serena praia de mãos puras
Mas perdido caminha nas obscuras
Ruas da cidade sem piedade."
Uma serena praia de mãos puras
Mas perdido caminha nas obscuras
Ruas da cidade sem piedade."
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Isto, escreveu a Poetisa Sophia de Mello Breyner no seu poema
«Marinheiro Sem Mar.»
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Com o meu Tio foi diferente. Ele viveu no mar-alto.
Foi essa a sua opção de servir a Pátria.
Não regressou à sua terra Natal mudado.
Regressou como havia partido, mas ainda mais calado.
Taciturno, avesso a tudo o que fosse supérfluo e sem utilidade.
Honrado. Confiável. Enigmático.
Não fazia perguntas. Nunca falou de si. Nunca contou nada da sua vida.
O que lhe ia na mente e na alma, foi sempre um enigma para quantos o conheceram.
Solitário. Independente. Não constituiu família. Partiu sem deixar descendência.
Entre recordações que pertenceram a minha Mãe, encontrei esta fotografia de seu irmão, o último dos sete que eram.
Até um dia, Tio João.
[Quem sabe se em conversa, alma com alma, não me desvendará o mistério que envolveu a sua mocidade.]


