sexta-feira, 27 de abril de 2012

PONTES...



Obtive esta foto, a partir do interior do Funicular do Porto, que liga a Batalha à Ribeira, na véspera do dia de Páscoa. Foi esta a primeira vez que utilizei este meio de transporte e fiquei deslumbrada. A vista que se desfruta sobre o Rio Douro e a Ponte D. Luís, é simplesmente soberba. Pena  que a imagem não tenha qualidade. Ah...mas a minha próxima compra irá ser uma máquina fotográfica em condições!  Isto de fotografar com um telemóvel, também ele sem qualidade, não resulta em fotos de jeito.
Amanhã, se não me surgir nenhum contratempo, atravessarei uma outra Ponte, rumo à margem esquerda de outro lindo Rio, o Tejo.
Desejo-vos um óptimo fim-de-semana e bom feriado do Dia 1º de Maio. Eu farei ponte, mas na quarta-feira espero estar de volta ao meu Norte.
                                              


"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio
Todos os lugares onde estive
Todos os portos a que cheguei
Todas as paisagens que vi
 através de janelas ou vigias
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto,
é pouco para o que eu quero."
Álvaro de Campos
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Em Termos De Esperança.


Viver
Mas era apenas isso,
era isso, mais nada?
Era só a batida
numa porta fechada?

E ninguém respondendo,
nenhum gesto de abrir
era, sem fechadura,
uma chave perdida?

Isso, ou menos que isso
uma noção de porta,
o projecto de abri-la
sem haver outro lado?

O projecto de escuta
à procura de som?
O responder que oferta
o dom de uma recusa?

Como viver o mundo
em termos de esperança?
E que palavra é essa
que a vida não alcança?

Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Quatro Braços...Um Abraço!

Gosto de abraços! Não existe contacto físico que transmita mais calor humano do que um abraço.
Num abraço podemos dizer tanto...! Muito mais do que num beijo. Nos  abraços poderá não haver paixão, desejo, mas existe todo um universo de ternura, afecto, amizade e também muito amor!
Um abraço é o espelho dos sentimentos de quem abraça.
Para todos vós, o meu forte abraço de muita amizade.



Canção dos Abraços.

São dois braços, são dois braços
servem pra dar um abraço
assim como quatro braços
servem pra dar dois abraços
E assim por aí fora
até que quando for a hora
vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços.


Vão ser tantos os abraços
que não vão chegar os braços
prós abraços.
                                                                                                                 Sérgio Godinho

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Proximidades.





Imagem da Net.
Num livro do autor Ruediger Schache, que ando a ler, há uma passagem que achei muito interessante e resolvi partilhar convosco. À primeira vista poderá parecer-nos que tudo isto é bastante óbvio, mas provavelmente não será tanto assim. Tanto mais que assumir medos não é fácil, por pensarmos ser uma fraqueza ou consequência de algo que nos marcou e não queremos sequer recordar.
Deixo à vossa apreciação...




A força que busca a proximidade.
"No fundo, todos desejamos proximidade. Como seres humanos, queremos ter a sensação de não estarmos sós e de sermos compreendidos. Como mamíferos que somos, o nosso corpo procura a proximidade e o contacto com outros. A criança dentro de todos nós procura segurança, protecção e um jogo em conjunto. Todas estas forças dentro de nós clamam por uma ligação e por um encontro com outras pessoas. Este é o nosso desejo profundo.
A força que rejeita a proximidade.
Essa força é sempre o medo! Os dois maiores medos são o medo de ser magoado e o medo de ser abandonado.
Pensamos que ser magoado só é possível quando mostramos o nosso lado sensível ao outro. Por isso, muitas vezes, são construídas várias fachadas como muros de protecção, umas a seguir às outras. Sempre que uma cai, a ameaça torna-se um pouco maior do que era.
Ser abandonado…só é possível se nos tivermos ligado antes. Quando nos abrimos e nos entregamos ao outro. O intelecto inconsciente, para realizar a sua missão de protecção, tenta evitá-lo. Inventa motivos, como por exemplo, o de não ter necessidade nem tempo para um relacionamento realmente íntimo."

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 E agora  a pergunta que se impõe: e quando estas duas forças entram em conflito...que fazer? Pois é...dessa parte  o livro não fala! Alguém sabe?

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Culpada Serei Eu...?

Aproveitando o dia em que se assinala os 170  anos  de ANTERO DE QUENTAL e sendo este meu simples e despretensioso cantinho / refúgio - arriscando uma percentagem diria que 90% - dedicado à divulgação de poesia como um bom amigo já fez referência, e se ele o disse eu reitero, aqui fica mais um soneto...


Imagens da Net.




Mea Culpa


Não duvido que o mundo no seu eixo
Gire suspenso e volva em harmonia;
Que o homem suba e vá da noite ao dia,
E o homem vá subindo insecto o seixo.

Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Nem chamo ao céu da vida noite fria;
Não chamo á existência hora sombria;
Acaso, à ordem; nem à lei desleixo.

A Natureza é minha Mãe ainda...
É minha Mãe... Ah, se eu à face linda
Não sei sorrir, se estou desesperado;

Se nada há que me aqueça esta frieza
Se estou cheio de fel e de tristeza...
É de crer que só eu seja o culpado!
                                                                                                                        
                                                                                  


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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Something Stupid.



Apesar de nunca o ter admirado como pessoa,  será sempre, para mim, a
 VOZ!


Como uma Voz de Fonte que Cessasse.
Como uma voz de fonte que cessasse
(E uns para os outros nossos vãos olhares
se admiraram)
P’ra além dos meus palmares
De sonho, a voz que do meu tédio nasce.

Parou...
Apareceu já sem disfarce
De música longínqua, asas nos ares,
O mistério silente como os mares,
Quando morreu o vento e a calma nasce...

A paisagem longínqua só existe
Para haver nela um silêncio em descida
P’ra o mistério, silêncio a que a hora assiste...

E, perto ou longe, grande lago mudo,
O mundo o informe mundo onde há a vida...
E Deus, a Grande Ogiva ao fim de tudo...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Adeus...quimeras!

Para além de ter nascido no Alentejo, em pouco mais me identifico com FLORBELA ESPANCA!
No entanto senti, desde cedo, uma atracção quase mórbida pela sua poesia dramática, atormentada e intensa.
Já publiquei alguns poemas e sonetos seus, mas este será, definitivamente, o último!
Há tanta beleza nas pequenas coisas que nos rodeiam!
Basta sabermos olhar à nossa volta e descobrirmos nela a poesia que nos vai na alma.
Para quê amargar ainda mais a existência, com sonhos e quimeras? 
Adeus, Florbela!!!





                              
Maria das Quimeras
Maria das Quimeras me chamou
Alguém.. Pelos castelos que eu ergui
P’las flores d’oiro e azul que a sol teci
Numa tela de sonho que estalou.

Maria das Quimeras me ficou;
Com elas na minh’alma adormeci.
Mas, quando despertei, nem uma vi
Que da minh’alma, alguém, tudo levou!

Maria das Quimeras, que fim deste
Às flores d’oiro e azul que a sol bordaste,
Aos sonhos tresloucados que fizeste?

Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?…
Aonde estão os beijos que sonhaste,
Maria das Quimeras… sem quimeras?!

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Estranha Forma de Vida...!

É no equilíbrio das coisas que reside a harmonia. Tudo aquilo que pecar por defeito ou excesso, desequilibra até os sentimentos e rouba harmonia à  vida...
Tudo ou nada não é fácil de aceitar e saber gerir...
De novo me encontro  a olhar, do terraço da casa, o meu jasmineiro trepador, florido e perfumado, mas agora com uma sombra no  olhar já de novo triste  e saudoso...
A casa voltou a ficar silenciosa...silêncio de que houve momentos senti alguma falta e agora me pesa tanto...
É apenas uma questão de dias. Depois, o hábito volta a instalar-se e tudo volta à normalidade...daquilo que cada vez me parece mais injusto e anormal.

                                                                                      
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