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sexta-feira, 25 de junho de 2021

Um Soneto Por Semana. #16

 

Foto minha.


Temo que a minha ausência e desventura

Vão na tua alma, docemente acesa,

Apoucando os excessos da firmeza.

Rebatendo os assaltos da ternura.


Temo que a tua singular candura

Leve o tempo fugaz, nas asas presa

Que é quase sempre o vício da beleza,

Génio imutável, condição perjura.


Temo; e se o fado meu, fado inimigo

Confirmar impiamente este receio,

Espectro perseguidor que anda comigo,


Com rosto, alguma vez de mágoa cheio,

Recorda-te de mim e diz contigo:

"Era fiel, amava-me e deixei-o."


Soneto de Manuel Maria Barbosa du Bocage


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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Um Soneto Por Semana. # 10





 


Olha, Marília, as flautas dos pastores

Que bem que soam, como estão cadentes!

Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes

Os Zéfiros brincar por entre as flores?


Vê como ali beijando-se os Amores

Incitam nossos ósculos ardentes!

Ei-las de planta em planta as inocentes,

As vagas borboletas de mil cores.


Naquele arbusto o rouxinol suspira,

Ora nas folhas a abelhinha pára,

Ora nos ares sussurrando gira.


Que alegre campo! Que manhã tão clara!

Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,

Mais tristeza que a noite me causara.


Soneto de Manuel Maria Barbosa du Bocage

Fotografias minhas.




[Parece-me que por aqui  nada clareou.]

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A todos vós, companheiros de jornada blogueira, desejo que em 2021 todas as vossas manhãs, tardes e noites, sejam claras e ditosas.


E FAÇAM O FAVOR DE SER FELIZES!







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quarta-feira, 20 de maio de 2020

Vulgaridade? Sim...


...mas bem real!

E, depois, apeteceu-me ser vulgar, mas realista.



* *
*


Piolhos cria o cabelo mais dourado;
Branca remela o olho mais vistoso;
Pelo nariz do rosto mais formoso
O monco se divisa pendurado:



Pela boca do rosto mais corado
Hálito sai, às vezes bem ascoroso;
A mais nevada mão sempre é forçoso
Que de sua dona o cu tenha tocado:

Ao pé dele a melhor natura mora,
Que deitando no mês podre gordura,
Fétida urina lança a qualquer hora.

Caga o cu mais alvo, merda pura:
Pois se é isto o que tanto se namora,
Em ti, mijo,  em ti cago, oh formosura.

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Soneto da Porcaria -
 de Manuel Maria
(du Bocage)

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