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segunda-feira, 27 de junho de 2022

A ETERNA GRATIDÃO... DA REALIDADE.

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Mário Cesariny - O Poeta/Pintor, surrealista e sonhador.
Foto daqui



Tantos pintores


A realidade comovida agradece
mas fica no mesmo sítio
(daqui ninguém me tira)
chamado paisagem

Tantos escritores

A realidade comovida agradece
E continua a fazer o seu frio
Sobre bairros inteiros, na cidade, e algures

Tantos mortos no rio

A realidade comovida agradece
porque sabe que foi por ela o sacrifício
mas não agradece muito

Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gosta da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito
pode sufocar.

Só o velho moinho do acordeon da esquina
rodado a manivela de trabuqueta
sem mesura sem fim e sem verdade
dá voltas à solidão da realidade.


 Poema e Pintura de Mário Cesariny.




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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

BEIJOS.

 

Le Baiser - Henri de Toulouse-Lautrec 



Um Beijo


Foste o beijo melhor da minha vida,

Ou talvez o pior...Glória e tormento,

Contigo à luz subi do firmamento,

Contigo fui pela infernal descida.


Morreste, e o meu desejo não te olvida:

Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,

E do teu gosto amargo me alimento,

E rolo-te na boca malferida.


Beijo extremo, meu prémio e meu castigo,

Batismo e extrema-unção, naquele instante

por que, feliz, eu não morri contigo?


Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,

Beijo divino e anseio delirante,

na perpétua saudade de um minuto...


 Soneto de Olavo Bilac.

[ Este Olavo Bilac não é o nosso Santo & Pecador. Foi um poeta/jornalista e cronista brasileiro, que viveu de 16 de Dezembro de 1865 a 28 de Dezembro de 1918. Faleceu, portanto, com apenas 53 anos.]


                                                               ***___***


                                                                         



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sábado, 25 de setembro de 2021

SUAVIDADE E DELICADEZA....

 ...Em dia que se quer de reflexão.



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" Pouco importa "

"que a tua voz tenha uma tonalidade mais adulta 

se agora me traz a ondulação de um mar calmo."



O  excerto do poema e a belíssima aguarela

tomei-a de empréstimo ao 

 Pintor/Poeta 

Luís Rodrigues

Autor do blogue

"Brancas Nuvens Negras"

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[ Para que possam aceder à totalidade do poema e à publicação original, por favor, cliquem AQUI.  ]

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Qualquer manifestação de desagrado por parte do seu Autor, 
de imediato será retirado tudo o que agora tomei de empréstimo. Obrigada! 


*  *  *

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Simplesmente Poesia. #1 ( Com Adenda)

 

Moema.
Pintura histórica de 1866, do pintor brasileiro Victor Meirelles. *



Morrer de Amor. 


Morrer de amor

ao pé da tua boca


Desfalecer

à pele

do sorriso


Sufocar

de prazer

com o teu corpo


Trocar tudo por ti

se for preciso.


(Maria Teresa Horta)


* Conheça AQUI a história que inspirou o pintor.

Adenda: Às 10: 40.
Até ao momento, todos os comentadores se fixaram nas palavras de Maria Teresa Horta, eróticas, dizem, sem ninguém questionar a pintura nem o porquê dela aqui estar. Por favor, não deixem esta publicação pela metade. Leiam a origem da pintura histórica e façam justiça à força do Amor. 💘😊



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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Um Soneto Por Semana. # 13

 

"O Beijo"
Tela de Henri Toulouse - Lautrec


Soneto da Separação


De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.



Soneto de Vinícius de Moraes


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sábado, 9 de janeiro de 2021

Um Soneto Por Semana. # 11

 

Foto minha


Anoitecer.


Esbraseia o Ocidente na agonia

O sol… Aves em bandos destacados,

Por céus de oiro e de púrpura raiados

Fogem… Fecha-se a pálpebra do dia…


Delineiam-se, além, da serrania

Os vértices de chama aureolados,

E em tudo, em torno, esbatem derramados

Uns tons suaves de melancolia…


Um mundo de vapores no ar flutua…

Como uma informe nódoa, avulta e cresce

A sombra à proporção que a luz recua…


A natureza apática esmaece…

Pouco a pouco, entre as árvores, a Lua

Surge trémula, trémula… Anoitece.


Poema da autoria de Raimundo Correia



Raimundo da Mota de Azevedo Correia, escritor, poeta, magistrado e diplomata brasileiro, nasceu em 13 de maio de 1859 a bordo do navio a vapor São Luís, na baía de Mogunça, Maranhão (1859-1911). 
Dados biográficos e foto  DAQUI


                                                              * * * 



                                                        *  *  *  *  *  * 

terça-feira, 29 de outubro de 2019

RECOLHIMENTO.


Tela de Alexander Sulimov


Sê sábia, ó minha Dor, e queda-te mais quieta.
Reclamavas a Tarde; eis que ela vem descendo:
Sobre a cidade um véu de sombras se projecta,
A alguns trazendo a angústia, a paz a outros trazendo

Enquanto dos mortais a multidão abjecta,
Sob o flagelo do Prazer, algoz horrendo,
Remorsos colhe à festa e sôfrega se inquieta,
Dá-me, ó Dor, tua mão; vem por aqui, correndo

Deles. Vem ver curvarem-se os Anos passados
Nas varandas do céu, em trajes antiquados;
Surgir das águas a Saudade sorridente;

O Sol que numa arcada agoniza e se aninha,
E, qual longo sudário a arrastar-se no Oriente,
Ouve, querida, a doce Noite que caminha.





[  Soneto de Charles Baudelaire ‘in’  "As Flores do Mal " 






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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

DOS DEUSES E DOS BICHOS.





E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.

As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.

Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.


E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

[Beijo a Beijo - Poema de Rosa Lobato Faria]

 

[ A tela é do pintor Toulouse- Lautrec ]




A fotografia é minha. :)


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sábado, 23 de março de 2019

NU CONTRA O NU.

Tela de Almada Negreiros - A Sesta


Tu e Eu Meu Amor
Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu. 


Nua a mão que segura 
outra mão que lhe é dada 
nua a suave ternura 
na face apaixonada 
nua a estrela mais pura 
nos olhos da amada 
nua a ânsia insegura 
de uma boca beijada. 

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu. 


Nu o riso e o prazer 
como é nua a sentida 
lágrima de não ver 
na face dolorida 
nu o corpo do ser 
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida. 


Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu. 



Nua, nua a verdade 
tão forte no criar 
adulta humanidade 
nu o querer e o lutar 
dia a dia pelo que há-de 
os homens libertar 
amor que a eternidade 
é ser livre e amar. 

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu. 



[Poema de Manuel da Fonseca]


                                                                              
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sábado, 2 de março de 2019

Da Loucura.


Pintura de Amadeo de Souza-Cardoso



Ser doido-alegre, que maior ventura! 
Morrer vivendo para além da verdade. 
É tão feliz quem goza tal loucura 
Que nem na morte crê, que felicidade! 

Encara, rindo, a vida que o tortura 
Sem ver na esmola, a falsa caridade 
Que bem no fundo é só vaidade pura 
Se acaso houver pureza na vaidade. 

Já que não tenho, tal como preciso
A felicidade que esse doido tem 
De ver no purgatório um paraíso... 

Direi, ao contemplar o seu sorriso, 
Ai quem me dera ser doido também 
P'ra suportar melhor quem tem juízo. 



António Aleixo
(Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 — Loulé, 16 de Novembro de 1949)





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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ORGIAS...

...DE CORES - sem importar mês nem dia.



O Beijo - A obra mais famosa do pintor austríaco: Gustav Klimt


Soneto

Encontrei-te. Era o mês... Que importa o mês? Agosto, 
Setembro, Outubro, Maio, Abril, Janeiro ou Março,
Brilhasse o luar que importa? ou fosse o sol já posto, 
No teu olhar todo o meu sonho andava esparso.

Que saudades de amor na aurora do teu rosto!
Que horizonte de fé, no olhar tranquilo e garço!
Nunca mais me lembrei se era no mês de Agosto,
Setembro, Outubro, Abril, Maio, Janeiro, ou Março.

Encontrei-te. Depois... depois tudo se some
Desfaz-se o teu olhar em nuvens de ouro e poeira.
Era o dia... Que importa o dia, um simples nome?

Ou Sábado sem luz, Domingo sem conforto, 
Segunda, terça ou quarta, ou quinta ou sexta-feira, 
Brilhasse o sol que importa? ou fosse o luar já morto?


Alphonsus de Guimaraens, poeta brasileiro.
Pseudónimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães.
 (24 de Julho de 1870 – 15 de Julho de 1921)
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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

TUDO TEM EXPLICAÇÃO...

...até a minha incultura!




PINTURA DE:   FEDERICO MALDARELLI


Ler na cama
É uma difícil operação
Me viro e reviro
E não encontro posição
Mas se, afinal,
Consigo um cómodo abandono

Pego no sono…


(Poeminha do Grande:  Millôr Fernandes )


VOTOS DE FELIZ FIM-DE-SEMANA.

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sábado, 19 de novembro de 2016

O QUE NINGUÉM VÊ.

Tela de Alexander Sulimov -  Fonte  -



Nomeei-te rainha. 
Há maiores do que tu, maiores. 
Há mais puras do que tu, mais puras. 
Há mais belas do que tu, há mais belas.
 

Mas tu és a rainha.


 
Quando andas pelas ruas 

ninguém te reconhece. 

Ninguém vê a tua coroa de cristal,

ninguém olha a passadeira de ouro vermelho 

que pisas quando passas, 

a passadeira que não existe.



E quando surges 
todos os rios se ouvem 
no meu corpo, 
sinos fazem estremecer o céu, 
enche-se o mundo com um hino. 



Só tu e eu, 

      só tu e eu, meu amor, 

                          o ouvimos. 





(Pablo Neruda)