Escreveu esta dedicatória num livro do autor referido acima, e me foi oferecido num Natal já distante, o meu filho, então estudante na Universidade do Minho.
Foi sendo a sua vida construída aos poucos, feita de pequenos/grandes sucessos e algumas frustrações, mas, mercê da sua força de vontade, persistência e determinação - a tal resiliência, hoje tão em voga - conseguiu alcançar os seus objectivos pessoais e profissionais. Não foi fácil, sofreu reveses, mas a luta tornou-o mais forte.
Quando eu, hoje, ao tentar colocar alguma ordem na desordem em que convivem livros já lidos e relidos, com outros meio-lidos ou ainda por ler, encontrei esta preciosidade, já de folhas amarelecidas pelo tempo.
Comovi-me com a lembrança desse Natal distante, em que as esperanças dos meus filhos em alcançar os seus objectivos, eram as minhas esperanças, e a sua luta era a minha luta.
Comovi-me também com a desventura da pobre e jovem Cândida Erêndira - que continuou a correr, com o colete de ouro, mais além dos ventos áridos do deserto e dos entardeceres de nunca acabar. Jamais se voltou a ter a menor notícia dela nem se encontrou o vestígio mais ínfimo da sua desgraça.
Tampouco por aqui se encontrará. Talvez, um dia, quando os meus descendentes forem remexer nas caixas empoeiradas, cheias de velhos livros, no sótão, encontrem, feita em pó, cinza e nada, a Velha e Desalmada Avó, que deu origem à Incrível e Triste História
escrita pelo autor de «Cem Anos de Solidão.».






















